Definitivamente, não é o dinheiro dele. Muito menos seu status, que me dá mais calafrios do que conforto. Quanto à aparência celestial… bom, não posso negar que o homem é uma obra-prima ambulante, mas isso, por si só, nunca foi suficiente. Se fosse, ele teria sido minha primeira paixão — e isso nunca aconteceu. Afinal, Alexander Speredo sempre foi insuportavelmente bonito.
Passei os olhos por ele, analisando cada detalhe com uma intensidade quase clínica. Depois de um longo momento, ergui o rosto e lancei um olhar sério, quase grave.
— Sabe o que realmente me tenta em você? Seu intelecto desonesto. Acho que amo mais o fato de você ser uma raposa sorrateira.
Os olhos de Alexander brilharam com aquela mistura de surpresa e provocação que ele dominava tão bem. Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço de maneira desconcertante.
— Isso é um elogio? — perguntou, inclinando a cabeça ligeiramente, enquanto um sorriso ladeava sua boca. — Ou está tirando sarro de mim de novo?
Cruzei os braços, resistindo ao impulso de me afastar.
— Estou falando sério. Pelo menos é algo imutável em você, não importa o quanto o mundo mude.
Houve um silêncio carregado antes de eu continuar, porque, como sempre, minha mente resolveu tomar um desvio completamente aleatório:
— Mas… e se eu ficar careca um dia? — soltei, estreitando os olhos para ele. — Se eu não tiver mais cabelo molhado para te tentar, será que você ainda vai sentir alguma coisa por mim?
Alexander franziu a testa por um instante, claramente sem conseguir acompanhar o salto mortal que minha linha de pensamento tinha acabado de dar. Então, algo inesperado aconteceu: ele começou a rir. Não aquele riso contido e controlado que ele usava para disfarçar emoção. Era um riso genuíno, profundo, que reverberava pelo quarto.
Eu o observei, confusa e um pouco ofendida.
— Por que está rindo? Eu estou sendo prática! Calvície é um fato da vida!
Ele se inclinou na minha direção, ainda com os olhos marejados de tanto rir.
— Porque só você, Charlotte… só você conseguiria transformar uma conversa sobre sedução em um debate hipotético sobre calvície.
— E isso é um problema? — ergui o queixo, desafiadora.
Alexander segurou meu rosto entre as mãos, aproximando-se tanto que o calor de sua pele se fundiu com o meu.
— Não. Não é problema algum. É apenas mais uma das razões pelas quais… eu realmente amo você.
Meu coração deu aquele salto irritante no peito, e senti as palavras dele ecoando em um lugar que eu raramente admitia existir.
— Eu também te amo… muito — murmurei, a voz mais baixa do que eu pretendia.
Alexander não respondeu com palavras. Ele raramente fazia isso. Em vez disso, tomou minha boca em um beijo que parecia querer me convencer de algo que ele não conseguia colocar em palavras. E, naquela noite, mais uma vez, eu não tive sossego.
Assim que entrei no quarto, carregando o cheiro de chá e biscoitos, fui recebida pela visão de Alexander parado ao lado da porta. Braços cruzados, expressão impenetrável, aquele ar de predador prestes a dar o bote.
— Charlotte, ou você anuncia que está casada agora, ou eu faço isso por você. — A voz saiu tão cortante que poderia perfurar aço. — Você tem dois minutos.
Parei no meio do movimento, pisquei algumas vezes, confusa. Ele não podia estar falando sério.
— Perdão? — perguntei, tentando absorver a ameaça absurda.
— Você ouviu. — Ele inclinou a cabeça, a postura imponente, como se me desafiasse a contestar.
Soltei o ar lentamente, cruzando os braços.
— E para quem exatamente devo anunciar minha “condição de mulher casada”? Para os fantasmas desta mansão? — retruquei, sentindo o sarcasmo fluir como um reflexo natural.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!