Eu mal tinha acabado de me acomodar na ideia de Alexander sendo meu patrocinador gourmet, quando ele entrou no carro com o item da “grande parada” no shopping. E lá se foram minhas esperanças culinárias. Em vez de sacolas de comida, o que ele trazia era… uma troca de roupa.
— Você parou aqui só pra comprar roupas? — perguntei, com a frustração escorrendo da voz.
Ele me lançou um olhar quase inocente.
— Preciso trocar de roupa. Meu terno vai acabar cheirando a comida.
Senti um nervoso latejando na têmpora. É sério? Eu o convido para almoçar, ele reclama do terno, e eu ainda não o mandei para aquele lugar? Suspirei e deixei escapar, quase para mim mesma:
— Claro. A culpa é toda minha por te convidar.
Fiz o resto do caminho em um silêncio tenso. E, ao chegar ao meu apartamento, fui tomada pela vontade de dar meia-volta e deixá-lo na porta. Mas me contive, entrei e o deixei seguir. Nem me preocupei em arrumar a sala antes. Se eu já tinha desistido de impressioná-lo? Há tempos.
Pendurei as chaves, tirei o casaco e os sapatos, e ao olhar para trás, encontrei Alexander parado, olhando fixamente para o sofá. O rosto, para minha surpresa, começava a ganhar um leve tom avermelhado. Segui o olhar dele e... ótimo. Bem no topo de uma pilha de roupas no sofá, minha lingerie favorita ocupava o lugar de honra.
— Não faz essa cara — resmunguei, revirando os olhos. — É só roupa. Tira os sapatos, senta e tenta não fazer disso um evento. Vou fazer o almoço.
Fui para o quarto, empilhei minhas roupas sem muita cerimônia, tentando ignorar o fato de que Alexander ainda parecia chocado. A verdade é que ele nunca entenderia as dificuldades dos “pobres mortais” que secam roupa em lugares inusitados, e explicar não faria a mínima diferença. Ainda assim, segurei a pilha de roupas e levei-as para o quarto, tentando me convencer de que estava apenas sendo prática.
Quando voltei, Alexander já havia trocado o terno por algo casual, que, para minha irritação, o deixava ainda mais elegante. Ele me olhou de cima a baixo e disse, com aquele tom casual que me tirava do sério:
— Pode me ajudar a guardar meu terno?
Suspirei, pegando o terno e levando-o até o armário. Como se não bastasse, ele me seguiu até lá, insistindo para que eu pendurasse com todo o cuidado. Fiquei tentada a só jogar a peça lá dentro, mas algo na expressão dele… ah, não vale a pena discutir.
Então, quando achei que poderia finalmente começar a preparar o almoço, Alexander continuou:
— Posso usar seu laptop para trabalhar?
Revirei os olhos, perdendo o pouco de paciência que me restava.
— Alexander Speredo! Será que você não consegue relaxar um segundo?
Ele apenas deu de ombros, a tranquilidade personificada.
— Só preciso do laptop.
— Se queria tanto trabalhar, por que demônios cancelou a agenda em primeiro lugar? — disparei, exasperada.
Ele me encarou, com uma expressão indecifrável, e respondeu com simplicidade:
— Porque eu estava preocupado com você.
O tom tranquilo dele foi o suficiente para esvaziar minha irritação. Dei de ombros, tentando manter a frieza.
— Não precisa se preocupar. Minha vida e morte não são da sua conta.

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