Eu chorei.
— Eu sinto muito, foi um erro ter vindo aqui. — Ela sorriu tristemente. — Eu queria ter ido atrás de você, deveria ter dito que você podia ter ficado em casa, que sentia muito por ter lhe deixado, por estar sempre te deixando...
— Por favor! Por favor! — eu a cortei bruscamente. — Não tente mais concertar os seus erros! Só vá embora!
— Você está errada!
— Novidades?! — Passei por ela abrindo a porta. — Nunca mais volte aqui.
Madeleine passou por mim e, quando estava prestes a sair, olhou-me por cima do ombro e indagou. — Você está errada. Família erra, família mente e, às vezes abandona, mas família perdoa. Família é dor, amor e sacrifício.
Ela olhou uma última vez em meus olhos e foi embora.
**
— Como você pôde? — Bati a porta do quarto do hotel, que virou um escritório improvisado de Ethan com tanta força que estremeceu as prateleiras da parede. Ele me olhou calmamente, levantou da cadeira e sentou na beirada da mesa.
— Como você pôde? — gritei mais alto que da primeira vez.
— Você precisa falar baixo, Nicholas acabou de dormir. — Ele ainda está com aquele maldito copo, mas duvido muito agora que seja água. Ele toca a borda do copo com a ponta dos dedos, traçando uma volta e outra, antes de pegar a haste entre os dedos e lentamente levantar a bebida para os lábios.
— Ethan, o que você fez? Por que chamou Madeleine para cá?!
— Nicole, ela é sua mãe. — Ele ergue os olhos do copo para mim. Com uma calma enervante.
— E daí, Ethan? Por causa dela eu tive uma infância infeliz, uma adolescência sozinha, eu quase abortei Nicholas, e você acha que simplesmente devo esquecer e ficaremos todos bem?
— Exatamente! — Ethan falou da ombros. Ele fazia eu parecer uma merda de criança birrenta.
— Exatamente? Eu não estou entendendo, Colle. Você, mais do que ninguém, deveria me entender. Seu pai também te odiava, você também viveu uma infância infeliz... como você se sentiria se eu invadisse a sua privacidade, se achasse que você devia de qualquer forma se reconciliar com o seu pai?
Com os lábios pressionados em uma linha dura, ele balança a cabeça.
— Não, Não, Nicole. — Ele deixa o copo ao seu lado na mesa e cruza os braços musculosos sobre o peito. — Cristo, você precisa ser tão difícil? Sim, ela errou com você, mas ela te ama, e essa é a grande diferença entre a nossa situação. Eu, mesmo passando por tudo aquilo, perdoei meu pai. Ainda assim, vim para cá para o seu enterro, para ficar em paz. Meu pai não me amava, Nicole. A sua mãe te ama.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...