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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 90

Eu praticamente saltei da cadeira, sentindo meus passos tomarem vida própria enquanto deixávamos aquela sala sufocante para trás. Era como se meu corpo tivesse decidido que quanto mais rápido eu saísse daquele lugar, melhor. Mas, claro, Alexander interpretou meu súbito ritmo acelerado de uma maneira muito mais dramática.

— Charlotte! — Ele chamou, sua voz carregando uma mistura de urgência e algo que parecia... pânico?

Virei-me, curiosa, apenas para encontrá-lo mais pálido do que eu achava humanamente possível para um homem que parecia inquebrantável. Ele não me deu tempo para perguntar se estava tudo bem — não que ele fosse admitir alguma coisa, é claro — antes de atravessar a curta distância entre nós com passos decididos.

— Fique ao meu lado. Não ande sozinha. — Sua voz tinha um tom de comando que não admitia discussão. E então, como se não confiasse na minha capacidade de seguir ordens, ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus com firmeza.

Se a ideia era parecer protetor, o efeito foi outro: minha mente entrou em curto-circuito. Fazê-lo segurar minha mão era uma coisa rara, mas fazer isso em público? Alexander Speredo não era conhecido por demonstrações afetuosas, especialmente com guardas espalhados por todos os lados observando cada movimento nosso.

Enquanto ele me arrastava para fora da prisão, senti minhas bochechas queimarem. Não que fosse a primeira vez que algo assim acontecia, mas o desconforto nunca diminuía. Recordei-me da primeira vez que ele segurou minha mão em público, um episódio que continua gravado na minha memória por razões igualmente embaraçosas.

Foi cerca de quatro meses após o nosso casamento, o que, sejamos honestos, é tempo suficiente para questionar se ele pretendia sequer tocar em mim. Naquela tarde, eu estava trabalhando em um artigo, focada na tela do computador por horas a fio. Quando meus olhos já estavam secos e ardiam como se eu tivesse passado limão neles, decidi sair para tomar um ar fresco no jardim.

Ao descer as escadas, percebi que toda a família Speredo estava reunida na sala principal. Alexander estava ali também, sentado em sua poltrona habitual, com a expressão estoica que já conhecia bem. Exceto que havia um detalhe que transformava aquela cena em algo completamente irritante: Olivia Koudali estava sentada no braço da poltrona dele.

De todas as poltronas, sofás e cadeiras espalhados pela mansão, ela decidiu que o lugar perfeito era o apoio de braço da poltrona do meu marido. Porque, obviamente, colocar o ombro dele perigosamente perto da coxa dela era a ideia mais brilhante que teve ao voltar de sua viagem ao exterior.

— Charlotte! — Olivia foi a primeira a notar minha presença. Seu sorriso era radiante, como se fossemos melhores amigas. — Que bom ver você! Como está?

— Bem. — Respondi com a mesma empolgação de quem discute o tempo com um estranho no elevador.

— Pedi ao Alexander para te chamar, mas ele disse que você estava descansando. Achei melhor não a incomodar.

A mentira foi tão descarada que precisei me controlar para não revirar os olhos. Eu estava acordada há horas e Alexander sabia disso. Mas não valia a pena corrigi-lo.

— Sim, estava com dor de cabeça. — Respondi, dando-lhe o benefício da dúvida.

— Trouxe algo para você! — Olivia exclamou, alcançando uma caixa embrulhada em papel brilhante na mesa à sua frente. Claro, ela não se deu ao trabalho de se levantar, então fui obrigada a caminhar até ela para pegar o presente. Ao desembrulhar, encontrei uma paleta de maquiagem luxuosa.

Receber aquele presente foi como um tapa disfarçado de carinho. Uma paleta de maquiagem? Sério? Era o tipo de coisa que gritava: “Você precisa disso”. Como se eu não soubesse que minha relação com maquiagem era tão distante quanto Alexander e a palavra “afetuoso”. Mas, com a graciosidade de uma pessoa que engole sapos há anos, agradeci, entreguei a uma empregada e fiz uma anotação mental para jogar no lixo mais tarde.

Não planejava perder mais um segundo naquela sala sufocante. Então, dei minha desculpa e caminhei para o jardim, meu santuário. Meu destino era um canteiro de narcisos, minhas flores favoritas. Ficar ali, admirando-as, sempre me trazia uma paz quase nostálgica. Narcisos me lembravam da minha cidade natal, dos dias mais simples antes de me casar com Alexander e herdar a confusão emocional que ele carregava.

Estava tão imersa na contemplação das flores que demorei a perceber quando alguém se aproximou. A palma quente de uma mão envolveu a minha sem aviso. Virei-me rápido, meu coração já acelerando por pura ansiedade. E quem mais seria além dele? Alexander estava ao meu lado, sorrindo, como se segurar minha mão no meio do jardim fosse algo natural.

Minha primeira reação? Olhar para a casa, porque é claro que todos estavam espiando pela janela. Minha sogra, Olivia e os outros membros da família estavam lá, fingindo que não tinham percebido nada, mas suas expressões denunciavam o contrário. Meu rosto queimou instantaneamente.

— O que você está fazendo? — sussurrei, tentando ignorar o calor subindo pelo meu pescoço.

Ele inclinou ligeiramente a cabeça, como se estivesse se divertindo com meu constrangimento. Mantendo minha mão firmemente entre as suas, Alexander fez algo que me tirou do eixo: ele levou minha mão aos lábios e beijou suavemente as costas dela.

Senti um arrepio tão forte que me perguntei se o verão havia tirado férias e dado lugar a uma nevasca. Meu corpo reagiu de um jeito que me irritou profundamente.

— Sua cabeça está melhor agora? — Ele perguntou, com uma serenidade que me fez querer atirar um narciso na cara dele.

— Minha cabeça nunca doeu, Alexander. Foi uma mentira. Como a sua. — Minha voz era mais fria do que a noite anterior ao nosso casamento.

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