No dia seguinte, acordei cedo e fui à minha consulta mensal. Quando voltei, fui direto ao chalé. Ele estava basicamente mobiliado com todos os móveis. Sentei-me na sala de estar para desempacotar uma caixa com algumas coisas, na esperança de me distrair de toda aquela confusão de ontem. Claro que Colle me fez gozar, eu praticamente me joguei e implorei a ele. A vergonha me enche enquanto o calor floresce em minhas bochechas. Eu estava culpando meus hormônios por isso, eu nunca agiria dessa maneira normalmente.
Eu liguei a televisão que Will havia instalado para mim na noite anterior. Quando a TV anunciou que o prefeito estaria em uma entrevista coletiva, acabei deixando no canal. Christopher Petrelli começou a discursar.
Mentiras, mentiras, e mais blá, blá, blá.
— Seu filho Luck Petrelli é como garoto de ouro — a repórter afirmou com sorriso fingido.
— Sim, como o pai, ele trabalha com ONGs, faz trabalhos voluntários, sempre fazendo jus ao sobrenome Petrelli. — Christopher sorriu.
— Ele pretende, como o senhor, se eleger daqui a dois ou três anos?
— Oh! Mas é claro — Ele sorriu. — Mas no momento, ele quer cuidar da família.
— Sim, nós soubemos — ela afirmou. — O senhor será o vovô do ano.
— Sim, e estamos muito contentes. Luck não poderia estar mais feliz! Ele sempre amou crianças, e ser pai é como um sonho realizado, ainda mais de Anna, com quem está noivo há um ano. O casamento será daqui uma semana, eles escolheram a igreja de São Petersburgo, porque são muito religiosos. Ele vai ser o exemplo de família tradicional que vocês vão querer no poder daqui a dois anos.
Desliguei a televisão sem terminar de acompanhar a entrevista. Eu não podia. Foi como se tivessem me apunhalado no peito, olhei para minhas mãos fechadas, unhas cravadas em cada palma a ponto de abrir feridas e sangrar. Os nós dos meus dedos ficaram brancos.
Levantei e liguei o som, onde começava a tocar Eagles, Hotel Califórnia.
A reportagem ficava se repetindo na minha cabeça.
Luck ia ser pai de outra criança.
Como ele pôde fazer isso comigo?
Soltei o primeiro grito, que veio banhado de amargor, eu estava magoada.
Cansada.
Sozinha
Eu não conseguia ver nada, e não pude prever meus próximos movimentos, joguei tudo no chão. As caixas, o pequeno aparador com coisas, os vasos de plantas.
As mantas do sofá da sala foram lançadas em seguida.
Os enfeites de porcelana de cima da lareira.
Os vasos.
Tudo que poderia ser quebrado.
Peguei o espelho que decorava a sala e, como as outras coisas, joguei no chão.
— Eu o odeio, eu o odeio — eu gritava, cega pelo ódio.
Até que senti mãos firmes segurarem as minhas e me virei, Colle estava lá.
— Me solta— gritei. As lágrimas rolaram com mais força, ignorando meus comandos para parar.
Com toda a calma do mundo, ele me soltou.
— Está tudo bem, Nicole— ele disse, com a voz passiva.
— Não! — Gritei. — Não está tudo bem, Ethan! — Respiro fundo e tento reprimir a necessidade de bater em alguma coisa.
— Eu estou aqui, baby. — Ele esticou a mão para me tocar.
— Não! — gritei de novo. — Se afaste, Colle, se afaste. — Ele não parou até chegar a mim. Proferir, uma sequência de socos em seu peito duro como uma rocha enquanto gritava. — Por favor, se afaste Colle, eu simplesmente não posso lidar com isso! Por que você tem que ser tão gentil? Por que não grita comigo de volta? Por que não me põe para fora? Por que não me humilha? É doloroso demais!
Welcome to the Hotel California Such a lovely place Such a lovely face
They livin' it up at the Hotel California What a nice surprise, bring your alibis (...)
Sua mandíbula endureceu, deixando seu rosto mais magro, mais velho, incrivelmente intenso.
— Oque as pessoas não sabiam é que aquilo tudo não passava de uma maldita fachada. Meu pai espancava a minha mãe frequentemente e usava seu poder e status para encobrir os seus rastros ao longo do caminho. Não foi muito tempo depois de eu fazer doze anos que minha mãe morreu.
Posso ver quando Eithan, engole o enorme caroço do caralho na sua garganta e corre a mão pelo seu rosto.
— Sinto muito Colle. — Era realmente uma dor da qual eu estava familiarizada. Afinal de contas, eu também havia perdido o meu Pai. No entanto, as feridas de Ethan de alguma maneira pareciam mais profundas.
Me aproximo dele, quando nos sentamos no sofá da sala e ele continua a narrar.
— Antes de morrer, ela nos protegeu enquanto pode. Meu pai sempre foi instável, mas ele não fazia certas coisas porque minha mãe preferia ser punida a ver qualquer um dos seus filhos sofrendo na mão do seu marido abusivo. Eu tentei defende-la uma vez, e ele usou seu cinto tantas vezes nas minhas costas que fiquei uma semana na cama.
Eu não percebo que ainda estou chorando, mas percebo que os meus punhos estão cerrados ao meu lado, meu coração batendo violentamente contra o meu peito. Ethan era uma criança, que tipo de mostro o seu pai era?
— Depois que minha mãe se foi, a lacuna que ela deixou, se tornou uma abertura para que ele fizesse oque bem entendesse conosco. Infelizmente nessa mesma época, Caroline veio viver com a gente, porque o irmão do meu pai se casou com ela e, sua mãe não tinha muito mais juízo que o meu pai.
A mandíbula de Ethan apertou com força, é uma maravilha de ele não ter quebrado um molar.
— Éramos apenas crianças, não tínhamos como nos defender. Não da horda diabólica que meu pai era, e não de toda maldade que ele lançou sobre a gente. Eventualmente, ele fazia alguns eventos na nossa mansão. Só frequentavam grandes membros da aristocracia, políticos, famosos. Éramos exibidos como em um circo. — Sua mandíbula está apertada como se ele estivesse rangendo os dentes e solta uma respiração profunda pelo nariz como se fosse um touro pronto para atacar.
Com os músculos tremendo, pergunto a pergunta que não sei se realmente gostaria de ouvir as respostas.
— E oque acontecia com vocês durante as festas?
Seus olhos azuis perfuram os meus e por trás dessa fachada de cara durão, vejo familiaridade. O reflexo dos meus olhos Azuis nos dele, mas mais do que isso, vejo dor. Uma vida cheia de provações e tribulações. Escondendo e sendo escondido. Isolamento e escuridão. Com um desespero para se libertar.
— Eles nunca tocavam em mim, ou em meu irmão, porém em
— Caroline — Completo em um sussurro com a voz quebrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...