Naquela época, eu era uma especialista em interpretar tudo da pior forma possível. Não sabia nada sobre os sentimentos de Alexander por mim — na verdade, mal o conhecia o suficiente para acreditar que ele tinha sentimentos. Para mim, ele era apenas um homem mimado, acostumado a impor sua vontade sem considerar os outros. Como eu estava enganada.
O que eu não percebia é que Alexander, por mais frio e calculista que fosse com o resto do mundo, só perdia a calma por minha causa. E, aparentemente, Olivia havia percebido isso.
— Alexander, você está envergonhando sua prima — interveio Olivia, posicionando-se entre nós. — Todo mundo está olhando.
Minha raiva, que já estava quase transbordando, foi imediatamente canalizada para ele. Enquanto varria o entorno com o olhar, percebi que Olivia estava certa. Vários convidados haviam interrompido suas conversas para nos observar. Os olhares deles me analisavam de cima a baixo, como se eu fosse algo exótico e inadequado que havia invadido aquele espaço.
Meu rosto queimava de vergonha, mas foi a indignação que venceu.
— Quem é você para questionar minha moral, Alexander? — Minha voz saiu cortante. — Eu não tenho o seu dinheiro, mas ainda tenho meu orgulho. O erro foi meu por vir aqui em primeiro lugar.
Saí antes que ele pudesse responder, ignorando os murmúrios ao meu redor e tentando manter o pouco de dignidade que ainda restava. Caminhei até o portão externo da mansão, onde o ar fresco ofereceu um alívio momentâneo. Eu só queria que Mattia chegasse logo para me tirar dali.
Mas, claro, Alexander não sabia quando desistir.
O som de passos atrás de mim me fez virar com um impulso irritado, e lá estava ele novamente. Seu olhar fixo em mim tinha algo que eu não conseguia decifrar, mas que me deixava ainda mais furiosa.
— Por que você está aqui? — disparei. — Ainda não se cansou de me envergonhar? É para isso que fui convidada, para ser ridicularizada e desrespeitada?
Alexander continuava avançando até estar a poucos passos de mim. Sua presença era tão intensa que parecia ocupar todo o espaço ao meu redor.
— Seu namorado sabe que você é parente dos Speredos? — ele perguntou, com uma calma traiçoeira.
Aquela pergunta foi a gota d’água.
— O que há de tão especial na sua família? — rebati, com sarcasmo venenoso. — Somos completos estranhos, Alexander.
Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós, enquanto meu olhar ardia de indignação.
— Não sei por que fui convidada hoje, mas agora sei. Você queria me lembrar do meu lugar. Não se preocupe, não vou usar o nome Speredo para nada. Nunca pedi sua ajuda, e garanto que nunca pedirei. Agora volte para sua festa e me deixe em paz.
Minha voz falhou um pouco no final, mas não dei a ele a chance de perceber. A mágoa havia se transformado em algo mais afiado, um ódio irracional que eu nem sabia que carregava.
Alexander me olhava como se eu fosse um quebra-cabeça que ele não conseguia montar. Por um segundo, achei que ele fosse tentar argumentar, mas tudo o que ele fez foi gritar meu nome:
— Charlotte!
Apenas isso. Apenas meu nome, dito em um tom tão desesperado que ecoou dentro de mim.
Esperei que ele dissesse mais alguma coisa, mas o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Eu não tinha mais nada a dizer, então virei as costas para ele e continuei aguardando Mattia.
Para minha surpresa, Alexander também ficou. Ele não tentou se justificar, nem voltou para a festa. Apenas ficou ali, imóvel, observando minhas costas enquanto o tempo passava.
Anos depois, quando penso naquela noite, tudo o que consigo lembrar é da ironia de toda a situação. Eu, gritando com Alexander, achando que ele estava ali para me humilhar, quando, na verdade, ele só queria me proteger. Ele sempre foi a vítima dos planos da própria família, que me usavam como uma peça para manipular seus movimentos.

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