E como esse meu marido manipulador conseguiu me enganar? Bem, senta que lá vem história.
Eu estava no meio de um relatório importante com um colega de trabalho quando o telefone começou a vibrar sobre a minha mesa. O som cortou o ambiente silencioso, e, quando olhei a tela, meu coração deu um salto digno de uma final olímpica de salto em altura. O nome dele piscava, em letras grandes e assustadoramente familiares: Alexander.
Agora, antes que você ache que eu sou uma dramática sem motivo, deixe-me explicar algo importante: Alexander nunca me liga. Nunca. Para ele, o telefone é uma ferramenta para emergências, negócios ou, quem sabe, um apocalipse zumbi. “Oi, amor, só liguei para ouvir sua voz” simplesmente não faz parte do vocabulário dele. Eu sempre estou cercada por guarda-costas — ou como prefiro chamar, os olhos do Big Brother — então, se algo ruim acontecer, ele será informado antes mesmo de mim. Além disso, ele nunca, em toda a sua vida de CEO impecável, gastaria tempo ligando só para dizer que sente minha falta. Isso seria… romântico demais. Ou humano demais.
Então, é claro, eu fiquei em pânico. Pedi licença, saí do escritório o mais rápido que pude e corri para a escada, como se minha vida dependesse disso. Atendi a ligação antes de perder o fôlego completamente.
— Alexander! O que aconteceu? — perguntei, tentando controlar a voz.
Ele ficou em silêncio por um segundo antes de perguntar, em seu tom neutro habitual:
— Por que você está ofegante?
Eu pisquei, confusa.
— Porque… eu corri para atender sua ligação!
— E por que não atendeu no escritório? — Ele parecia genuinamente curioso, o que me deixou ainda mais irritada.
— É um hábito — resmunguei, incerta.
Alexander suspirou, provavelmente achando que eu era uma aberração ambulante. Ele esperou pacientemente até minha respiração voltar ao normal antes de anunciar:
— Minha mãe está no hospital.
Minha ansiedade deu um salto triplo.
— Ela está bem? É sério? — perguntei, meu tom misturando preocupação e urgência.
Ele respondeu, com a calma de quem estava avisando sobre o clima:
— Saberemos quando chegarmos lá. Já tirei uma licença para você. Estou esperando no carro na entrada.
— Certo. Vou descer agora! — confirmei, desligando rapidamente.
Ao final, Lily soltou uma pérola que deveria ter sido acompanhada por uma salva de palmas:
— Ela provavelmente fingiu tudo isso só para te atrair ao hospital.
Então, ela me lançou um olhar gelado e adicionou:
— Olivia e sua mãe estão vindo visitá-la. Sugiro que leve sua esposa e vá embora antes que assuntos desagradáveis sejam discutidos na presença dela.
Olhei para Alexander, esperando qualquer reação que fosse, mas ele manteve a mesma expressão apática, como se não tivesse acabado de ser informado de que sua mãe era capaz de fingir uma doença para manipular todos ao seu redor. Eu, por outro lado, me senti uma completa idiota por ter desperdiçado meu tempo e minha preocupação com aquela mulher.
Minha tolerância a intrigas é praticamente nula, e minha habilidade de sorrir para inimigos declarados é inexistente. Então, naquele momento, não precisei de nenhuma evidência adicional. As palavras de Lily soavam como a mais pura verdade.
— Obrigada, Lily. Agradeço sua honestidade — declarei, porque, por mais que nossas relações estivessem no nível “guerra fria”, eu sabia reconhecer quando alguém falava a verdade.
Sem perder mais tempo, enrosquei meu braço no de Alexander e puxei-o em direção à saída. Não me dei ao trabalho de olhar para minha sogra ou de proferir palavras educadas antes de sair. Algumas pessoas simplesmente não merecem nosso esforço, e, naquele dia, ela havia se tornado uma delas.

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