POV/ CLARA
Saboreamos o bolo ali mesmo, entre lençóis e orquídeas. Quando terminamos, ele se levantou e foi até o armário do quarto do clube, trazendo um pacote elegante.
— Como eu destruí o que você estava usando ontem, trouxe isso — ele disse e estendeu o vestido.
Era um modelo de seda esmeralda, fluido, exatamente do tipo que eu gostava. Ao tatear o tecido, percebi que não havia mais nada no pacote.
— Adrian... cadê a calcinha? — perguntei, arqueando a sobrancelha.
— Você não vai precisar dela. Quero saber que, por baixo desse tecido caro, você continua exatamente como eu te deixei: disponível para mim — ele disse, com um olhar de soslaio enquanto abotoava o próprio terno.
Fomos embora de carro. O trajeto foi silencioso e confortável, com minha mão descansando sobre a coxa dele. Chegamos na mansão exatamente no momento em que a van da escola estava encostando e os seguranças organizavam a saída das meninas.
— Eu vou levá-las até a escola com o motorista, eu já volto.
— Vá lá. Eu preciso atender um telefonema importante de Londres, encontro você lá dentro em instantes — Adrian respondeu, já pegando o celular com uma expressão profissional e fria.
As meninas, ao me verem, correram em minha direção com gritos de alegria.
— PARABÉNS, CLARA! — Geovana gritou, me abraçando com força, seguida pela pequena.
— Olha, nós compramos para você! — a menor disse, me estendendo uma caixinha.
Dentro, havia uma pulseira delicada e um colar combinando, cheios de pingentes coloridos.
— Nós que escolhemos, a tia Isadora ajudou! Você gostou? — Geovana perguntou, ansiosa.
Senti meus olhos marejarem. Aquilo valia mais do que qualquer joia de brilhantes que o Adrian pudesse comprar.
— Eu amei, minhas princesas. É o presente mais lindo do mundo — respondi, dando um beijo estalado em cada uma delas e vendo-as subir na van com sorrisos radiantes.
Acenei até que o veículo sumisse de vista. Respirei fundo, sentindo o sol da manhã de Porto Alegre, e comecei a caminhar de volta para a entrada da casa. Foi então que o cheiro me atingiu. Um odor acre de tecido queimado, subindo em uma coluna de fumaça cinzenta vinda do jardim dos fundos.
O que ele está aprontando agora?
Apertei o passo, contornando a mansão. Meu coração disparou de um jeito ruim. Quando cheguei ao pátio, estanquei. Adrian estava lá, parado diante de um grande tambor de metal. As chamas dançavam, alimentadas por cores e texturas que eu reconheceria em qualquer lugar.
— Adrian?! O que você está fazendo? — gritei, vendo-o segurar um dos meus cardigãs de lã e jogá-lo no fogo sem hesitar.
— Oie — ele me cumprimentou, ignorando meu surto.
— Adrian, você ficou louco? Essas são as minhas roupas! — completei, tentando me aproximar do tambor.
Ele nem se deu ao trabalho de desviar os olhos das chamas.
— Eram roupas que não condiziam com quem você é agora, Clara — ele respondeu com a voz calma demais.
— Cortes que não escondiam o que me pertence. Eu decidi que era hora de uma limpeza — ele sentenciou.
— Você não tem o direito! — avancei, mas ele segurou meu braço com firmeza.
Ele me puxou para o seu peito com aquela possessividade que sempre me calava.
— Você sabe que sim, mas suba para o quarto, seu novo presente está lá.

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