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O bebê do bilionário romance Capítulo 30

Com os lábios pressionados em uma linha dura, ele balança a cabeça.

Meu Deus!

— Ele realmente não se importava e não tínhamos ninguém a recorrer. Tive que praticamente assumir a responsabilidade de cuidar do meu irmão mais novo. Ele perdeu qualquer pudor, levava prostitutas para casa, e fazia sexo abertamente, usava drogas com regularidade mesmo que estivéssemos vendo. Depois passava dias ou meses em uma clínica de reabilitação. Ou envolvido em suas atividades obscuras. Quando tudo isso não passou a ser o suficiente, ele levou suas atividades a um outro nível quebrando totalmente os últimos resquícios de inocência e humanidade que tínhamos. Principalmente, com meu irmão. Ele se parecia cada vez mais com o meu pai.

Olho para seus olhos e vejo tristeza absoluta em seu olhar.

— Acordei em uma noite e ele não estava em seu quarto, eram duas da manhã, e houvera uma festa horas antes. Desci, afinal de contas estava preocupado com seu comportamento atual. Andei por toda casa à procura dele, quando o vi na sala de estar, acendendo uns dos charutos cubanos do meu pai. Eu tentei convencê-lo a largar e subir para o quarto antes que nosso pai nos visse. — Ele da uma risada amarga. — Obviamente ele não me ouviu, e quando menos esperávamos já estávamos gritando. Eu estava tão cansado dessa merda, eu daria qualquer coisa, qualquer coisa para que ele tivesse me escutado. Mas ele...— Ethan sorriu secamente. — Ele já agia como nosso pai. Quando consegui pegar o charuto, ouvi passos e, soube instantemente que era tarde demais. Meu pai nos confrontou.

Meu irmão, em nenhum momento, pensou em assumir que era o culpado. E meu pai não me deu tempo de explicar. — Sua mandíbula aperta ligeiramente. — Ele me forçou a esticar a mão e apagou o charuto ainda aceso nela. A primeira vez pressionou com tanta raiva e a dor foi tanta que pensei que ia desmaiar.

Lágrimas não derramadas fizeram minha garganta parecer espessa e estreita. Ele estica a sua palma da mão, ambas e vejo as cicatrizes das queimaduras em suas mãos.

— Ele acendeu o charuto diversas vezes e o apagava na palma da minha mão. Dizia que eu nunca mais deveria tocar algo que não me pertencesse. Ele fez isso tantas vezes que nem me lembro quando tive esperanças de que ele havia terminado. Porque quando eu tive, meu pai tirou o cinto e me deu uma surra, fiquei com marcas por quase duas semanas. Como eu disse, aguentei isso por anos. Eu não podia deixar meu irmão, não podia deixar Caroline. Foram três costelas quebradas, duas vezes o braço, uma vez o maxilar, e marcas roxas incontáveis. Humilhações, surras. Quando fiz quinze anos, eu tinha certeza que me pai me mataria. Foi aí eu que eu descobri que não poderia mais fazer isso, eu era a merda de um covarde. Mas eu não poderia mais ficar, por nenhum dos dois. — Sua voz sai baixa e letal.

— Eu fugi de casa e fiquei vivendo nas ruas de New York. Dormia em abrigos, comia sobras de comida. Quando fiz dezessete anos, consegui um emprego com o dono do abrigo. Como faxineiro de um abrigo de animais, juntei dinheiro o suficiente para uma nova documentação, pois não queria nada que me ligasse a minha antiga família, e um ano depois servi como Seal da marinha Americana. Alguns anos depois, deixei a marinha com honras, aprendi a fazer investimentos e transações. Especializei-me e, com vinte e três anos, minha empresa já estava como uma das mais bem sucedidas dos Estados Unidos. Comecei a intercalar minha vida como Seal e empresário, e consegui montar um império.

Ele estende a mão e aperta as têmporas.

— Por muitos anos, tive ódio e rancor do meu pai, algumas vezes até pena. Eu não estava feliz, a sede de vingança pelo que ele me fez me perseguia. Foi então que percebi, que o ódio só estava me afundando, eu não poderia voltar ao tempo e mudar nada, ele sempre seria aquele ser humano digno de pena, mas ainda era cedo para mim, e eu poderia recomeçar e ser feliz. Era isso que minha mãe desejaria para mim.

A expressão em seu rosto fica desconfortável. Como se a sua afirmação não fosse completamente verdade.

— Hoje eu vivo bem, porque o perdoei e não sinto mais nada.

— Como você aguentou, como aguentou passar por tudo isso e ainda estar aqui, diante de mim? — Sussurro enquanto as lágrimas ardem em meus olhos. — Colle, — Pego sua mão. — Você é o homem mais bondoso e corajoso que já conheci. Sinto muito que tenha passado por isso.

— Não há o que sentir. — Ele engole o caroço que se formou em sua garganta. Parecendo muito infeliz. — Eu já superei; apenas desejo que supere como eu, e que seja feliz. Nunca é tarde demais, você pode ser e fazer o que quiser, Nicole.

Por um momento me senti envergonhada, meu problema agora parecia tão pequeno perto do que Ethan já havia passado.

— Eu quero ser, quero poder e então porque sinto que não posso? — Há um tremor em minha voz, não Importa o quão forte eu tente soar.

— Talvez seja uma limitação que colocou em si mesma. — Ela se vira para olhar para mim, suas sobrancelhas levantadas em curiosidade. — Eu posso dizer e mostrar a você que você merece o mundo, mas se você mesma não acreditar que é merecedora, se você não, acreditar em si mesma, não há nada que eu ou qualquer um possa fazer.

Suas palavras pairam no ar entre nós, um lembrete sombrio de quão mal eu era comigo mesma. O quanto eu me julgava e era apática a minha pessoa. Colle estava certo, eu nunca conseguiria qualquer coisa se eu fosse incapaz de acreditar em mim mesma. E isso era uma coisa que só eu poderia fazer por mim.

— Não. Não tenho previsão. Tem acontecido coisas na empresa que preciso resolver, e pode ser ou não a longo prazo. — Para minha surpresa, uma expressão de remorso cruza seu rosto.

— Eu entendo. — Digo baixo.

— Você é uma mulher de valor — sussurrou. — Apenas não deixe que te quebrem mais, não aceite menos do que você merece — ele disse, aproximando-se. Fechei meus olhos quando sua respiração me invadiu.

— Vou sentir sua falta. — Ele beijou com carinho a minha testa.

Quando abri meus olhos, ele havia saído e me deixado sozinha.

Sentei no aparador acolchoado da janela do quarto e coloquei meus fones de ouvido, que tocavam Imagine Dragons, Radioactive, enquanto via Benjamin acomodar as malas de Ethan no carro e entrar na SUV. Em seguida, vi Ethan, tão lindo e perfeito como a primeira vez. Ele ia entrando no carro. Como se pressentisse, virou-se para minha janela e olhou. Encarei seus olhos e acenei com a mão.

Adeus, Ethan, gesticulei com a boca. Ele sorriu e acenou de volta.

— Adeus, Nicole.

Meu coração doeu com a despedida. Eu não estava preparada. Eu poderia nunca mais vê-lo, e aquilo doía muito. Mas eu finalmente me sentia liberta. Um tipo de liberdade diferente, profundo, tranquilo. Eu não precisava mais mentir ou fingir ser quem eu não era. Estava conseguindo equilibrar as coisas, e havia começado a caminhar com as minhas próprias pernas. Era como se uma parte de mim fosse arrancada, mas apenas para cultivar cada parte de mim para me tornar, finalmente, uma mulher.

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