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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 62

Eu ainda me perguntava como alguém como Alexander havia crescido naquela casa. Era difícil imaginá-lo com birras infantis ou crises de raiva. Talvez sua frase de rebeldia aos cinco anos tenha sido algo como: “A incompetência aqui é alarmante. Prefiro educar-me com livros.” Porque, sinceramente, essa é a única explicação lógica para ele ter se desviado tão completamente da lógica distorcida da família Speredo.

Quando a discussão finalmente morreu — mais por exaustão coletiva do que por resolução —, Alexander apertou minha mão com firmeza e me conduziu pela sala, como se nada tivesse acontecido. Não deu um único olhar para trás, ignorando os rostos carrancudos que nos seguiam até a porta.

No carro, ele permaneceu em silêncio enquanto ligava o motor, mas seus olhos, por um momento, buscaram os meus. Algo estava por vir. Eu sabia.

— Eu deveria encontrar um novo lugar para enviá-los — ele disse, com a calma glacial que só Alexander Speredo conseguia ter ao planejar algo tão drástico.

Eu pisquei, surpresa.

— Este lugar tem sido a casa deles desde sempre — retruquei, cruzando os braços. — Alexander, você já tem inimigos suficientes. Quer adicionar a sua própria família à lista?

Ele suspirou, aquele tipo de suspiro que dizia que estava cansado até os ossos, mas continuava determinado.

— Eles deixaram de ser minha família no momento em que se tornaram meus maiores inimigos, Charlotte. — Sua voz estava baixa, mas havia algo cortante nela. — Mantê-los por perto me ajuda a monitorar seus movimentos, mas há uma linha que não vou permitir que cruzem. Hoje eles passaram dessa linha.

Houve um silêncio tenso antes que eu finalmente perguntasse:

— O que você quer dizer com eles serem seus inimigos?

Ele riu, mas foi uma risada seca, sem qualquer traço de humor.

— Charlotte, o que você acha que eu mais quis na vida?

Engoli em seco, não esperando a pergunta. Ele me olhava com aqueles olhos escuros e profundos, que pareciam capazes de desvendar todos os meus segredos.

— Dinheiro? — sugeri, com cuidado.

Ele arqueou uma sobrancelha, o canto dos lábios se curvando em um sorriso irônico.

— Não era só dinheiro. — Ele balançou a cabeça, ainda com aquele sorriso gélido. — Se fosse, eu teria escolhido caminhos muito mais fáceis.

Alexander se inclinou ligeiramente na minha direção, e por um momento, toda a sua atenção estava focada em mim. O mundo poderia ter desaparecido que ele nem perceberia.

— Sempre tive dois objetivos, Charlotte. O primeiro era tomar o controle da Corporação Speredo, diante do olhar impotente do meu pai. O segundo era você.

Senti um arrepio subir pela espinha. Não havia doçura na forma como ele disse aquilo. Era uma confissão crua, quase assustadora, mas de uma sinceridade impossível de ignorar.

— O que eu não esperava… — Ele fez uma pausa, seus olhos se desviando para os portões imponentes da mansão. — Era que meu pai fosse usar você contra mim.

— O quê? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

— Você acha mesmo que o casamento foi ideia da sua avó? — Ele riu novamente, e dessa vez, havia um toque de amargura. — Charlotte, você foi trazida para a minha vida no momento mais crítico da minha ascensão. Quando eu estava reunindo recursos para assumir o controle de tudo. Você foi um lembrete do poder dele, da facilidade com que ele podia manipular minha vida.

Meu estômago revirou. As palavras dele me acertaram como um soco.

— E no hospital… — Ele continuou, com a voz mais baixa agora. — Enquanto você estava entre a vida e a morte, eles se aproveitaram da minha fraqueza para roubar pequenas empresas sob meu controle. Um golpe pequeno, mas que poderia ter sido devastador se eu não estivesse alerta.

Eu não sabia o que dizer. As palavras de Nadir ecoaram na minha mente: “Cuidado com essa família.” Tudo fazia sentido agora.

Meu silêncio deve ter falado mais do que qualquer resposta, porque ele se inclinou novamente, a intensidade no olhar dele me deixando sem ar.

— Não se preocupe. Agora eles não podem fazer nada. Eu garanti isso antes de trazê-la de volta.

— Por que você não me contou isso antes? — perguntei, a voz um pouco mais fraca do que eu gostaria.

Ele desviou os olhos, ligando o carro. A pergunta pairou no ar sem resposta.

Conforme ele dirigia em silêncio, comecei a juntar as peças. Os olhares frios, as manipulações sutis, os golpes calculados… Alexander não apenas havia sobrevivido àquela família; ele havia triunfado. Mas o custo disso era evidente. Ele carregava isso em cada palavra medida, em cada sorriso contido.

Quando ficamos presos em um engarrafamento, ele finalmente falou, sem tirar os olhos da estrada.

— Naquela época, Charlotte, eu achava que até o vento batendo na janela seria motivo suficiente para você ir embora.

Demorei alguns segundos para conectar as palavras de Alexander à última pergunta que fiz. Ele parecia tão focado na estrada, com o rosto neutro, que era difícil acreditar que aquele homem pudesse guardar qualquer arrependimento em suas palavras. Mas estava lá, nas entrelinhas.

Suspirei, tentando quebrar o peso do silêncio.

— Você achou que eu iria te deixar se soubesse? — perguntei, com a voz baixa.

— Sim.

A resposta veio simples, direta, mas carregada de algo que ele não conseguiu disfarçar.

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