Eu odiava a palavra “mas”. Ela nunca vinha acompanhada de boas notícias.
— Considerando seu histórico médico, precisamos ser extremamente cautelosos. Ainda é cedo para dizer qualquer coisa com certeza, mas não podemos ignorar os riscos. A recomendação é que evitem criar muitas expectativas até que possamos monitorar melhor a evolução da gestação.
A felicidade esmagadora deu lugar a um nó apertado na garganta.
Claro. Eu deveria ter esperado por isso.
De repente, tudo parecia frágil. Instável.
E se meu corpo falhasse?
E se…?
No caminho de volta para casa, fiquei em silêncio. Alexander também. Nenhum de nós parecia saber como lidar com aquilo.
Até que a angústia me dominou de uma vez.
— Para o carro! — gritei.
Minha respiração ficou irregular. O medo me golpeou com força total, prendendo-me num redemoinho de pavor. Minha mente já pulava para o pior cenário possível, porque, claro, ela não sabia funcionar de outra maneira.
Comecei a hiperventilar.
Antes que eu pudesse me perder completamente no pânico, Alexander me puxou para um abraço forte.
— Respira comigo — ele murmurou contra meus cabelos.
Ele começou a contar, a voz firme, mas tranquila.
— Um. Respira fundo.
Eu tentei.
— Dois. De novo.
Meus pulmões estavam presos, mas fiz o possível.
— Três…
Aos poucos, a respiração voltou ao normal.
Então, chorei.
Chorei até não ter mais forças.
Entre soluços, a pergunta escapou da minha boca, repetidamente:
— Se eu chorar, vou machucar o bebê?
Alexander me respondia da mesma maneira todas as vezes.
— Não, Charlotte. Você pode chorar o quanto quiser.
E eu chorei.
Quando chegamos à mansão, eu estava tão exausta que Alexander precisou me ajudar a trocar de roupa. Assim que minha cabeça encostou no travesseiro, desmaiei de cansaço.
Mas, mesmo dormindo, algo me fez despertar um tempo depois.
O som da porta do quarto se abrindo.
Alexander saía, sua silhueta desaparecendo pelo corredor.
O que ele estava fazendo?
Peguei meu celular para verificar as horas.
1h07 da manhã.
Ele não voltou.
Dormi de novo, mas acordei um tempo depois, com sede.
No escuro, tateei até a garrafa de água, fazendo um leve barulho. Olhei para o lado, instintivamente, esperando ver Alexander ali.
Mas sua cama ainda estava vazia.
Apertei o botão do celular outra vez.
2h49 da manhã.
Ok. Eu sabia que Alexander era um homem ocupado. Seu trabalho exigia atenção em horários bizarros. Mas três da manhã?
Aquilo era loucura.
Joguei as cobertas para o lado e me levantei.
Se ele achava que eu ia deixar isso passar, estava muito enganado.
Eu ia procurá-lo. E forçá-lo a voltar para a cama.
Sua saúde vinha primeiro. E trabalho nenhum no mundo merecia sua atenção naquele momento.
Vesti minha camisola e saí do quarto, descendo as escadas em direção ao escritório de Alexander.
As luzes estavam acesas.
Óbvio.
Ele devia estar enterrado em alguma planilha absurda ou analisando gráficos de tendências econômicas, como se salvar o mercado financeiro mundial fosse mais importante que dormir.
Empurrei a porta devagar, sem bater, esperando flagrá-lo no crime.
Mas o que encontrei me fez parar no mesmo instante.
Alexander não estava atrás da mesa, digitando freneticamente em um notebook. Não estava ao telefone, dando ordens com a voz fria e cortante que fazia CEOs tremelicarem.
Ele estava ajoelhado no tapete.
Orando.
Fechei a porta com cuidado, encostei-me à parede e cruzei os braços.
Observei.
No início, achei que ele tivesse dormido naquela posição—o que, sinceramente, não seria surpresa. Mas então percebi os pequenos movimentos dos ombros, a tensão em seu corpo.
E, quando cheguei perto o suficiente, ouvi.
A voz abafada.
Os braços estendidos.
O rosto pressionado contra o chão.
Ele estava implorando.
Uma pontada de dor me atravessou.
Alexander sempre foi um homem de força inabalável, racional até o último fio de cabelo, alguém que enfrentava qualquer tempestade sem demonstrar fraqueza.
E ali estava ele.
Sozinho, no meio da madrugada, se desfazendo em súplicas.
Senti-me a pior esposa do planeta.
Passei o dia inteiro imersa na minha própria dor, no meu próprio medo, e sequer parei para pensar que Alexander estava ali também. Ouvira as mesmas palavras que eu. Sentira o mesmo terror.
E, no carro, quando eu desmoronei, ele ficou ao meu lado. Sem poder fazer nada.
Agora, ele estava aqui.
Sem saber o que fazer, apenas tentando encontrar um milagre.

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