Capítulo 1
Sofia Kim
Eu tinha acabado de vender minha alma perante Deus, a máfia e um altar cheio de flores brancas.
Agora, horas depois, eu estava sentada em um avião comercial... porque o jato particular de Richard havia tido um “problema técnico” de última hora.
Ajeitei o vestido de noiva que ainda vestia — um modelo longo, elegante e justo demais para a classe econômica, e cruzei as pernas, olhando pela janela enquanto deixava parte do meu império pra trás.
Pelo reflexo do vidro, percebi os olhos de Richard parados na fenda do vestido. Um sorriso escapou antes que eu pudesse conter.
— Gostou? — perguntei, sem desviar o olhar da janela.
— Não. — Franzi a testa e finalmente olhei para ele. — Esse vestido chama atenção demais.
Ignorei. Não vou mudar por causa dele.
Quando o avião tocou o solo na Flórida, um sorriso surgiu no meu rosto. Finalmente veria a filial americana da Kim Enterprises trabalhando. Passei anos administrando aquela empresa à distância e meses preparando aquela equipe. Agora pisaria ali como presidente.
Mas de repente... levantei imediatamente. Meus cinco soldados de elite, homens que me acompanhavam há anos, estavam sendo barrados pela imigração.
— O que está acontecendo com os meus homens?
Só vi os soldados do Richard andando tranquilamente enquanto os meus eram questionados.
Richard se levantou, abotoando o paletó.
— Vamos, Sofia. — Ele apenas me olhou de lado. Seus olhos escuros eram como duas lâminas bonitas, mas perigosos. — Burocracia americana. Meus advogados vão resolver. Você vem comigo.
Parei no corredor.
— Não. Eu vou resolver isso agora.
Dei meia-volta, mas a mão de Richard fechou em meu pulso.
— Solta.
— Eu disse que vou resolver. Não me envergonhe no primeiro dia de casamento, Sofia. Você agora é uma Brown.
Arranquei o braço de sua mão.
— Eu continuo sendo uma Kim.
Ele inclinou a cabeça até nossos rostos ficarem a centímetros um do outro, analisando-me como se aquela ameaça tivesse acabado de entretê-lo.
— Eu gosto quando lembra quem é. — Estreitei os olhos e o empurrei.
— Então lembre também.
Ele era diferente do garoto que eu conheci na infância, muito diferente. O Richard de agora era mais frio, calculista, um homem que eu não conhecia, e meus soldados estavam esperando que eu fizesse algo.
Não esperei resposta. Corri pela pista em direção aos meus homens.
— Afastem-se deles! Vocês não têm ordem para detê-los!
Richard apareceu logo atrás, segurando minha cintura antes que eu avançasse mais.
— Prefeito, peço desculpas pelo transtorno. São apenas os seguranças da minha esposa. Houve um mal-entendido.
Virei a cabeça para ele.
— Prefeito?
Richard sequer me olhou.
— Se puder liberá-los em nome da nossa parceria, eu agradeço.
O prefeito fez um sinal para os policiais. Em segundos, meus homens estavam livres. Talvez eu tivesse julgado Richard cedo demais.
Olhei para frente... uma verdadeira frota de carros nos esperava. SUVs blindados, seguranças armados, tudo impecável. O império Brown era visível. Eu nunca tinha visto tanto poder concentrado em um só lugar fora da Rússia. Até o prefeito o ouviu.
Mas quando meus homens foram liberados, eles não vieram até mim, foram direcionados para outros carros, longe do veículo principal.
Entrei num carro ao lado de Richard.
— Porque meus soldados não estão nos escoltando?
Assim que a porta blindada fechou, percebi que tinha me enganado. A pequena esperança que eu alimentara naquele acordo morreu antes mesmo de nascer.
Richard não era mais o homem calmo de segundos atrás. Ele virou o corpo com violência, agarrou o meu, e me empurrou contra o banco de couro. Em um segundo estava em cima de mim, o peso do corpo prendendo o meu contra o assento.
— Você ousou me desrespeitar na frente dos meus homens? — rosnou, o rosto a centímetros do meu. Os olhos escuros estavam quase negros de raiva. — Na frente do prefeito?
Eu empurrei o peito dele com força, o afastando. O vestido de noiva subiu pelas minhas coxas com o atrito. Ele olhou descaradamente, agora.
— O que estamos fazendo aqui? — perguntei, tentando manter a voz firme, embora meu estômago estivesse revirando.
— Viemos trabalhar — Richard respondeu com simplicidade, abrindo a porta do carro e saindo.
Um dos seguranças dele abriu a minha porta.
Richard estendeu a mão para mim, simulando o cavalheirismo de um recém-casado para as câmeras de segurança do local. Eu ignorei a mão dele, juntei a saia do meu vestido de noiva e saí do carro de cabeça erguida, mesmo descalça. Eu ainda era a chefe ali. Os funcionários daquele prédio respondiam a mim.
Richard caminhou ao meu lado até o elevador privativo que levava direto para a cobertura. O silêncio dele era pior do que qualquer ameaça.
Quando as portas do elevador abriram no andar da presidência, eu esperei ver minha secretária executiva. Em vez disso, a mesa da recepção estava vazia. Todo o andar parecia silencioso demais.
Ele entrou na minha sala e sentou-se na minha cadeira de couro presidencial, apoiou os cotovelos na mesa, cruzando os dedos, olhando para mim como um rei olhando para uma súdita.
Em cima da mesa, havia uma sacola de papel pardo e uma pasta preta de documentos.
— Sente-se, Sofia — ele ordenou, apontando para a cadeira desconfortável de visitas do outro lado da mesa.
— Essa sala é minha. Essa empresa é minha — sibilei, aproximando-me da mesa. — Saia da minha cadeira antes que eu...
— Não é mais sua — ele interrompeu, a voz calma e fria como o gelo da Sibéria. Ele abriu a pasta preta e girou um documento na minha direção. — Seu pai confia cegamente em mim. Tanto que assinou o contrato de casamento de olhos fechados. E você... leu as cláusulas de fidelidade, mas não leu as letras miúdas sobre a fusão de bens.
Meus olhos correram pelas primeiras linhas.
Não...
Voltei para o início, li outra vez, mas o ar começou a faltar, porque tinha minha assinatura e a do meu pai. O selo da família Kim.
Não...
Continuei lendo até que as letras começaram a embaralhar diante dos meus olhos.
Richard Brown era agora o administrador universal de todas as minhas contas bancárias, ações, imóveis e empresas. Eu não tinha mais um centavo no meu nome. Legalmente, dependia dele para tudo.
Richard fechou a pasta.
— Você pertence a mim, Sofia.
Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse encerrando uma negociação qualquer.
— Diga sim ao seu novo chefe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso