Uma vez, eu estava sentada no hotel mais badalado das redes Speredo, o tal Hotel Central, por pura obrigação. Ah, como eu adorava ser a mensageira de luxo da minha querida sogra, levando papéis inúteis de um lado para o outro, só para não esquecer que eu, oficialmente, não existia na vida deles. Eu e meu figurino “mendiga chique”, como ela mesma adorava chamar, perambulávamos pelos corredores tentando achar Alexander, que, como sempre, não atendia minhas ligações. Prioridades, não é mesmo?
Foi quando esbarrei nele. Um homem tão deslumbrante que, por um segundo, me perguntei se era real. Ele tinha aquele ar de modelo de revista, o tipo que fazia qualquer pessoa comum — no caso, eu — parecer invisível. Mas o sorriso… ah, o sorriso. Ele sorriu para mim, e eu fiquei ali, parada como uma adolescente boba, fascinada pela perfeição dele. Claro, não me pergunte como, mas acabei sentada com ele em uma mesa no bar. Não me orgulho disso, mas estava hipnotizada. Ele parecia ainda mais bonito que o Alexander — e, acredite, dizer isso já é algo.
Não que eu estivesse flertando, pelo amor de Deus. Eu sabia muito bem quem eu era. E essa insegurança toda sobre a minha aparência? Velha conhecida. Sempre me vi como uma pintura inacabada em meio a quadros renascentistas. Mas, naquele momento, admirar alguém tão bonito parecia… terapêutico. Talvez era só meu cérebro tentando escapar, por uns minutos, da minha vida cercada de pessoas feias — não tanto na aparência.
E foi assim que fui parar nas capas das revistas de fofoca, lado a lado com o homem que todo mundo julgava ser meu amante. Não demorou para a mãe do Alexander insinuar que eu estava traindo seu “precioso” filho, e não seria a primeira vez que aquela megera tentaria me difamar. Para piorar, Alexander ficou furioso, claro. Não por ciúmes, mas por puro orgulho ferido. Ele não podia tocar naquele homem ou acabar com sua reputação, e isso o deixava transtornado. Eu? Eu só queria que aquele furacão passasse logo.
Agora, de pé na minha sala, ele tinha a audácia de dizer que me perdoou. Perdoou? Eu sentia meu corpo inteiro endurecer, como se a raiva pulsasse nas veias. Meu rosto ardia, meu peito era só dor.
Comecei a respirar rápida e profundamente. Embora quisesse controlar minhas emoções, não consegui e joguei a faca em sua direção com tanta força que, por um golpe do destino, a lâmina ricocheteou no chão.
— Toda vez que olho pra você, lembro do que aconteceu — continuei, com o peito subindo e descendo, tentando controlar a respiração. — Eu já te odiava antes, mas agora… agora, eu mal consigo te suportar. Às vezes, acho que teria sido melhor morrer do que passar por isso.
Ele ergueu a cabeça lentamente, o olhar cortante como lâminas de gelo. A frieza da sua voz me atingiu como uma corrente de ar gelado.
— Você ultrapassou os limites, Charlotte.
A ameaça estava ali, latente, na forma como ele falava, e meu corpo inteiro reagiu, congelando. Por um segundo, senti o estômago afundar.
Ele começou a andar na minha direção. Lento, como um predador que sabe que sua presa já está acuada. Meu corpo reagiu instantaneamente, cada músculo tensionado, como se esperasse o golpe a qualquer momento. Ele ia me bater? Alexander nunca tinha chegado a tanto, mas, Deus, ele era muito maior que eu. Um único golpe e eu poderia acabar no chão, quebrada… ou pior. Morta!
Eu podia sentir a fobia crescendo dentro de mim, um pânico visceral. A ideia de me machucar, de sentir dor, fazia meu estômago revirar ainda mais e minhas mãos começarem a tremer. Respirei fundo, tentando manter o controle, mas meu corpo já estava em estado de alerta, prestes a entrar em colapso.
E então, ele simplesmente passou por mim.
Não olhou, não hesitou, só seguiu em frente e saiu da sala, me deixando lá, atônita, encarando a porta fechada como se ela tivesse acabado de me dar um tapa na cara. Esperei a explosão, a fúria, qualquer coisa. Mas nada veio.

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