Quando Marina Fontes saiu da prisão, uma lufada de vento gélido a atingiu, arrastando folhas secas e amareladas que farfalharam asperamente pelo chão.
Apesar do inverno rigoroso e asfixiante, ela fechou os olhos e sorveu o ar fresco com avidez.
Três anos atrás, com o bater pesado do martelo do juiz, ela havia sido condenada a três anos de prisão sob a acusação de "suspeita de homicídio". Hoje, finalmente, sua pena havia chegado ao fim.
Ao longe, Marina avistou um carro de luxo, negro como a noite, estacionado no acostamento. Era uma visão absurdamente familiar. O coração dela deu um solavanco surdo.
Era ele! Henrique Medeiros!
Imediatamente, a cena de três anos atrás inundou sua mente... No tribunal, Henrique havia apresentado as supostas provas de que Marina teria assassinado a mulher que ele realmente amava, Lívia Carvalho.
Isso tudo apesar de, na época, Henrique e Marina já estarem casados há três anos. Eles eram marido e mulher.
Ele soltou as palavras com uma frieza cortante: — Assassinos devem pagar com a própria vida.
No fim, o tribunal considerou que as provas eram insuficientes para determinar Marina como a autora principal do crime, sentenciando-a a apenas três anos.
Ela havia corrido até o banco da acusação, agarrando as mãos de Henrique, implorando em desespero.
— Henrique! Eu não matei ninguém! A morte da Lívia não tem nada a ver comigo!
— Henrique, me salva, eu não quero ir para a prisão...
Mas, não importava o quanto ela suplicasse, o rosto de Henrique permanecia sombrio, exalando uma aura gélida, como gelo milenar.
Foi só quando uma policial a puxou à força que o homem tirou um lenço de seda do bolso e, sem a menor pressa, limpou as mãos exatamente onde ela o havia tocado.
Vestindo um terno sob medida inestimável e com as longas pernas cruzadas no banco da acusação, ele ajeitou os óculos de aros dourados. Seus olhos profundos eram um abismo indecifrável.
Sua voz soou limpa, mas tão fria quanto gotas de chuva congelando sobre a pedra, desprovida de qualquer calor humano.
— Marina, se você não matou ninguém, por que não foi você quem morreu atropelada?
— Era você quem deveria ter morrido!
Os gritos e choros de Marina cessaram abruptamente. Com o rosto banhado em lágrimas, ela apenas o encarou, em choque absoluto...
Uma folha seca dançou ao sabor do vento e pousou em seu ombro, arrancando-a de súbito dessas lembranças sombrias.
Observando o tapete de folhas mortas no chão, como se tivessem sido cruelmente descartadas pelas árvores, e sentindo as rajadas do vento cortante, Marina encolheu os ombros instintivamente e enfiou as mãos nos bolsos do casaco.
Durante três anos, naquele buraco escuro e sem esperança, a pior tortura havia sido a solidão.
Ela era a herdeira da Família Fontes. Aquela mesma família que, aos olhos dos outros, já foi capaz de encobrir os céus com as mãos, mas que nos últimos dois anos vinha gradativamente entrando em declínio. Desde pequena, Marina foi mimada e amada, nunca sofrendo a menor injustiça.
No entanto, nos últimos três anos lá dentro, o que ela mais se acostumou a fazer foi contar. Do nascer ao pôr do sol... No começo, contava os dias que faltavam para sair. Depois, simplesmente ficou entorpecida, apenas repetindo em silêncio que um dia tinha oitenta e seis mil e quatrocentos segundos.
A solidão infinita era como um monstro de mandíbulas escancaradas na escuridão, devorando sua vivacidade e inocência, pedaço por pedaço.
E também extinguiu, por completo, todo o calor e amor que ela sempre nutriu por Henrique desde a infância.
Agora, ao cruzar os portões da prisão... seu coração era como um lago estagnado, incapaz de formar uma única marola.
Ela sabia que, em relação àquele homem — atrás do qual ela sempre correu desde criança, chamando-o de "Henrique" a cada frase, apenas para receber incontáveis olhares de desprezo em troca —, seu coração estava definitivamente morto!
O passado era como o vento; realmente havia se dissipado, sem levantar um único grão de poeira.
Marina ficou parada no acostamento, encarando o carro em transe.
Dois segundos depois, sem hesitar, ela deu as costas e caminhou na direção oposta...
Enquanto isso, dentro do carro, Henrique estava recostado no banco, de olhos fechados, tentando descansar após várias noites consecutivas de horas extras no escritório.
Mas a Senhora agiu com tamanha ingratidão, escondendo-se dele de propósito... Parecia que, mesmo após três anos na cadeia, sua atitude de criança mimada e teimosa não havia mudado em nada.
Se fazendo de difícil? O Senhor era um predador nos negócios, massacrando qualquer obstáculo. Que tipo de conspiração ou truque ele já não tinha visto?
O que a Senhora estava fazendo era cutucar a onça com vara curta — estava praticamente cavando a própria cova!
Henrique empurrou os óculos de aros dourados no nariz, com um desdém palpável.
— Para onde mais ela iria além de casa?
Em três anos de casamento, ninguém conhecia aquela mulher melhor do que ele.
Desde que eram crianças, ela parecia incapaz de sobreviver um único dia sem vê-lo.
Portanto, mesmo que não estivesse tentando se fazer de difícil, com certeza havia corrido para casa mais cedo para se arrumar e lhe fazer uma surpresa.
Afinal, tendo acabado de sair da prisão, suja e malcuidada, ela provavelmente achava que não tinha rosto para se apresentar a ele daquele jeito, com medo de que ele a achasse ainda mais repulsiva.
Pensar nisso fez Henrique franzir a testa ainda mais. Bastava lembrar da forma como aquela mulher vivia se rastejando atrás dele para que uma onda de irritação o dominasse.
E, para piorar, João não teve o bom senso de ler a atmosfera.
— Senhor, então devo levá-lo para casa?
Henrique lançou-lhe um olhar tão gélido que João estremeceu até a alma, com o corpo enrijecendo.
Ele percebeu imediatamente que havia falado a coisa errada.
— Para a empresa. — O rosto de Henrique era uma máscara de gelo. Ele desviou o olhar para a janela, a voz soando fria e desprovida do menor traço de calor humano.

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