O elevador demorava uma eternidade, e meu cérebro, claro, aproveitou o momento para criar cenários dignos de um filme de suspense barato. Algo tão sério que Alexander não conseguiu me ligar diretamente? Por que usar a recepcionista para me chamar? A resposta óbvia? Encontraria um cadáver. Provavelmente o dele. E, claro, a polícia teria me convocado para identificá-lo, como nos dramas mais bizarros da minha imaginação.
Eu sabia que era um pensamento absurdo, mas diga isso para meu coração, que já havia entrado em pânico total, e para minhas pernas, que pareciam prestes a desabar. Quando as portas do elevador se abriram, precisei de todo o meu autocontrole para não desmaiar dramaticamente.
Alexander estava lá, vivo e mais irritantemente charmoso do que qualquer homem deveria ter permissão de ser. Respirando. Inteiro. Sem marcas de tiro ou qualquer sinal de envenenamento. Mas meu corpo não acompanhava a lógica tão rápido quanto meu cérebro.
— Alexander — murmurei, apoiando-me contra a porta do escritório enquanto tentava, em vão, controlar meus batimentos cardíacos. Pressionei uma mão contra o peito, como se pudesse conter a explosão iminente.
Ele me olhou e, pela primeira vez, largou a pose de CEO inabalável. Em dois passos estava diante de mim, segurando minha cintura e meus ombros com firmeza.
— Você está bem? — A voz dele tinha aquele tom autoritário, e de preocupação.
Tentei responder, mas minha boca tremia tanto que achei que meus lábios fossem se soltar. Ele me guiou até o sofá, como se eu fosse feita de vidro, e segurou meu rosto entre as mãos, obrigando-me a encará-lo.
— Respire, Charlotte. Respire.
— Eu… estou bem — murmurei, embora meu corpo discordasse fortemente.
Alexander soltou um suspiro profundo, quase aliviado, e sua testa franziu-se de leve.
— O que aconteceu? Por que você está assim?
— Por que você me chamou ao seu escritório desse jeito? — Minha voz soou mais fraca do que eu gostaria, mas a confusão no rosto dele foi uma recompensa inesperada.
— Eu tentei ligar para o seu telefone. — Ele disse isso como se fosse óbvio, mas, francamente, nada era óbvio quando se tratava dele.
Minha mente imediatamente culpou Sarah por transformar uma mensagem simples em um drama de vida ou morte. Se olhares matassem, ela estaria em sérios apuros agora.
— Achei que tivesse acontecido algo com você! — Soltei as palavras antes de me conter. — Você me deu o susto da minha vida.
Alexander não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou a cabeça, observando-me com aquela intensidade desconcertante que só ele conseguia ter. Então, inesperadamente, sua mão subiu até meu rosto, os dedos traçando levemente minha mandíbula antes de segurar meu queixo.
— Você ficou preocupada comigo? — Ele perguntou, a voz baixa, quase sedutora, enquanto seus olhos me estudavam.
Corei imediatamente, e minha primeira reação foi afastar o rosto, mas sua mão permaneceu firme.
— Não se ache tanto, Speredo. — Murmurei, tentando soar firme, mas minha voz me traiu. — Qualquer pessoa ficaria preocupada numa situação dessas.
Ele sorriu. Não um sorriso largo ou aberto, mas aquele pequeno e calculado, que fazia parecer que ele sabia algo que eu não sabia. Então, antes que eu pudesse continuar a reclamar, ele inclinou-se e me beijou. Seus lábios encontraram os meus de forma lenta, mas não havia nada de hesitação naquele gesto. Era possessivo, como se quisesse apagar qualquer resquício de preocupação que eu tivesse.
Quando finalmente se afastou, deixando-me completamente sem fôlego, ele murmurou contra meus lábios:
— Vou lembrar disso da próxima vez que precisar te chamar aqui.
Levei alguns segundos para processar suas palavras antes de empurrá-lo levemente.
— Não ouse! — Respondi, tentando soar firme, mas minha voz saiu fraca.
Alexander riu baixo, aquele som grave e intimidador que parecia reverberar no fundo da minha mente. Ele finalmente se afastou um pouco, mas não o suficiente para que eu pudesse recuperar completamente meu espaço.
— Não te chamei aqui só para isso. — Ele disse, como se o beijo fosse um detalhe casual. — Preciso que saiba que estarei viajando para o país G hoje à noite. É uma viagem de negócios urgente, e não sei quanto tempo vou demorar.
Seus olhos estavam fixos nos meus, esperando uma reação. Fiquei em silêncio por um momento, deixando as palavras dele se acomodarem na minha mente.
— Quanto tempo? — Perguntei, tentando não soar preocupada demais.
— Não sei ao certo. — Ele respondeu, o tom sério retornando. — Mas vou fazer o possível para voltar rápido.
Algo dentro de mim apertou ao ouvir isso, um sentimento que eu não estava acostumada a lidar. A ideia de ficar sem ele, mesmo por alguns dias, parecia desconfortável de uma forma que eu não queria admitir.
Enlacei meus braços ao redor de seu pescoço, puxando-o para mais perto, e, sem pensar muito, murmurei:
— Vou sentir sua falta.
Por um breve momento, Alexander congelou. Seus olhos se arregalaram ligeiramente, e ele pareceu perdido, como se não soubesse como processar minhas palavras. Era estranho ver aquele homem sempre tão confiante e inabalável parecer genuinamente surpreso.
— Charlotte… — Ele começou, mas não completou a frase.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!