— Por que eu brincaria com algo assim? — retruquei, sem conter o sarcasmo.
Alexander não respondeu de imediato. Em vez disso, contornou minha figura, caminhando até a porta. Por um segundo, pensei que ele fosse sair — afinal, discussões entre nós sempre terminam assim, com ele encerrando a conversa e ponto final. Mas, para minha surpresa, ele apenas acendeu as luzes, fazendo o escritório brilhar a um ponto quase incômodo.
Ele voltou, e a intensidade no olhar era tão forte que por um momento eu senti um calafrio.
— Charlotte… você realmente nunca considerou — sua voz era um misto de irritação e cansaço — que eu precisaria saber o que realmente aconteceu com sua mãe? Que não é algo que você tem o direito de esconder?
Pisquei, meio surpresa com a fúria dele. Alexander, respirando fundo, ainda lutava para não elevar a voz mais do que já fizera. E eu? Senti-me exposta, como se, finalmente, tivesse sido pega em um erro de proporções épicas.
— Eu… — as palavras me faltaram. Respirei fundo, sem saber como recuar. — Fiquei envergonhada. Não sabia onde ela estava, e não tentei procurá-la. Ela me deixou, Alexander. Fugiu com outro homem. Que tipo de filha você esperava que eu fosse? A que perdoa e procura?
Alexander desviou o olhar, como se minhas palavras tivessem atingido um ponto que ele preferia evitar. Finalmente, ele suspirou, a voz mais baixa, quase um sussurro.
— E o que trouxe tudo isso à tona agora?
— Encontrei o homem com quem ela fugiu — confessei, de olhos baixos. — Quero entrar em contato com ele.
Ele se moveu novamente, rápido, decidindo algo antes de voltar para a mesa. Pegou um caderno e uma caneta, começando a escrever com um foco irritantemente implacável.
— Me diga o nome dele.
— Joseph Dubois.
Alexander escreveu sem hesitar, sem nem levantar os olhos para me encarar.
— Encontrarei sua mãe e a levarei para vê-la — declarou, como se fosse uma simples ordem, algo inevitável.
Observei-o, impressionada, tentando entender o homem à minha frente. Como pude, em algum momento, pensar que Alexander não tinha coração? Ele demonstrava mais emoções agora — raiva, decepção, algo próximo de preocupação — do que eu sequer imaginei que existiam dentro dele. E mesmo assim… a maneira como ele só precisou de um nome, a segurança em cada movimento, me deixavam confusa.
— Obrigada, Alexander. De verdade. Eu… aprecio muito isso.
Ele parou de escrever e respondeu de modo seco, ainda sem me olhar:
— Não precisa agradecer. Quero conhecê-la também.
Senti uma hesitação tomando conta de mim. Ainda não estava pronta para o que quer que essa confissão implicasse, mas, antes que eu pudesse me conter, perguntei:
— Você anda tão ausente… Esse mês mal te vi. Está… tudo bem com você?

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