Alexander sequer piscou diante do ataque verbal da mãe, e, sem um pingo de remorso, respondeu com aquela calma irritante:
— Mãe, se não tem mais nada a relatar, com licença.
E, antes que ela pudesse soltar outro discurso indignado, ele simplesmente se virou e começou a andar pelo jardim, me arrastando junto sem o menor esforço. Fui obrigada a acompanhá-lo, lançando um olhar para minha sogra, que fervia de raiva. Se eu achava que ela me odiava antes, agora tinha certeza de que já estava planejando minha execução.
Ela nem sequer tentou nos chamar para o jantar. Provavelmente para evitar o constrangimento público de ser ignorada de novo. A essa altura, Emma Speredo sabia que insistir com Alexander era tão eficaz quanto tentar ensinar boas maneiras a um gato de rua.
Enquanto caminhávamos, olhei para ele com um ceticismo crescente. A expressão serena, o andar tranquilo… quase como se nada tivesse acontecido. Típico. Mas algo não se encaixava. Nadir saindo da mansão daquela forma repentina, logo após nos encontrar no jardim, era suspeito demais para ser apenas coincidência.
— Para de me olhar assim — Alexander disse de repente, sem sequer virar o rosto.
Dei um salto, pego no flagra. Ele sempre fazia isso!
— Por quê? — retruquei, tentando soar desinteressada. — Está se sentindo seduzido?
Ele parou por um segundo, lançou-me um olhar afiado e, antes que eu pudesse reagir, seus lábios estavam nos meus. E não foi um beijo inocente. Foi profundo, exigente… daqueles que fazem suas pernas ameaçarem ceder e seu cérebro dar uma pane temporária.
Depois disso, tudo virou um borrão.
Não faço ideia de como chegamos ao nosso quarto ou de como meu vestido e o terno impecável dele foram parar no chão, amassados e irreconhecíveis. A única certeza que tenho é que, horas mais tarde, eu estava deitada ao lado dele, totalmente exausta e, com um suspiro dramático, resmunguei:
— Nunca mais vou perguntar se você foi seduzido… se for pra provar assim de novo.
Ele riu, e antes que eu pudesse fugir, me puxou de volta para seus braços, enterrando o rosto no meu pescoço.
— Senti sua falta — murmurou contra minha pele, sua respiração quente arrepiando cada centímetro do meu corpo.
E, como a tola apaixonada que sou, adormeci com um sorriso idiota no rosto.
Acordei com a realidade cruel de que meu marido, que supostamente sentia minha falta, já tinha evaporado. Conferi o celular e, claro, já passava das nove e meia.
Suspirei, aceitando meu destino. Eu havia perdido o café da manhã familiar, o que significava uma coisa: minha sogra estava me caçando.
Após um banho rápido e uma tentativa fracassada de parecer apresentável, decidi que era uma boa ideia visitar minha avó. Ela estava estranhamente calma desde meu acidente, e a culpa por não ter falado com ela pessoalmente me atingiu. Além disso, daria a ela a notícia de que Alexander e eu estávamos, digamos… mais próximos do que nunca.
Porém, quando cheguei ao quarto dela, estava vazio.
— Vovó? — chamei, mas nenhum sinal dela.
Fui até um grupo de empregados que tentavam, sem muito sucesso, mover um móvel antigo no corredor — sem dúvida por ordem da minha sogra. Me aproximei sentindo pena deles e perguntei:
— Vocês viram minha avó?
— Na sala de oração, senhora — respondeu um deles.
Sala de oração?
Vovó só ia até lá em ocasiões especiais ou quando recebia visitantes para leitura da Bíblia. Normalmente, ela preferia orar no quarto, então algo estava fora do comum.
— Ela está sozinha? — perguntei, já sentindo uma pontada de curiosidade.
— Não, senhora. O Sr. Dubois está com ela.
O quê?!
Tentei processar essa informação absurda. Nadir e vovó, juntos? Na sala de oração? Meu cérebro simplesmente se recusava a aceitar essa realidade alternativa.
Sem agradecer ao empregado, saí em disparada, determinada a descobrir o que diabos estava acontecendo.
Abri a porta devagar e me deparei com uma cena surreal: vovó, com sua postura sempre impecável, lendo a Bíblia com total serenidade, enquanto Nadir… bem, ele estava sentado à sua frente, ouvindo atentamente como se fosse o aluno mais aplicado da turma.
Minha primeira reação foi fechar a porta e fingir que nunca estive ali. Mas, sendo a pessoa terrivelmente curiosa que sou, entrei e me sentei, discretamente, observando o desenrolar daquele encontro inusitado.
Nadir logo me notou, acenou educadamente e voltou sua atenção para vovó, como se minha presença fosse irrelevante.
Minha avó, por sua vez, continuou sua leitura, sem nem me lançar um olhar. O gelo dela era palpável.
Quando finalmente terminou, Nadir fez algumas perguntas, que ela respondeu pacientemente antes de se levantar e sair da sala sem sequer me dar uma chance de falar.
Fiquei observando-a sair, sentindo-me uma neta terrível. Ela claramente ainda estava magoada comigo. Mas, conhecendo-a bem, eu sabia que uma boa fofoca sobre meu casamento poderia curar qualquer ressentimento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!