De qualquer forma, eu não estava ali para analisar as nuances de seu caráter questionável. Ele me insultou, e eu estava disposta a confrontá-lo até o fim.
— A entrevista correu bem? — disparou Alexander assim que me aproximei de sua mesa, o tom escorrendo veneno, como o de uma cobra que se arrasta sem pressa.
A audácia. Ele realmente se atreveu a perguntar isso. Ri baixinho, com desprezo, deixando a expressão cair até que meu rosto ficasse completamente vazio.
— Você acha que pode fazer isso comigo cada vez que lhe convém, Senhor Speredo? — Minhas palavras saíram afiadas, cortando o silêncio entre nós. — Que pode me manipular a seu bel-prazer e depois achar que eu vou ficar quieta?
Ele me encarou, a testa levemente franzida, como se tentasse decifrar meu tom de repulsa, mas sem demonstrar nada além de indiferença.
— Não sei do que está falando — respondeu ele, numa falsa confusão que só piorava minha náusea.
Eu respirei fundo, mantendo a compostura. Cansei de perder meu tempo com seus joguinhos.
— Hoje você me humilhou de novo, Sr. Speredo. No passado, até relevei… afinal, você era meu marido. Agora? Agora você é só mais um traste que já me tirou tudo. E, por isso, não tenho mais nada a perder. — Eu o encarei, cravando meus olhos nos dele, a dor dando lugar a uma convicção fria. — E vou fazer você pagar por isso nem que eu tenha que perder minha vida no processo!
Alexander permaneceu em silêncio, seu rosto sem expressão, mas seus olhos diziam outra coisa. Decidi que não havia mais nada para falar, então virei-me para ir embora. Mal dei o primeiro passo, ele apertou um botão no telefone.
— Traga o diretor de recursos humanos ao meu escritório, imediatamente.
Eu parei, confusa, absorvendo o que acabara de acontecer. Ele… não estava falando comigo. Olhei de volta para ele, percebendo a mudança. Alexander estava sombrio. O rosto que antes era um enigma agora parecia carregado de uma fúria contida, os olhos brilhando com uma intensidade que jamais vi.
Ele respirou fundo, e sua voz saiu baixa, mas firme:
— Você insiste em me acusar de algo que não cometi. E ainda diz que está disposta a morrer por isso… Sabe o quanto isso me machuca? Bem, parabéns. Não será necessário. Já conseguiu o que queria. Você acabou de me machucar como ninguém conseguiu antes. Novamente.
Eu o encarei, o vazio tomando conta de mim. Havia algo genuíno em sua expressão? Não, eu não podia acreditar. Esse homem era a personificação do engano. E eu? Uma tola por cogitar sequer acreditar em uma palavra.
Virei-me para sair de uma vez, sem lhe dar mais um segundo do meu tempo. Eu estava prestes a alcançar a porta quando ouvi seu grito ecoando pelo escritório:
— Onde você pensa que vai? É isso agora, Charlotte? Você me acusa e simplesmente sai? Me deixa aqui, atormentado, enquanto você vai embora sem sequer olhar para trás? Hoje, isso não vai acontecer. Hoje, você vai ficar aqui! — Ele se aproximou, sua voz baixa e perigosa. — Vai ficar até que eu decida que pode ir.
Engoli em seco, sentindo o peso de sua raiva palpável. Algo em mim estremeceu. Eu deveria temê-lo? Deveria enfrentá-lo?

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