Não sei se Alexander já havia notado os sentimentos de Pedro por Lily ou se ele simplesmente ignorava por completo. Meu marido, como sempre, era uma incógnita. Brilhante quando o assunto era negócios — capaz de decifrar cada intenção oculta de seus concorrentes como se lesse um livro aberto —, mas parecia absolutamente cego quando o tema era algo mais puro, óbvio e incrivelmente humano como o amor.
Esse pensamento me ocorreu durante o café da manhã. A atmosfera na mesa estava tão carregada que eu poderia cortá-la com uma faca, e, ainda assim, Alexander, frio e inabalável, tomava seu café tranquilamente, discutindo negócios com Pedro como se o mundo ao nosso redor não estivesse desmoronando em tensão silenciosa.
De um lado, Pedro olhava para Lily como um adolescente apaixonado que tenta disfarçar. Do outro, Lily, em uma tentativa igualmente desastrosa de esconder seus sentimentos, olhava para Pedro com a intensidade de quem quer, ao mesmo tempo, fugir e se aproximar. E, no meio de tudo isso, lá estava a minha adorável avó, enchendo meu prato com porções generosas que, segundo ela, resolveriam milagrosamente meus problemas de fertilidade. Eu, como sempre, transferia tudo discretamente para o prato de Alexander, mantendo nossa rotina de conspiração alimentar.
Foi então que Alexander decidiu jogar uma bomba na mesa, do nada:
— Teremos um convidado no almoço hoje.
Quase engasguei com o suco.
— Quem? — perguntei, sem rodeios.
Alexander apenas sorriu, aquele sorriso irritantemente misterioso, antes de responder:
— Você o conhecerá mais tarde.
Ah, claro, Alexander e seus enigmas. Eu sabia que o pressionar não levaria a nada, mas minha curiosidade estava prestes a explodir. Minha avó, por outro lado, parecia pronta para usar telepatia para extrair a resposta. Ainda assim, segui firme na minha decisão de não implorar por informações. Apenas presumi que se tratava de um parceiro de negócios importante. Afinal, depois de minha “apresentação oficial à sociedade”, talvez fosse natural que Alexander quisesse que eu conhecesse alguém significativo.
Depois do café, Lily me acompanhou até o quarto para me ajudar a escolher um vestido apropriado e aplicar maquiagem, algo que ela fazia com uma destreza invejável. Nossa relação, que antes parecia mais um campo de batalha do que qualquer outra coisa, havia se suavizado após o acidente com Pedro. Talvez a ausência de minha sogra, sua grande incentivadora, tivesse finalmente permitido que Lily enxergasse que eu não era tão terrível quanto ela imaginava.
Quando Lily terminou de me “embelezar”, fomos para o quarto dela, onde, sem surpresa, ela gastou o dobro do tempo para se arrumar. Lily, com sua beleza avassaladora e agora um corte de cabelo moderno, havia se transformado em uma femme fatale. Ao lado dela, eu parecia… bem, apenas Charlotte. Não vou mentir. Não estava deslumbrante, mas não precisava estar. Afinal, quem pode competir com a perfeição genético-estética de uma Speredo?
Sentindo-me desnecessária em seu quarto, decidi ir até a cozinha verificar os preparativos para o almoço. Mas, no caminho, algo chamou minha atenção: Alexander estava entrando pela porta principal acompanhado por um homem alto e bem vestido. O desconhecido, ou quase isso, tinha uma postura tão familiar que fez meu estômago dar um nó de antecipação.
Quanto mais me aproximava, mais claro ficava. E quando finalmente reconheci o rosto dele, minhas palavras saíram antes mesmo de eu pensar:
— Nadir?! O que está fazendo aqui?
Sim, o “convidado misterioso” era ninguém menos que Nadir Dubois, advogado e sobrinho da minha mãe.
O que realmente me deixou perplexa foi o fato de Alexander estar ao lado dele, sorrindo. Sim, meu marido, que geralmente trata os humanos com a mesma emoção que um robô programado para negociações, estava sorrindo para Nadir. Isso era estranho por dois motivos: primeiro, Alexander odiava Nadir com todas as forças, principalmente depois que ele teve a audácia de sugerir que meus sogros estavam envolvidos na morte do meu pai. Segundo, porque Nadir também não era exatamente um admirador de Alexander, tendo chamado meu marido de “um estranho” e questionado nosso casamento em termos que deixariam qualquer um furioso.
E agora eles estavam ali, trocando palavras e sorrisos como velhos amigos. Senti meu cérebro travar enquanto tentava entender o que estava acontecendo.
— Olá, Charlotte. Faz tempo que não nos vemos. Como você está? — Nadir me cumprimentou com aquele tom educado, mas carregado de uma familiaridade que sempre me incomodou.
Eu pisquei algumas vezes antes de disparar a pergunta mais lógica que poderia fazer:
— Por que vocês dois estão juntos?

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