Eu sei que o lobby da empresa não era o lugar ideal para discussões sérias ou para Alexander segurar minhas mãos daquela forma. Mas, quem eu estava enganando? A pergunta me escapou antes que eu conseguisse segurá-la.
— Vamos pegar o carro — disse ele, sem sequer responder à minha pergunta. Claro. Ele apenas ignorou.
Alexander soltou minhas mãos e começou a andar na minha frente, seu passo seguro, como se nunca tivesse sido interrompido por algo tão irrelevante quanto o meu questionamento. Suspirei e o segui. Se ele não ia dar bola, eu também não ia me importar… ou pelo menos eu tentava convencer a mim mesma disso.
Assim que saímos da empresa, um dos seguranças entregou as chaves do carro a Alexander, que acenou para eu entrar. Ele dirigiu até meu prédio, o que já era inusitado. Normalmente, um “boa noite” seco encerraria nossa interação. Mas o que realmente me pegou de surpresa foi quando ele saiu do carro e abriu o porta-malas. Então, como se aquilo fosse a coisa mais lógica do mundo, pegou uma mala grande e veio atrás de mim.
— O que você está fazendo? — perguntei, achando que era óbvio demais para uma pergunta retórica.
— Fui direto do aeroporto para o escritório. Não tive tempo de passar em casa para deixar isso — respondeu, ajeitando a mala como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele carregava.
— Ah, claro, mas precisa subir? Seus seguranças praticamente rodeiam o quarteirão. Quem teria coragem de mexer em algo seu?
Ele me olhou como se eu fosse quem estava sendo absurda. Fiquei quieta, tentando entender o que o fazia subir com essa mala. Será que ele trouxe alguma coisa pra mim? Essa possibilidade acendeu uma curiosidade relutante, embora eu me forçasse a manter a cara de desdém.
Lembrei das vezes que ele viajava e voltava com lembranças estranhas, como eu tinha sugerido, já que joias e roupas eram… preguiçosas demais, impessoais demais. E o homem levou minha sugestão a sério! Não apenas seguia para qualquer fim de mundo atrás de algo “original”, como montou uma sala na mansão para exibir sua “coleção de raridades”. Em sua própria pequena sala-museu, ele anotava em um caderno as histórias de cada peça. Era irônico. Se as pessoas soubessem daquilo, não iam reconhecer o Alexander calculista e “impenetrável”.
Mas essa mala… será que ele trouxe algo pra adicionar à coleção? Ou talvez eu estivesse sendo otimista demais.
Subimos juntos. Ou melhor dizendo, ele lutava com a mala, e eu apenas acompanhava com uma expressão que variava entre o tédio e a diversão, até que, quando chegamos ao meu andar, ele ofegava. Não pude evitar um sorriso.
Abri a porta e, num tom leve, provoquei:
— Seria tão absurdo assim deixar a mala na empresa, senhor “é-mais-seguro-no-lobby”? Acho que ninguém ia arriscar roubar do seu escritório.
Alexander respirou fundo, e só disse:
— Pode me trazer um copo d’água?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!