Ativar o "modo diabo" de alguém é sempre fascinante... desde que você esteja do lado seguro.
Minha avó, por exemplo, tem seu próprio manual diabólico, que inclui ameaças dignas de novelas mexicanas. “Charlotte, se você não fizer isso agora, Deus sabe que morrerei de desgosto, e quando nos encontrarmos no julgamento final, não vou te perdoar!” Essas palavras eram como um passe direto para me transformar em uma neta obediente, mesmo no frio do inverno, limpando folhas inexistentes no quintal.
Quanto a mim? Meu “modo diabo” é muito mais sofisticado: silêncio absoluto. Eu simplesmente me calo e deixo o desconforto fazer o trabalho por mim. Funciona melhor com pessoas próximas ou que realmente precisam que eu fale. Minha avó dizia que eu era assim desde criança, manipulando situações sem lágrimas ou gritos — apenas silêncio até vencer.
Mas nada disso se compara ao "modo diabo" de Alexander. Quando meu marido ativa essa faceta, até o próprio inferno parece se encolher. Ele é uma máquina de destruição calculada: implacável, metódico, imune a apelos emocionais. Ele mantém a empresa Speredo no topo não por ser justo, mas por esmagar qualquer um que ouse desafiá-lo, sempre dentro das margens da lei — ou, pelo menos, de uma interpretação criativa dela.
E quando sua raiva é pessoal? Bem, a última vez que isso aconteceu, três jovens, que ousaram me roubar e agredir quando eu e meu colega fomos a uma investigação jornalística, escolheram ser queimados vivos naquela casa a enfrentar o castigo dele.
Sinto arrepios até hoje só de lembrar!
Então, quando minha avó mencionou que Alexander tinha ligado pessoalmente para ameaçar Mattia, um calafrio percorreu minha espinha. Sabia o que isso significava: Mattia seria jogado em um tabuleiro de xadrez onde Alexander é sempre o vencedor.
Eu não queria Mattia na minha vida novamente, mas também não queria vê-lo destruído. Ele foi importante para mim, um sonho de juventude que acabou mal. E pensar que tudo o que ele construiu, com tanto esforço, poderia ser destruído em horas por Alexander me deixava agoniada.
— Pode voltar para o seu quarto, vó. Preciso ligar para Alexander. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mas meu coração ainda estava acelerado.
Minha avó suspirou, ajeitando uma mecha do meu cabelo com um gesto quase maternal.
— Esse homem te ama muito, Charlotte. Sempre cuidou de você, mesmo quando você não percebia. Só não seja burra. Não se meta nos negócios dos outros.
Assenti, oferecendo um sorriso curto.
— Eu sei disso. — Porque sabia mesmo. Ainda estava viva, não é? Isso dizia muito sobre o quanto Alexander me suportava, apesar de tudo.
Assim que minha avó saiu, fechei a porta do quarto e encarei o telefone na minha mão como se ele fosse me morder. Liguei para Alexander, e a chamada foi atendida no primeiro toque, como se ele estivesse esperando por isso.
— Por que você não me disse sobre ele? — Ele disparou, direto ao ponto.
Respirei fundo, tentando não soar tão culpada quanto me sentia.
— Eu tentei.
Houve um silêncio do outro lado da linha, e minha mente entrou em pânico. E se ele achasse que eu estava escondendo algo?
— Alexander… não fiz de propósito… — murmurei, sentindo minha voz tremer um pouco.
— Charlotte, eu confio em você. — Ele pausou, e sua voz endureceu. — Mas não confio nas pessoas ao seu redor.
Soltei uma risada seca.
— Você confia em mim? Engraçado, não foi o que você disse antes…
— Charlotte! — Ele me cortou, a irritação evidente no tom.
Eu ri de novo. Um riso baixo, quase divertido.
— Vou embarcar no avião em meia hora. Estarei de volta em breve. — Sua voz saiu firme, como se ele estivesse apenas discutindo a previsão do tempo.
— O quê?! — Minha reação foi automática. — Você não estava no meio de negociações? Como resolveu tudo tão rápido?
Houve uma pausa, longa o suficiente para me deixar desconfortável, antes de ele responder, sua voz carregada de uma calma que eu sabia que escondia algo mais.
— Charlotte, você realmente acredita nos rumores que a equipe administrativa espalha? A empresa nunca esteve em posição apertada. Na verdade, é o oposto.
Pisquei, surpresa, enquanto ele continuava:
— A única razão para minha ausência prolongada foi ver se algum infiltrado tentaria agir contra mim diante de uma situação fabricada. Agora que esse teste acabou, não tenho mais motivos para permanecer aqui.
Sério? Não consegui formular nenhuma resposta que fizesse sentido, então optei pelo caminho seguro:
— Ah… devo te esperar? — perguntei, tentando soar casual, como uma esposa normal deveria.
— Será tarde quando eu chegar. Melhor você dormir.
Mas algo estava errado. A figura na penumbra era… pequena demais para ser ele. Minha alegria deu lugar a um pânico imediato. Quem diabos invadiria meu quarto? Um ladrão baixinho? Lily com uma faca de cozinha?
Acendi o abajur, pronta para lutar pela minha vida, e quase caí da cama ao reconhecer a figura.
— Vovó?! — exclamei, incrédula.
Ela estava parada na porta, os olhos semicerrados em direção ao interruptor da luz.
— Ah, você ainda está acordada! Ótimo. — Ela se ajustou à iluminação e continuou: — Por que está aqui enquanto seus sogros estão brigando com o seu marido? É o dia da ressurreição lá embaixo e você tem a audácia de dormir confortavelmente aqui? Levante-se agora! Pegue minha mão e me guie. Esqueci os óculos. Não vejo nada!
Tentei processar o que estava ouvindo, mas minha avó já estava impaciente, apontando para mim como se eu fosse a causa de todo o caos no universo.
— O quê? Que briga? O que está acontecendo? — perguntei, ainda atordoada.
Ela suspirou como se a explicação fosse óbvia.
— Sua sogra está prestes a ter um ataque cardíaco, e sua cunhada ameaçou se enforcar no lustre!
— O quê?! — Pulei da cama, a adrenalina já tomando conta de mim.
Embora a última parte parecesse improvável, considerando a visão precária da minha avó, decidi não arriscar. Segui-a pelo corredor enquanto ela continuava murmurando sobre os horrores lá embaixo.
Assim que nos aproximamos do início do corredor, o som das vozes começou a ecoar pela mansão. Elas ficavam cada vez mais altas, um coro de gritos e acusações que já me dava dor de cabeça antes mesmo de ver o que estava acontecendo.
Quando cheguei ao topo da escada, tive um choque. Todas as luzes da casa estavam acesas, e todos estavam reunidos no pé da escada. E, como se a noite já não estivesse caótica o suficiente, lá estava ele.
Mattia.
Ele estava parado parecendo estranhamente calmo, enquanto o restante da minha adorável família parecia à beira de um colapso coletivo.
“Perfeito,” pensei, respirando fundo. “Mais um ato para o espetáculo desta noite.”

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!