Segunda noite seguida sem Benjamim. Enquanto rolava na cama de um lado ao outro, ela não suportava olhar para o lugar vazio, ainda mais com a sensação de que Benjamim estava escondendo algo dela, invadindo seu peito a cada minuto.
Antonela se levantou impaciente. Já eram quatro horas da manhã, logo amanheceria e ele não havia retornado. Não adiantaria tentar dormir, ela não conseguiria até que Benjamim retornasse. Calçou as sandálias e decidiu que desceria e tomaria um copo de água enquanto mexia no celular, para que talvez assim o tempo passasse mais rápido. Quando ela levou a mão para pegar o aparelho, ele vibrou.
Seu coração congelou com a notificação que brilhou no aparelho. O nome de Benjamim com o de Helen apareciam juntos em uma mensagem incompleta, de um canal de fofocas. Alguns dias atrás, Antonela decidiu que seguiria aquelas páginas para saber exatamente como se defender deles. Fazia muito tempo que ela não recebia nenhuma nova notificação.
Percebeu então que sua mão ficou suspensa no ar, congelada, como se ela não tivesse coragem de ler o que estava escrito ali. Só depois de muito tempo, ela segurou o aparelho, olhando para a tela bloqueada e esperou o coração parar de socar seu peito, antes de saber sobre o que se tratava.
Seus dedos trêmulos arrastaram a tela e ela clicou na notificação. Os olhos arregalados, o rosto iluminado pela luz do celular e apenas a foto que apareceu fizeram ela paralisar como uma estátua de sal que viu algo que não deveria ter visto.
“Benjamim passa a noite no hospital com Helen Benedite para acompanhar a cirurgia da senhora Benedite.”
O coração de Antonela dispara. Seus olhos recaem sobre a data, a matéria havia sido postada há trinta minutos. Seus dedos correm pela tela, desesperados na busca de alguma informação que comprovasse que o que ela lia era verdade. A roupa que Benjamim usava, a maleta em suas mãos indicavam que aquilo havia acontecido na noite anterior e a matéria confirmava suas suspeitas.
“Benjamim Dylon acompanhou Helen na noite de ontem, enquanto Benedite passava por uma delicada cirurgia. Infelizmente, a anfitriã faleceu no início dessa noite.”
A dura realidade da situação formou um sorriso amargo em seus lábios. Benjamim não havia ido em reunião alguma, ele estava com a Helen na noite passada e agora estava com ela naquele exato momento também. A senhora Benedite era a amiga dele que havia falecido.
Ela não conseguiu terminar de ler a matéria porque as lágrimas embaçaram sua visão. Sentiu o coração tomado por um desespero repentino, uma dor aguda que quase não a deixava respirar. Agora tudo fazia sentido. O arrependimento nos olhos dele, o passeio repentino daquele dia para tentar se desculpar, as mentiras que ele contou, o celular que não parava de tocar e cada vez que Antonela se aprofundava um pouco mais, na verdade, mas ela sentia-se perdida e confusa.
Encontrou o contato de Dominique e ligou para ela. Qual era a chance de Dominique atender uma ligação às quatro horas da madrugada? Duas tentativas e, quando estava prestes a desistir, ouviu a voz rouca do outro lado da linha.
— Eu realmente espero que algo muito grave esteja acontecendo – ela bocejou – só assim para que eu a perdoe por me acordar a essa hora.
— Preciso do endereço da Helen – ela disse apressadamente.
— O quê? – Dominique perguntou – para que você quer o endereço dela?
— O Benjamim não dormiu em casa – ela precisou parar quando um nó sufocou sua garganta – disse que uma amiga havia falecido e eu acabei de descobrir que essa amiga era a mãe da Helen.
— Merda! – Dominique disse com um sussurro do outro lado da linha – ele não contou para você, não é?
— Contou o que, Dominique? – uma lagrima escorreu dos olhos dela.
— Não deveria dizer isso sem antes saber da verdade – levou a mão até a chave e ligou o veículo.
— Como você pode dizer isso a mim, após me esconder uma informação como aquela? – A indignação escapuliu pelos seus lábios – eu soube da verdade por uma página de fofocas. A cidade inteira já sabia, menos eu.
— O Benjamim teve um bom motivo para isso, Antonela – continuou bancando a advogada do diabo – não jogue fora o que vocês demoraram tanto para conquistar.
— Eu já entendi que você está do lado dele – ela passou a mão no rosto, dessa vez chorava de raiva - só me leve até a casa dela e não falaremos mais sobre isso.
Foi nessa hora que Dominique olhou para ela e viu toda a raiva estampada em seu belo rosto. Antonela virou para não ter que encará-la. Sentia-se duplamente traída. Seguiram o caminho em silêncio, embora Dominique sentisse que tinha muito a dizer, respeitou a vontade de Antonela e não tocou mais no assunto.
Quando o carro parou, Dominique apontou em direção à residência. A casa estava quieta e com as luzes apagadas, nem parecia uma casa onde alguém havia acabado de morrer. Antonela caminhou até lá, com Dominique vindo na sua dianteira. Ela precisava garantir que Antonela não cometesse nenhuma grande loucura.
Tocou a campainha e demorou para que alguém a atendesse. Quando a porta se abriu, Helen estava parada à sua frente, vestindo a camisa de Benjamim. Quando Antonela estreitou os olhos, viu Benjamim deitado no sofá com um lençol cobrindo sua nudez.
Ninguém precisou dizer nada a ela, Antonela havia entendido tudo.

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