Quando Alexander finalmente saiu do banheiro, o vapor quente seguiu seus passos, embaçando ligeiramente o espelho da penteadeira. Ele parou perto do sofá onde eu tinha cuidadosamente colocado os travesseiros e a colcha. Seus olhos demoraram-se ali antes de se voltarem para mim, ainda deitada na cama, observando-o como uma presa avalia um predador.
Nossos olhares se cruzaram. Ele me encarava com aquela intensidade gelada que costumava me deixar sem saber se era uma acusação ou um desafio. Eu, por outro lado, não recuaria. Mantive meus olhos fixos nele, transmitindo um claro “Sim, você foi chutado para o sofá. E daí?”
O silêncio parecia esticar-se entre nós, carregado de coisas não ditas. Ele foi o primeiro a quebrá-lo, sua voz baixa, mas inconfundivelmente autoritária:
— Charlotte, é melhor você levar meus travesseiros de volta para a cama.
Minha resposta saiu fria, calculada:
— Tudo bem.
Levantei-me com uma calma exagerada, passei por ele e peguei os travesseiros. Coloquei-os de volta ao lado dele na cama, mas, ao invés de me deitar no meu lado, agarrei meus próprios travesseiros. Estava decidida a ir para o sofá. Se ele queria ignorar meus sentimentos, então seria ignorado também.
Quando passei novamente por ele, senti sua mão agarrar meu braço, firme e decidida. O toque o trouxe para mais perto de mim, seus olhos escuros encontrando os meus com uma intensidade que me fez prender a respiração.
— Você já amou aquele homem? — Sua pergunta saiu direta, sem rodeios. — Como uma mulher ama um homem?
A surpresa travou minha língua. Por um momento, só consegui encará-lo, buscando algum sinal do que ele estava pensando. Antes que eu pudesse responder, ele continuou:
— Quando investiguei Mattia, não encontrei nada comprometedor. Ele sabia que eu iria atrás dele e deixou pistas de propósito. Uma conta falsa com fotos de vocês dois, acompanhadas de uma ameaça. Ele disse que, se eu expor nosso casamento, ele exporá essas imagens.
Senti o estômago revirar. Mattia tinha tramado contra mim o tempo todo enquanto eu, ingênua, quase implorava por misericórdia em seu nome. Ainda assim, o tom de Alexander estava longe de acusar apenas Mattia. Ele parecia mais interessado em outra coisa.
— Passei horas olhando aquelas fotos. — Ele admitiu, a voz levemente mais baixa, mas ainda carregada de controle. — Eu conheço você, Charlotte. Vi o sorriso que deu a ele, a maneira como olhava para ele… Vocês estavam felizes. Você o amava, não amava?
A dor escondida em suas palavras me atingiu como um golpe. Não era comum Alexander expor algo tão pessoal, mas ali estava ele, vulnerável, mas ainda mantendo sua postura impenetrável. Respirei fundo e respondi com honestidade:
— Sim, eu o amava… No passado.
Ele soltou meu braço, seus olhos desviando dos meus. Ele balançou a cabeça lentamente, como se estivesse processando algo que já sabia. Sua próxima pergunta veio carregada de uma vulnerabilidade quase dolorosa:
— E antes dele? Aquele outro namorado, você já o amou?
— Não. — Respondi sem hesitar, vendo como ele respirava fundo, tentando manter a compostura.
A pausa que se seguiu foi insuportável, até que ele perguntou, a voz finalmente quebrando um pouco:

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