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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 77

POV/ CLARA

O final de semana foi um daqueles raros momentos em que a vida parecia um comercial de margarina. Entre baldes de pipoca, filmes infantis e a tarde na piscina, eu quase me esqueci de quem eu era fora daquela mansão. O Adrian estava tão presente, tão "pai", que meu coração chegava a doer. No domingo à noite, estávamos todos amontoados no sofá; o calor dos corpos das meninas e a presença sólida do Adrian ao meu lado me fizeram sentir, por um segundo, que eu pertencia àquele lugar.

Mas a realidade é uma desilusão.

Na segunda de manhã, Adrian saiu cedo para resolver uma emergência na empresa. O vazio que ele deixou na casa pareceu antecipar o que estava por vir. Adelaide chegou com o rosto cansado; a mãe dela, uma senhora de 83 anos com Alzheimer, seguia internada após uma cirurgia de vesícula. O mundo real estava batendo à porta.

Eu ainda estava dolorida do ensaio de balé, mas a rotina não espera. Victor tinha ido para Goiânia, então um novo motorista me levaria para a faculdade. No momento em que coloquei os pés para fora da mansão, o ar mudou. Sabe quando você sente que o espaço atrás de você está ocupado?

Enquanto eu caminhava até o carro, vi um vulto atrás de um poste. Rápido demais para identificar, mas presente o suficiente para fazer os pelos do meu braço se arrepiarem. Entrei no carro e fechei a porta com pressa. Durante todo o trajeto, a sensação não me abandonou. Pelo vidro traseiro, eu via um táxi que parecia manter sempre a distância. Se o motorista acelerava, ele acelerava. Se diminuía, ele também o fazia. Era como um olhar que queimava. Uma pressão na nuca que me dizia que eu estava sendo caçada.

— Está tudo bem, senhorita Clara? — o motorista perguntou, notando meu nervosismo.

— Sim... tudo bem — menti, apertando a alça da mochila até meus dedos ficarem brancos.

Ele me deixou na esquina da faculdade. Desci com as pernas trêmulas. Antes de seguir, comecei a caminhar devagar, fingindo olhar os reflexos nas vitrines. Parei e olhei o reflexo no vidro de um carro. Foi então que o chão sumiu sob meus pés.

Do outro lado da rua, entre dois veículos estacionados, ele estava lá. Parado. Imóvel como uma estátua de mau agouro. Um homem alto, de ombros largos e cabelos grisalhos. Ele usava uma camiseta preta com uma caveira desbotada — uma tentativa patética de parecer jovem que só denunciava o peso do tempo e da maldade.

O reconhecimento foi um soco no estômago. Meu corpo reagiu antes da minha mente processar a dor. Dei um passo para trás, em choque, e meu calcanhar bateu com força em algo metálico. Um carrinho de uma vendedora de revistas que estava na porta da faculdade tombou com um estrondo ensurdecedor. Livros e jornais voaram pelo chão enquanto eu caía de lado, sentindo o asfalto rasgar a pele da minha perna. A ardência foi imediata, mas eu não ligava.

Levantei o rosto rápido, procurando por ele, mas o espaço entre os carros estava vazio. O homem tinha sumido como fumaça.

— Moça! Você está bem? — o porteiro da faculdade correu para me ajudar.

Eu mal conseguia ouvir. Meu coração estava disparado demais para ser coincidência. Fui levada para a enfermaria, limparam o corte na minha perna, mas o curativo não servia para a ferida que tinha acabado de abrir na minha alma. Tentei ter aula normal, mas só via aquele cabelo grisalho... a fisionomia de um passado cruel que eu passei anos tentando enterrar. Será que ele tinha me achado? O monstro que eu mais temia tinha finalmente descoberto onde eu me escondia? Ou era só cansaço?

No dia seguinte, durante a pausa do ensaio. Adrian notou o curativo na minha perna assim que me viu.

— O que foi isso? — ele perguntou, estreitando os olhos.

— Nada — respondi rápido. — Fui desastrada como sempre, só isso.

— Pensei que você tinha se machucado de propósito só para não dançar comigo — ele brincou, soltando uma gargalhada rara.

Apenas sorri. Ele não insistiu, mas senti seus olhos demorarem em mim mais do que o normal. Os dias seguiram naquele ritmo frenético. Dança. Preparativos. Risadas forçadas. E aquela sensação insistente de estar sendo observada.

Sexta-feira, dia 01 de maio. Feriado do trabalho. Na saída da casa, ao entrar no carro para buscarmos os vestidos no shopping, o calafrio voltou.

— Clara — Adrian chamou. — Você está bem?

— Tô.

Fomos direto para a Flowers. Vinte e cinco mil reais por um vestido alugado por três dias. O shopping foi leve, de um jeito que me assustava. Risos fáceis, sacolas demais. Escolhemos vestidos iguais para elas não brigarem. Eu usaria um amarelo com pérolas. Minha "Fera" usaria um terno azul. Ele tinha ficado um gato.

Fomos ao Bobby's, tomamos sorvete e, por volta das 17h, decidimos ir embora. Faltava apenas a prova do bolo e dos doces na semana seguinte. Estávamos perto da saída quando o celular vibrou. Número desconhecido. Ignorei. O aparelho vibrou de novo e de novo.

— Atende, Clara — Adrian disse, distraído.

Levei o telefone ao ouvido. Minha voz saiu num fio:

CAP. 77 - Tem alguém atras de mim. 1

CAP. 77 - Tem alguém atras de mim. 2

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