Entrar Via

O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 37

Eu sei que o lobby da empresa não era o lugar ideal para discussões sérias ou para Alexander segurar minhas mãos daquela forma. Mas, quem eu estava enganando? A pergunta me escapou antes que eu conseguisse segurá-la.

— Vamos pegar o carro — disse ele, sem sequer responder à minha pergunta. Claro. Ele apenas ignorou.

Alexander soltou minhas mãos e começou a andar na minha frente, seu passo seguro, como se nunca tivesse sido interrompido por algo tão irrelevante quanto o meu questionamento. Suspirei e o segui. Se ele não ia dar bola, eu também não ia me importar… ou pelo menos eu tentava convencer a mim mesma disso.

Assim que saímos da empresa, um dos seguranças entregou as chaves do carro a Alexander, que acenou para eu entrar. Ele dirigiu até meu prédio, o que já era inusitado. Normalmente, um “boa noite” seco encerraria nossa interação. Mas o que realmente me pegou de surpresa foi quando ele saiu do carro e abriu o porta-malas. Então, como se aquilo fosse a coisa mais lógica do mundo, pegou uma mala grande e veio atrás de mim.

— O que você está fazendo? — perguntei, achando que era óbvio demais para uma pergunta retórica.

— Fui direto do aeroporto para o escritório. Não tive tempo de passar em casa para deixar isso — respondeu, ajeitando a mala como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele carregava.

— Ah, claro, mas precisa subir? Seus seguranças praticamente rodeiam o quarteirão. Quem teria coragem de mexer em algo seu?

Ele me olhou como se eu fosse quem estava sendo absurda. Fiquei quieta, tentando entender o que o fazia subir com essa mala. Será que ele trouxe alguma coisa pra mim? Essa possibilidade acendeu uma curiosidade relutante, embora eu me forçasse a manter a cara de desdém.

Lembrei das vezes que ele viajava e voltava com lembranças estranhas, como eu tinha sugerido, já que joias e roupas eram… preguiçosas demais, impessoais demais. E o homem levou minha sugestão a sério! Não apenas seguia para qualquer fim de mundo atrás de algo “original”, como montou uma sala na mansão para exibir sua “coleção de raridades”. Em sua própria pequena sala-museu, ele anotava em um caderno as histórias de cada peça. Era irônico. Se as pessoas soubessem daquilo, não iam reconhecer o Alexander calculista e “impenetrável”.

Mas essa mala… será que ele trouxe algo pra adicionar à coleção? Ou talvez eu estivesse sendo otimista demais.

Subimos juntos. Ou melhor dizendo, ele lutava com a mala, e eu apenas acompanhava com uma expressão que variava entre o tédio e a diversão, até que, quando chegamos ao meu andar, ele ofegava. Não pude evitar um sorriso.

Abri a porta e, num tom leve, provoquei:

— Seria tão absurdo assim deixar a mala na empresa, senhor “é-mais-seguro-no-lobby”? Acho que ninguém ia arriscar roubar do seu escritório.

Alexander respirou fundo, e só disse:

— Pode me trazer um copo d’água?

Antes que eu pudesse sequer respirar para responder, ele continuou a se despir, tirando o cinto como se eu fosse parte da mobília, e aquela visão foi a minha deixa para correr porta afora. O coração disparado, a cara quente — que ridículo! Um ano morando com ele e ainda me comporto como se o conhecesse ontem.

A sensação de desconforto era demais para lidar naquele momento. Afinal, como se faz para tratar um homem como um estranho e, ao mesmo tempo, vê-lo se despir na sua frente, como se fosse um exercício de casualidade? Era embaraçoso.

Fechei a porta com um pouco mais de força do que o necessário e xingava mentalmente cada pedacinho daquele homem enquanto ele se arrumava lá dentro, fui tomada por uma torrente de lembranças. A primeira foi do hospital, de quando acordei do acidente… Ele, com seus olhos frios, suas perguntas simples e sem vida, tentando se aproximar de mim enquanto eu me afastava mais e mais, o tratando como se fosse um estranho. E a distância dele não era por preocupação, mas por simples desconforto. A família dele… Ah, aqueles Speredo adoravam dar as costas para “pequenos dramas” como o meu.

Quando finalmente tive alta, eu não era mais a mesma. O emprego que tinha desapareceu, a cicatriz nas coxas me lembrava todos os dias de que algo dentro de mim havia quebrado. A terapeuta, designada pela “generosa” família do meu marido, dizia que eu precisava de apoio emocional. Eu, porém, sabia bem o que precisava — um ombro de verdade, alguém que enxergasse além das aparências. Mas apoio emocional na casa dos Speredo era equivalente a jogar um travesseiro no sofá e chamar de terapia.

A única pessoa que ainda tinha o meu número de telefone, minha avó, sempre foi uma senhora prática, direta. Do tipo que, ao saber do acidente, só comentou: “Pare de drama! Ainda tem vida e um bom marido; vá ajeitar isso”. Claro, natural… porque me unir a Alexander havia sido o maior acerto da minha vida, certo?

Mas a verdade é que aquele período foi um despertar. Eu era invisível na mansão, ao lado de um marido que me mantinha escondida. Eu odiava cada um deles. Mais ainda, odiava a forma como Alexander se tornara um espectro em minha vida — tão ausente quanto onipresente. Ele passava dias inteiros na empresa, e quando voltava, se limitava a me fazer perguntas insossas: “Está bem? Dormiu bem? Quer comer alguma coisa?” Como se esses pedaços de conversa pudessem suprir a dor ou desfazer a distância que ele mesmo criara.

Enquanto ele trabalhava, eu tramava a minha fuga. Tinha conseguido um pequeno apartamento em outra cidade, longe dos Speredo e dos ecos da minha dor. Eu iria embora sem olhar para trás, sem um centavo a mais do que o suficiente para me manter de pé.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!