POV/ CLARA
No dia 18, decidi que a "Clara mãe exausta" precisava dar espaço para a "Clara mulher". Fui ao salão e passei horas naquela cadeira. Pedi para tirarem as mechas vermelhas e descolorirem tudo. Quando me olhei no espelho, o loiro iluminava meu rosto de uma forma que eu não via há muito tempo. Meu cabelo estava enorme, batendo na cintura, uma cascata dourada que me devolvia uma confiança que eu achei que tinha ficado na sala de parto.
Em casa, aproveitei que as bebês dormiam e as gêmeas estavam com a babá para fazer uma massagem drenante. Eu me olhava no espelho e via as marcas da gestação; sentia meus seios mais pesados, minha barriga não era mais a mesma. Eu me sentia flácida, gorda aos meus próprios olhos, mas quando vesti a lingerie rendada vermelha que comprei — a cor que eu sabia que desarmava o Adrian — tentei focar no brilho dos meus novos cabelos.
Desci até o porão que tínhamos reformar dentro do nosso próprio quarto. Era o nosso santuário particular, cheio de equipamentos e luxos que mal tínhamos estreado por causa da gravidez de risco e do pós-parto. Organizei as velas, ajeitei os lençóis de seda e esperei.
Quando Adrian chegou, eu estava de costas, olhando para a parede de espelhos. Ouvi o passo firme dele parando na porta.
— Clara? — a voz dele falhou levemente.
Virei-me e o impacto nos olhos dele foi imediato. Ele caminhou até mim como um predador que finalmente reencontra sua caça favorita. Suas mãos grandes seguraram meu rosto, os polegares acariciando minhas bochechas com uma urgência contida.
— Que cabelo é esse? — ele sussurrou, maravilhado. — Você... você está a mulher mais linda do mundo.
— Mesmo com esses peitos moles, Adrian? Com essas pernas desse jeito? — perguntei, a insegurança transparecendo na voz.
Ele colou a testa na minha, o olhar queimando de uma adoração possessiva e sombria.
— Você é perfeita. Eu amo você por ser quem você é, a minha Clara. Para sempre. Cada marca no seu corpo me lembra que você me deu uma família. Você é o meu vício, não importa a embalagem.
Ele ficou ali, parado no meio do nosso porão particular, apontando para o teto.
— Vamos recalcular essa brincadeira: três meses de repouso na gravidez, sete meses de bebês... promessa de duas vezes por dia, menos as seis que transamos... Você está me devendo 594 rodadas, dona Cavallieri! E eu vou cobrar cada uma com juros moratórios!
Eu soltei uma gargalhada enquanto subia os degraus correndo, pegando a camiseta dele do chão e jogando de volta no rosto dele.
— Amanhã a Isadora chega de Paris e dia 21 vai ficar com as quatro crianças! Você vai ter sua chance de cobrar a conta inteira!
Subi as escadas ouvindo o resmungo dele lá embaixo, meu coração batendo forte. A "dívida" era imensa, mas o brilho nos olhos do meu Imperador me dizia que ele estava mais do que disposto a passar noites em claro para receber cada centavo desse prazer.

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