— Eu entendo perfeitamente se a senhora se recusar a me oferecer qualquer cargo na empresa — disse, forçando um sorriso e tentando manter a pouca dignidade que ainda tinha.
A expressão dela endureceu, e vi uma pontinha de impaciência em seus olhos enquanto empurrava meu currículo de volta pela mesa.
— Ah, isso com certeza não é o problema — respondeu, as palavras escorrendo com uma condescendência que me fez querer desaparecer. — Sugiro que contate o superior que ordenou sua contratação, apesar de sua completa… desqualificação. Diga a ele que, se um incidente como este acontecer novamente, eu mesma relatarei diretamente ao CEO. Tenha um bom dia, senhorita Viradia.
Sorri por fora, mas por dentro uma fagulha de raiva queimava. “Aquele superior”? Pois é, ela mal fazia ideia de que o tal superior era o próprio CEO — o mesmo com quem eu dividia a infelicidade. Alexander me transformando, mais uma vez, em seu joguinho particular.
Levantei-me em silêncio, apertando os dedos até que os nós ficassem brancos. Cada passo que dava para fora daquele escritório aumentava minha vontade de evaporar. Orgulhosa, eu? Sempre fui. E, lá estava eu, forçada a aceitar olhares de desdém, como se tivesse rastejado até ali para implorar uma vaguinha qualquer. Tudo porque meu queridíssimo marido decidira brincar de “humilhar sua esposa em três atos”.
Quando saí, o pensamento me atingiu como um soco. Ele poderia ter arrumado esse emprego para mim discretamente, de forma que a equipe de recursos humanos sequer me visse como uma intrusa. Mas não. Ele optou por me fazer saltitar pelos corredores da Speredo, esbarrando em desdém e ironias. Foi isso que ele quis, só para me ver humilhada, como um castigo em suaves prestações.
“Mesquinho,” pensei, quase rindo. Ele nunca perde uma oportunidade, não é? E pensar que isso nem era novidade.
Lembrei do incidente com Olivia. Ah, a doce Olivia… aquela vez em que o encontrei de braços ao redor dela e, ao invés de qualquer desculpa, Alexander fez questão de deixar bem claro o quão pouco eu significava. Sutilmente, claro, mas o suficiente para que eu me sentisse… invisível. Como sempre. E o que ele fez depois foi ainda mais brilhante: convidou minha equipe para cobrir uma festa exclusiva, com um único pedido: que eu fosse a jornalista.
Na época, ele já tinha conseguido fazer com que eu perdesse meu antigo emprego. Claro, uma esposa jornalista poderia incomodar, e Alexander preferia “harmonia” doméstica. O canal inteiro onde eu trabalhava? Destruído por uma sanção dele. No novo emprego, eu era recém-contratada, nada segura da posição, e uma rejeição daquele tipo significaria demissão imediata. Simples: ou eu ia, ou minha carreira despencava de uma vez.

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