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O bebê do bilionário romance Capítulo 53

Acordei depois de fazer amor duas vezes com Ethan naquela noite e me surpreendi por não encontrá-lo ao meu lado. Vesti a camisa social que ele usava, que em mim ficou como um vestido, enfiei meus pés na pantufa e caminhei calmamente pela casa. Fui para o quarto de Nicholas, e quando cheguei lá ele não estava na cama. Continuei a caminhar, desci as escadas, até que meus ouvidos foram surpreendidos pela música do desenho animado predileto de Nicholas. Dei a volta pela sala e os encontrei no sofá, Ethan estava sentado ao lado de Nicholas, que dormia com a cabeça no seu colo. Puxei o controle delicadamente das mãos de Ethan e desliguei a televisão. Ele se mexeu, mas não o suficiente para despertar ou acordar Nicholas. Pensei em acordá-lo, levá-lo para a cama, mas aquela visão era perfeita demais.

Depois de tantos anos, parecia que as coisas finalmente estavam entrando nos eixos. Isso me assustava, não é como se eu fosse uma pessoa cheia de sorte. Passei a mão com carinho pelo rosto de Nicholas e o ouvi dizer, ainda dormindo “Papai...Ethan. Não vá embora, por favor, fique papai”.

Aquilo foi o suficiente para quebrar o meu coração. Eu nunca pensei que Nicholas pudesse sentir tanta falta de uma figura paterna ou se apegar tanto a alguém. Teve Will, e com certeza Nicholas o amava, mas a ligação que ele tinha com Colle era algo que eu nunca havia visto antes. Ele ainda choramingava, parecia aflito. Quando Ethan foi para Nova Iorque, eu me senti angustiada, a sensação que eu tinha era que ele não voltaria, e Nicholas pode ter sentido isso. Eu deveria ter tido mais cuidado.

Afinal Nicholas cresceu sem uma figura paterna, era mais que comum que ele se apegasse a uma pessoa que o tratava como filho.

Uma profunda sensação de mau presságio apertou meu peito.

E se ele me deixasse, e se ele nos deixasse? Eu ficaria mal, doeria muito, eu pude até sentir meus olhos encherem de lágrimas, a dor como da última vez assolar a minha alma. E Nicholas? Eu poderia aguentar. E ele? Eu não suportaria ver seu pequeno coraçãozinho quebrado, ele não poderia ir! Eu não suportaria.

Minha respiração fica presa no peito enquanto as possibilidades correm em minha mente. Caminhei até a porta, com as mãos trêmulas e um pouco de dificuldade para abrir a porta. Quando finalmente encaixei a chave e saí, corri em direção ao deck, minhas lágrimas já descendo. A noite soprava ventos quentes, enquanto lágrimas silenciosas corriam pelo meu rosto.

“Eu não vou suportar”.

No deck, observei o céu negro da noite, estrelado, tão lindo e puro.

Uma única estrela cadente cortou o céu, e eu pedi em voz baixa, colocando a mão sobre o peito. “Deus, não deixe que ele me abandone, eu o amo”. A madeira do deck rangeu. Olhei para trás.

— Maria? O que faz aqui a essa hora? — perguntei com a voz rouca, secando as lágrimas.

— Estou tendo problemas de insônia há algumas semanas. — Ela se aproximou e parou ao meu lado.

Ficamos mudas.

— Ele te ama — ela começou. — Eu nunca o vi ficar ou agir da forma que ele fica quando está com você.

Tentei pará-la

— Tá tudo bem, Maria — gaguejei e apoiei minhas mãos na sua.

— Quando o conheci, ele era apenas um menino que havia acabado de chegar em Nova Iorque. Era desajeitado e desconfiado, tinha medo até de um simples oi. Eu servia em uma lanchonete; todos os dias ele ia lá para comer e pedia sempre o prato mais barato. — Ela sorriu com a lembrança. — Ele sempre me intrigou, um menino tão jovem e com um sorriso tão triste, parecia carregar o mundo nas costas. Com o tempo fui conhecendo-o mais e mais. Ele custou a se abrir, estava com muita raiva e pensava o tempo todo em vingança. Ele tinha ódio do pai, da mãe por ter partido tão cedo, da família que se repartiu. Certa vez, ele ficou uma semana sem ir lá e, na minha folga, a primeira coisa que eu fiz foi procurá-lo. Depois de muito investigar, encontrei-o na casa de um amigo.

— Estou tão assustada, Maria — confessei, virando-me para ela, que me pegou em um abraço e me abraçou como uma criança.

— Não tenha medo, criança. Realmente não há o que temer. Ele a ama.

— E se ele me deixar? E se for embora de novo? Eu não vou suportar, Nicholas não vai suportar. Eu não saberia lidar. — Solucei em seus braços. Meus ombros caem em derrota, e aperto minha mandíbula com tristeza frustrada. — Eu tive percas a vida inteira, fui abandonada por mais vezes que posso contar. Mas se Nicholas tiver que passar por isso. — eu disse, minha voz baixando uma oitava

— Ele não vai, querida, ele a ama. Ele ama vocês e nunca mais a deixará.

— E tudo tá sendo tão perfeito — falei entre soluços em seus braços. — Ele sempre foi tão bom para mim, e é tão bom para o Nicholas. Ele é educado e gentil... tem um grande coração, seu sorriso, e ele cheira tão bem... eu o admiro tanto... Eu... eu o amo — falei em voz alta.

— Eu sei, querida, eu sei.

— Eu o amei desde quando o vi pela primeira vez; eu não sabia, agora posso ver. Só não quero perdê-lo, não quero que isso acabe, eu nunca me senti tão amada e bem. Eu só quero tê-lo para sempre, não quero mais sentir medo ou insegurança.

— Não há o que temer, minha menina, desde o começo ele te amor...foi recíproco.

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