No dia seguinte, lá estava eu, em um ônibus cheio de gente indo para a temida sede da Speredo. A ideia de ir até aquele prédio enorme, onde Alexander praticamente reinava como um imperador corporativo, fazia minha pele arrepiar, mas não exatamente de empolgação. Era um misto de pavor e resignação, uma combinação que me acompanhou a cada troca de ônibus e fila exasperante.
Depois de um longo tempo como passageira em três veículos diferentes e lotados, consegui descer no ponto de ônibus que ficava a uns bons quinze minutos de caminhada do prédio da Speredo. Se isso não fosse o suficiente para me deixar de mau humor, o cenário era. Olhei ao redor e me perguntei como aquele pedaço esquecido no leste da cidade se transformou em um centro reluzente de ternos caros e arranha-céus empresariais. Claro, graças a Alexander e sua equipe de magnatas calculistas. Eles compraram o terreno baratinho e o transformaram na meca de aspirantes a magnata e advogados de colarinho branco. Não pude evitar um riso seco ao ver o mar de saltos altos e ternos, enquanto eu, na minha infinita sabedoria, havia escolhido tênis confortáveis — e um traje bege formal para dar aquela primeira impressão “séria”. Me achava prática, mas era só mais uma pobre mortal tentando sobreviver.
— Moça, você está perdida? — o segurança perguntou, analisando-me com desconfiança quando parei na entrada. Eu podia jurar que ele esperava que eu respondesse algo do tipo “estou só dando uma volta”. Suspirei.
— Não, estou aqui para uma entrevista — revirei os olhos, mostrando a ele o comprovante que recebi. Antigamente, normalmente uma secretária aparecia quando eu dava as caras — o que era raro. Tudo era mais fácil quando minha única função na vida era trazer os arquivos que Alexander esquecia. E, é claro, apenas eu podia fazer esse “favor”. Nem o mais bem pago dos assistentes era confiável o suficiente para buscar um mísero pen drive na nossa casa. Claro, só uma esposa honesta, confiável e aparentemente sem ocupação alguma poderia carregar informações confidenciais para o marido CEO. Ou, na verdade, só alguém com um pouco de medo do homem o suficiente para jamais abrir um arquivo por curiosidade.
Entrei finalmente na recepção, e senti um leve calafrio ao olhar a altura daquele prédio. As paredes de vidro, as luzes calculadas, tudo ali tinha o toque do meu “querido” CEO. Eu nunca havia me sentido tão pequena. Era como se cada vidro espelhado fosse um lembrete de quem mandava.
Suspirei ao relembrar meus dias como “office girl” de Alexander, uma garota de recados de luxo. A pergunta que martelava em minha cabeça agora era: quem ele escolheria para ser sua nova mensageira pessoal depois que eu desaparecesse de vez? M*****a ironia. Mas antes que eu pudesse afundar mais nessa linha de pensamento, uma voz me arrancou do transe.
— Senhorita Viradia? — chamou uma mulher em um terninho preto, seu olhar firme avaliando meu rosto assim que levantei a cabeça e confirmei.
Ela me olhou como se estivesse tentando decifrar um enigma particularmente insolúvel, antes de acenar brevemente com a cabeça.
— Desculpe pela espera… — disse ela, sua voz ensaiada tentando soar acolhedora, mas com um toque cortante. — Por favor, me acompanhe.


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