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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 22

A mulher da entrevista tinha um ar resoluto, desses que parecem defender uma causa até o fim. Mas sei bem como as coisas funcionam aqui.

Senti um peso incômodo me dominar. Era um déjà-vu doloroso: no passado, quando Alexander destruiu meu canal de transmissão, foram muitas as demissões e vidas desfeitas por causa de uma decisão que não tomei. Não queria ter mais demissões na minha conta. Não desta vez.

Respirei fundo, ignorando a voz que berrava para correr dali e desaparecer por entre as pilhas de papéis da mesa de Alexander. Fui até ele, cada passo sob o olhar assassino que ele dedicava a todos ali. Parei à sua frente, os olhos cravados nos dele, me forçando a manter a postura.

— Alexander… fui injusta com você. Peço desculpas — sussurrei, a voz talvez saindo realmente um pouco culpada.

Vi seus olhos escurecerem, mas a fúria que eu esperava se desmanchou num brilho estranho, quase… cínico.

— Acha que um pedido de desculpas apaga o que você disse? — Ele arqueou uma sobrancelha, e, não sei se foi impressão minha, mas um sorriso sardônico passou rápido pelo seu rosto.

Ah, ótimo. Alexander em modo filosófico. Lá se foi o resto da minha culpa. Honestamente, por que tinha que ser tão complicado com ele? Como se ele nunca tivesse me ferido ou feito joguinhos que sempre o favoreciam. Mas agora eu sabia que não podia mais alimentar essa briga sem pensar nas pessoas ao redor. Respirei fundo novamente.

— Acusei você injustamente, e por isso me desculpo. Quanto ao restante das minhas palavras, considero um aviso. Agora deixe essas pessoas irem — segurei seu olhar com firmeza — porque elas não fizeram nada além do trabalho delas.

Ele me analisou, a seriedade grudada no rosto enquanto eu mal piscava. Mas, ao abrir a boca, respondeu com algo que foi tudo, menos sério.

— É raro ouvir você exigir qualquer coisa de mim, além do divórcio.

Claro, Alexander sempre um showman. Com um aceno, dispensou os sete infelizes com um tom glacial:

— Considerem-se com sorte. Hoje, só vão perder o emprego. Sumam daqui antes que eu mude de ideia.

Eu segurei o ar.

— Isso é “só”? Por que os demitiu?

Ele sequer me olhou.

— Não é seu trabalho me ensinar sobre como conduzo minha empresa.

O queixo caiu. Ele estava certo, mas ainda assim, a raiva me queimava por dentro. E, quando dei por mim, o escritório estava vazio, exceto por nós dois. Nem notei quando ele cruzou o espaço entre nós, a mão deslizando em minha cintura e me puxando com força para perto. Meu corpo chocou-se contra o dele, e por um segundo, engasguei no ar.

— O que você pensa que está fazendo? — objetei, as mãos em seus braços, empurrando na tentativa de criar alguma distância.

Em vão. Ele era pedra e aço, e antes que eu pudesse reagir, seus dedos firmes seguraram meu queixo, forçando meu olhar até os olhos intensos que agora me prendiam. A respiração escapou em um tranco, mas, por algum motivo, não me desvencilhei. Apenas o encarei, sentindo o coração disparar.

Alexander me encarava com uma mistura de raiva e algo mais que preferi não decifrar.

— Três anos atrás, naquela festa — sua voz baixa reverberou, as palavras cortantes —, não foi minha ação. Nunca pedi para que fizessem aquilo, mas pensei que você fosse esperta o suficiente para ver que estávamos sendo manipulados. E como sempre, você preferiu acreditar no pior.

E eu me odiava por isso. Por não conseguir afastá-lo, por não conseguir parar de sentir aquela eletricidade pelo corpo todo. Durante anos, o toque de Alexander era inexistente e distante. Parecia que qualquer coisa era motivo para ele me rejeitar… até aquela vez que eu tentei tomar a iniciativa. Eu tentei uma aproximação mesmo com minha mente e fobia trabalhando juntas contra mim, pensando que aquele homem grande e forte iria me machucar.

Mas ele apenas… me afastou. Aquilo ainda ecoava na minha mente como um erro irreversível, algo que nunca iria se apagar.

Agora, com ele tão perto, as emoções pulsavam entre nós, intensas demais, misturadas demais, e eu não sabia mais distinguir o que era raiva, desejo ou mágoa. Desviei o olhar dos olhos dele, empurrando-o com um pouco mais de força, sentindo meu coração ainda disparado.

— Não me importa mais — declarei, a voz carregada de um tom indiferente que eu mal consegui sustentar. — Nem você, nem qualquer coisa disso.

Ele me observou, e por um segundo, parecia… ferido. Mas logo o rosto retomou o controle impassível de sempre. Alexander se afastou, recuando como se não houvesse mais nada entre nós além da distância da sala.

— Amanhã você começará no departamento de Relações Públicas — anunciou, o tom frio, profissional, como se tudo tivesse sido apenas um negócio. — Seu turno será às 8h30. Ninguém precisa saber que você é minha esposa, então não se preocupe com sua “liberdade.” Se o transporte público for um problema, você pode requisitar um carro da empresa. Quanto ao seu salário, isso é com o RH.

Eu o encarei, surpresa com a brusca mudança de tom. Ele realmente conseguia ir de um extremo ao outro em segundos.

— Por que está fazendo tudo isso? — indaguei, cruzando os braços, só para tentar manter alguma aparência de controle.

Ele hesitou, mas por fim, com a mesma serenidade calculada, respondeu:

— Sou apenas um homem tentando manter minha família.

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