Eu não esperava nada menos do que frieza. Afinal, ele nunca foi do tipo que se preocupa, então por que agora meu estômago estava se retorcendo de culpa? Ele pegou o kit de primeiros socorros com a mesma calma meticulosa de sempre e começou a tratar o ferimento. A cada movimento, eu sentia aquela tensão pairando no ar, mas ele, como sempre, não deixava transparecer nada.
— Não — sua voz veio baixa, mas firme —, você quis me machucar, esposa. E conseguiu.
A lâmina de suas palavras cortou mais do que qualquer faca poderia. Fiquei ali, quieta, observando-o. Ele não se preocupou em dizer se o corte era profundo, nem eu perguntei. No fundo, acho que merecia o silêncio.
Quando terminou, fechou o kit, jogou o algodão manchado de sangue no lixo e saiu do quarto como se nada tivesse acontecido. Em questão de minutos, estava de volta, segurando sua bolsa e casaco, calçando os sapatos com aquela eficiência insuportável. Nem sequer olhou para mim quando saiu. E assim foi. Três anos. Três longos anos de silêncio e distância.
Pelo menos, até hoje.
Agora, ele estava ali de novo. No meu sofá. Na minha nova casa. Como se fosse a coisa mais natural do mundo me invadir sem aviso. E o mais ridículo? Ele parecia ainda mais bonito do que da última vez que o vi. Como isso era possível? Quando nos separamos, ele estava com aquela cara de quem não dormia há dias, exausto, sua saúde piorando a cada dia. E mesmo naquela época, ele era bonito. Mas agora, era a personificação da perfeição, cada detalhe em seu devido lugar.
Não que isso me afetasse, claro. Afinal, por mais que Alexander fosse absurdamente bonito, ele continuava sendo o mesmo demônio que transformou minha vida num inferno. Continuei secando o cabelo com a toalha, fingindo que ele não existia, embora soubesse que ele não tirava os olhos de mim.
Depois de um tempo, eu simplesmente cansei. Virei-me e o encarei também. E assim, começamos nossa ridícula batalha de olhares. Três anos sem nos ver, e era assim que nos reencontrávamos: em um duelo silencioso, como se estivéssemos apostando quem piscava primeiro.
— Você acha que minha secretária tem tempo para ficar ligando para o seu telefone desconectado? — ele finalmente quebrou o silêncio, a voz fria como sempre. — Ligue o telefone.
— Ah, entendi, o grande CEO está tão desocupado que veio pessoalmente até minha casa para isso? Sua empresa está falindo ou algo assim? — minha voz saiu carregada de sarcasmo.
Caminhei até a penteadeira, peguei o secador e o liguei, ignorando sua presença. O barulho alto me dava a desculpa perfeita para fingir que ele não estava ali. Só que eu não o ouvi se aproximar, e quase soltei um grito quando percebi que ele estava parado ao meu lado.
Ele sempre fazia isso. Ocupar meu espaço sem aviso, sem permissão, como se fosse seu direito de nascença. E o pior é que, por mais que eu quisesse manter minha indiferença, sempre havia algo no ar quando ele estava perto. Algo quente, algo que fazia minha pele formigar de uma maneira irritantemente familiar. Eu odiava isso.
Antes que pudesse reagir, ele simplesmente arrancou o secador das minhas mãos e, com uma calma absurda, começou a secar meu cabelo. Aquele homem… ele era imprevisível de um jeito que me deixava louca. E o mais insuportável? Parte de mim estava hipnotizada.
O vento quente passava pelos meus fios, enquanto suas mãos se moviam com a precisão de alguém que estava no controle da situação — e de mim. Tentei resistir à sensação, mas meu coração estava batendo mais rápido do que eu gostaria de admitir, intoxicada por essa proximidade.

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