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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 29

A voz de Alexander realmente soava… ferida. É claro que eu sempre finjo dureza, mas, toda vez que percebo um tom triste na voz dele, minha armadura se estilhaça numa velocidade que odeio admitir.

Respirei fundo, tentando recompor minha postura antes de me virar para ele, mas acabei suspirando de pura irritação quando finalmente o encarei.

— Olha, só te convidei para almoçar. Então, não comece a falar de coisas deprimentes que estraguem o meu humor — disparei, forçando uma leveza que eu mesma não sentia.

Mas ele estava tão perto… A proximidade dele me desconcertou a ponto de um pensamento tolo escapar antes que eu conseguisse me controlar:

— Por que está tão perto? Você nunca quis me tocar… — sussurrei, arrependida na mesma hora.

Ele sustentou meu olhar, e seu tom veio mais baixo, porém firme:

— Como eu poderia, se nos seus olhos só via dor?

Eu o encarei, tentando entender a gravidade do que ele dizia. Em meu olhar havia dor? Pois, ficava tão desesperada e ansiosa, pensando em mil coisas, com minha fobia no alto sobre nossa primeira vez que se ele viu algo, foi minha vontade de desaparecer logo daquela situação. Mas… será que ele percebia isso?

Ele continuou me olhando, e eu comecei a me perguntar se havia algo errado com meu rosto. Quem sabe algum pedaço de cenoura grudado na bochecha? Ou talvez algum grão de pimenta perdido? Porque, de repente, ele sorriu de uma forma que mexeu comigo, e aquele sorriso era quente… envolvente, até.

E ele estava tão próximo que eu sentia sua respiração contra minha pele. Não vou mentir: um homem como Alexander, sorrindo a essa distância, poderia ressuscitar até um cadáver. E lá estava eu, vivíssima e vulnerável. Era demais para qualquer ser humano.

Enquanto meu cérebro tentava processar, aqui vai uma rápida retrospectiva dos eventos que antecederam esse momento de “meu Deus, no que estou me metendo?”:

Ele é meu marido.

Não o vejo como “meu marido” há três anos.

Ele é assustadoramente bonito.

Eu tomei analgésicos demais.

Ele disse que não me tocava por ver dor em mim. (Ainda tentando decifrar o que isso quer dizer.)

Ele estava sorrindo.

E, por fim, o golpe fatal: ele estava perto demais para que minha sanidade sobrevivesse.

Aí já era. Alexander Speredo, com sua m*****a presença avassaladora, fez eu me esquecer de tudo. Em um impulso, ergui-me na ponta dos pés, enrosquei meus braços ao redor do pescoço dele e... eu o beijei.

No início, foi um beijo lento, hesitante. Mas então ele me segurou pela cintura, e o beijo se intensificou. Nossas línguas se encontraram, e um gemido escapou dos meus lábios — o que, ironicamente, trouxe de volta minha sanidade em questão de segundos. Despertei num pânico absoluto e me afastei como se tivesse tocado um fio desencapado.

Observei-o sair, mas não resisti e o segui até a porta, espiando disfarçadamente. O que ele faria agora? Comemorar por eu ter sido a primeira a perder nossa disputa de orgulho silenciosa? Talvez dar um soco no ar ou sorrir pra si mesmo como um adolescente orgulhoso da própria beleza?

Claro, imaginar Alexander sorrindo para o espelho era… ridículo. Mas meu cérebro se despedaçou assim que ele se jogou no sofá, apoiou a mão na têmpora e fechou os olhos, o rosto sério e... dolorido. Como se… o quê? Como se o nosso beijo o tivesse machucado mais do que eu poderia imaginar.

Aquela expressão. Tão derrotada. Esse era o Alexander que eu conhecia? Algo em mim, uma parte que eu preferia não admitir, ficou inquieta com a visão.

Eu me retirei discretamente e voltei para a cozinha, decidida a salvar o que restava dos legumes e, quem sabe, fazer alguma coisa com frango. Quando terminei, o cheiro agradável tinha ocupado o lugar da fumaça. Então respirei fundo e gritei:

— Alexander! Esvazie a mesinha da sala e me ajuda com os pratos!

Ele apareceu em questão de segundos, sério como sempre, mas sem a tensão anterior. Entreguei a ele uma bandeja com a sopa e o prato principal, levantando o dedo como quem alerta uma criança de três anos.

— E, por favor, cuidado.

Fizemos nosso caminho até a sala, onde nossa mesinha de centro, habitualmente decorada apenas com uma revista e um controle remoto, se transformava na nossa versão de mesa de jantar, escritório e, quem sabe, suporte de sobrevivência.

Sabe, eu seria a esposa mais econômica e prática que alguém poderia ter, se não tivesse me casado com o homem mais rico do país. Esse pequeno detalhe faz minhas habilidades de gerenciamento parecerem… inúteis.

Ele me observou com um olhar de quem tentava decifrar a mulher em sua frente. E naquele silêncio, percebi o quão surreal era toda essa situação: eu, ele, e essa guerra silenciosa, com orgulho e beijos indesejados, sempre entre nós.

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