POV/ ADRIAN
Ao me deitar de volta, vi Clara puxar o lençol até o nariz, as bochechas coradas por uma timidez que me deu vontade de guardá-la em uma redoma de vidro.
— Foi... foi bom? — ela perguntou, a voz saiu baixinha e insegura.
Eu soltei uma risada baixa, uma risada de felicidade, algo raro na minha vida. Aproximei-me, puxando-a para o meu peito.
— Clara, foi maravilhoso. E, se você me permitir, eu pretendo fazer isso mais umas oito vezes antes do sol nascer amanhã.
Vi o susto nos olhos dela, seguido de um sorriso contido. Levantei-me por um instante para pegar uma toalha eu a humedeci. Meu maior medo era machucá-la; afinal, eu sabia que meu tamanho não era fácil para uma primeira vez. Limpei-a com uma devoção quase religiosa, cuidando de cada vestígio de sangue da sua virgindade com movimentos suaves e precisos.
Deitei-me ao seu lado, puxando-a para o encaixe do meu braço. Beijei o topo da sua cabeça, aspirando o perfume dos seus cabelos vermelhos que agora estavam espalhados pelo travesseiro.
— Eu quero mais — ela confessou contra o meu peito, a mão traçando círculos lentos nos meus pelos.
— Eu também quero, meu amor. Mas vou esperar você descansar um pouco. Preciso ter certeza de que você está bem.
— Pensei que Adrian Cavallieri não fosse muito paciente... — ela brincou, subindo o olhar para o meu.
— Não sou. Mas é porque eu te amo.
— Você pode falar de novo? — ela pediu. Senti minha garganta fechar com a intensidade daquele pedido.
— Eu te amo, Clara Menezes. Mais do que eu achava que era capaz de amar qualquer ser humano.
— Desde quando? — ela perguntou, curiosa, alinhando o corpo ao meu. Senti seus seios, ainda rígidos pelo desejo, pressionarem minhas costelas, o que quase me fez perder o foco de novo.
— Acho que desde aquele primeiro dia dentro da piscina — confessei honestamente. — Mas comecei a perceber de verdade na viagem do Rio. E quando aquele lixo do seu pai te levou... eu senti que morreria se você não voltasse. Foi ali que eu entendi que você não era só um lance ou uma queda. Tive a certeza de que eu te amo. Até mais do que eu me amo.
Ela riu suavemente e beijou a minha bochecha.
— Clara, olhe para mim — levantei o queixo dela com delicadeza. — Você nunca foi estragada. Você foi vítima de monstros, mas sua alma continua intacta. E eu vou provar isso para você todos os dias. Vamos fazer isso tantas vezes, em todos os lugares e posições, que essas memórias ruins vão ser soterradas por lembranças nossas. Você não é um objeto usado; você é a mulher que me salvou de mim mesmo. Sabe de uma coisa? Agora eu te amo mil vezes mais do que há duas horas. Meu amor por você é como juros compostos: só multiplica.
— Então quer dizer que no ano que vem você vai me amar mais de mil milhões? — Ela riu, tentando acompanhar meu raciocínio matemático-romântico.
— Não seja modesta, bobinha — acariciei o contorno do seu rosto, sentindo a pele macia. — Eu já te amo um trilhão de vezes mais que isso hoje. Amanhã, a conta nem vai mais caber na calculadora.
Ela riu e se fundiu ao meu peito. Eu daria tudo para ouvir um "eu te amo" de volta, mas sabia que ela já me amava, mesmo sem pronunciar. O problema era a dúvida que me corroía: de qual versão ela gostava mais? Do Adrian, o homem que a limpava com devoção, ou do Imperador, o homem que a dominava nas sombras? No fim, somos o mesmo, mas o abismo entre nós ainda era o silêncio.
Eu era o homem mais rico do mundo ali, deitado sobre lençóis de hotel em Goiânia, e meu tesouro não era o que estava investido em ações, mas a mulher em meus braços.
No entanto, a sombra do Imperador permanecia ali, sentada no canto do quarto, observando-nos com desdém. Como ela reagiria ao descobrir que o homem que a beijava com tanta ternura era o mesmo que comandava o Ambrosia Club? Será que o amor sobreviveria à verdade, ou eu seria condenado pelo trono que eu mesmo construí
POV/ ADRIAN

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido