— Olha — comecei, tentando não soar tão bruta. — A menos que você tome uma decisão de verdade, é melhor não arrastar outras pessoas com você. Isso que você está fazendo… é doentio. As pessoas ao seu redor também merecem felicidade, tanto quanto você acha que merece. Se a sua ideia de solução é fazê-las sofrer junto com você, então o melhor é deixá-las ir.
Lily piscou para mim.
Então, pegou um dos lenços usados e o jogou na minha cara.
— Foi um erro falar com você! Você não tem coração!
Joguei o lenço de volta na cama.
— O que você esperava? Que eu dissesse “parabéns, Lily, você está arrasando”? Ou melhor: “tome todo o tempo que precisar, continue fazendo Pedro esperar, continue fazendo Nadir esperar, continue brincando com os sentimentos das pessoas enquanto finge que é a vítima”?
Meu tom subiu. Lily me olhou, chocada. E, honestamente? Eu também estava chocada comigo mesma.
Respirei fundo, tentando recuperar a calma.
— O que quer que você escolha, vai se arrepender. Então, pelo menos escolha algo que você ache que vale a pena. Antes que seja tarde.
E, com isso, me levantei e saí do quarto.
No caminho de volta, encontrei Alexander e Nadir no corredor.
Alexander estava de pé, mãos nos bolsos, me observando se aproximar. Nadir, por outro lado, encarava uma pintura na parede como se tentasse entender os segredos do universo.
Assim que cheguei perto, Alexander soltou, friamente:
— Feliz agora?
A resposta dele me atingiu de cheio. Ele nem perguntou como as coisas foram. Como se já soubesse que eu tinha estragado tudo.
E, bem… ele estava certo.
— Você estava espionando? — rebati, indignada. — Ninguém tem privacidade nessa casa?
Ele me olhou com tédio e respondeu:
— Acredite, eu não precisei. Já sei perfeitamente como terminaria um encontro entre minha esposa e minha irmã.
Bufei, pronta para protestar, quando Nadir de repente deu um passo à frente.
Antes que eu pudesse entender o que ele pretendia fazer, sua mão subiu até a gola da minha jaqueta.
Minha respiração travou. Na frente do meu marido? Na frente do meu marido ciumento?
Nadir apenas pegou um lenço de papel que estava preso ali. Um dos que Lily jogou em mim.
Respirei de novo.
Mas, antes que meu coração voltasse ao ritmo normal, ele perguntou, direto:
— Charlotte, você sabia que a senhorita Speredo tem sentimentos pelo senhor Hodiri, mas escolheu não me informar?
Eu abri a boca, mas antes que pudesse falar, senti um braço firme ao redor da minha cintura.
Alexander me puxou para perto dele, seu toque firme, mas sem pressa. Então, encarou Nadir com um olhar tão frio que até eu, que já tinha visto muitas expressões assassinas dele, estremeci.
— Mais importante — começou Alexander, sua voz baixa e ameaçadora —, eu deveria perguntar se você está ciente de que esta mulher é minha esposa.
Silêncio.
— E que ela não tem nenhuma relação ou obrigação com você. Exceto pelo direito dela de ser chamada de senhora Speredo. E não Charlotte. Por você.
Nadir sustentou o olhar de Alexander.
Por um momento, achei que um duelo de morte aconteceria ali.
Mas, então, Nadir relaxou os ombros.
— Senhor Speredo — ele disse, calmo, mas firme —, estou bem ciente do fato de que Charlotte é uma mulher casada. Nunca tratei esse status com desrespeito.
Meu marido arqueou uma sobrancelha.
— Quanto ao meu noivado com a senhorita Speredo — continuou Nadir, cruzando os braços —, acredito que seja um assunto que apenas eu e ela devemos discutir.
Alexander não reagiu. Nadir apertou os punhos ao lado do corpo e concluiu:
— Não me vejo obrigado a me explicar, mas se precisa saber o motivo de eu estar aqui agora, é simples: quero ver minha noiva antes de ir embora.
Ele deu um passo para o lado, pronto para seguir caminho.
— A única razão pela qual não fiz isso antes — acrescentou — foi porque me informaram que Charlotte estava com ela. E eu não queria incomodar.
E então, sem mais uma palavra, ele passou direto por nós, caminhando até o quarto de Lily.
Alexander ficou imóvel ao meu lado.
Assim que Nadir se afastou, voltei minha atenção para Alexander e, imitando seu tom intimidador, murmurei:
— Mais importante… você está ciente de que ontem eu sofri um acidente? Arranhei minhas mãos, machuquei meu ombro e—
Não terminei a frase.
Não porque minha boca estivesse selada, nem porque subitamente me faltasse interesse em falar. Meu pulmão funcionava bem, meu cérebro estava plenamente operacional e nenhuma catástrofe mundial aconteceu nesse intervalo.
A única razão para minha súbita mudez foi o fato de Alexander simplesmente virar as costas e sair andando como se eu fosse um móvel da casa que resolvera falar sozinho.
Pisquei. Ele… me ignorou?
O homem, que sempre fazia questão de saber onde eu estava e com quem, simplesmente virou as costas e foi embora?
Cruzei os braços, hesitante entre segui-lo ou permanecer ali, ferida no ego. Mas como o caminho dele também era o caminho para o nosso quarto, fui atrás — não por orgulho, que fique claro, e sim por pura necessidade geográfica.
Ele subiu as escadas, caminhou até o corredor e, ao invés de ir direto para o quarto, desviou para a cômoda no fim do corredor.
Foi aí que o universo decidiu me pregar uma peça.

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