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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 75

POV — Clara

Dois meses se passaram desde a nossa viagem ao Rio.

Às vezes, quando fecho os olhos, ainda sinto o calor abafado daquelas tardes, o gosto salgado do vento batendo no rosto e aquele medo gelado que teimava em ficar grudado na minha pele como uma segunda camada. Mas, ao mesmo tempo, parece que tudo aquilo aconteceu em outra encarnação. Março e abril passaram por mim com uma pressa cruel, me atropelando entre provas da faculdade, turnos dobrados e horas extras que pareciam não ter fim.

A programação do meu intercâmbio, que antes parecia um sonho impossível e distante, finalmente ganhou fôlego. Do nada, surgiu um patrocinador — um desses "milagres" corporativos onde alguém decide direcionar o imposto de renda para instituições de ensino. Não entendo nada de burocracia ou finanças, mas a gratidão que sinto transborda. Pela primeira vez em anos, consegui respirar. Com as mensalidades de dois semestres inteiros pagas, finalmente sobraria dinheiro para eu comprar as roupas de frio que o clima lá fora exigiria. Deus realmente tem sido bom para mim; o caos financeiro deu lugar a uma calmaria que eu mal sabia como administrar. Tudo parecia, enfim, tranquilo.

Pelo menos, por fora.

Na mansão, a rotina das meninas era um furacão de atividades: trabalhos escolares, natação, balé. E havia o Adrian. Ele voltou a viajar com frequência, e confesso que cada vez que nossos olhares se cruzavam no corredor, meu estômago dava voltas. Era um frio na barriga que eu não conseguia controlar. No fundo, eu agradecia por não ter que encará-lo todos os dias; amá-lo em silêncio e conviver com ele sob o mesmo teto era uma tortura lenta para o meu coração.

Mas, falando em tortura... houve o Imperador.

Nesses dois meses, experimentei coisas sensacionais e perigosas sob o comando dele. Tivemos apenas quatro encontros, já que a agenda dele era impenetrável e a minha rotina quinzenal no clube estava cada vez mais complicada. Mas esses quatro encontros foram o suficiente para me redefinir. No clube, entre gorjetas e olhares luxuriosos, eu me tornava outra pessoa.

O Imperador era intensidade pura, um elemento da natureza que não pedia permissão. Ele não explicava, não pedia desculpas e nunca deixava espaço para a dúvida. Com ele, o meu cérebro simplesmente desligava; eu não pensava, eu apenas sentia. Sentia demais. Experimentei sensações que nunca imaginei que meu corpo fosse capaz de suportar, muito menos de desejar com tanta fome. Aprendi a gozar com o toque dele, a me perder no meio do excesso e a aceitar que o meu corpo podia ser um lugar de prazer absoluto, e não apenas uma ferramenta de sobrevivência.

Com o Imperador, eu era puro impulso. Instinto. Entrega. Com Adrian, eu era respiração. Paz. Cuidado.

Eu estava exausta. Meus dedos viviam doloridos de tanto cortar papel, colar detalhes e montar lembrancinhas à mão. As pontas estavam sensíveis, quase dormentes, como se até meu corpo estivesse pedindo uma pausa. À noite, eu caía na cama com a sensação de que não tinha vivido o dia, apenas executado tarefas.

E, ainda assim, havia algo bonito naquele caos.

Adrian, quando estava presente, me observava em silêncio quando eu reclamava, ria quando eu surtava por causa de uma fita que não combinava com o tom do amarelo e trazia café sem que eu precisasse pedir. Ele me fazia sentir que eu não estava sozinha naquela loucura. O Imperador nunca me perguntaria se eu precisava de ajuda; Adrian perguntava o tempo todo, mesmo quando eu dizia que não.

O problema é que esse aniversário de "Princesas" tinha virado o meu terceiro emprego. Eu passava as noites colando pérola por pérola nos enfeites, tentando economizar onde dava, enquanto o Adrian... bem, o Adrian parecia viver em outro planeta financeiro. Olhar para o orçamento que ele aprovou para a decoração me dava tontura. Era um valor obsceno para encher uma sala de balões e flores que durariam apenas algumas horas.

Eu ficava ali, com os dedos colados de silicone e os olhos ardendo, pensando: para que tanto luxo? Milhares de reais investidos em um cenário que, na manhã seguinte, seria reduzido a sacos de lixo e restos de bolo. Definitivamente, rico tem um talento especial para queimar dinheiro com estilo, enquanto eu me mato para fazer um castelo de papelão parecer digno de realeza. Mas quem sou eu para reclamar, né? Pelo menos o meu intercâmbio caiu do céu e se o preço para estudar fora é aguentar esse desperdício de mimos e toneladas de glitter, eu aceito e sigo colando!

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