Liz
Acordo atordoada com a Gabi me balançando.
— Ei, garotinha, acorda. Vamos. Você precisa tomar café e depois limpar tudo. Ontem estava cheio, e hoje à noite teremos mais.
Meu corpo gela.
De novo?
Ser exposta como mercadoria?
Ser tratada como objeto?
Minha dignidade ali não valia nada.
Levanto-me e escovo os dentes com as coisas que Gabi me deu.
As outras garotas se mantêm distantes.
Algumas apenas dizem “oi” e continuam limpando o salão.
Depois de tomar café, começo a limpar com elas.
Terminamos já era tarde.
Gabi me ajuda com as louças e, depois, somos obrigadas a voltar ao quarto novamente, onde devemos esperar até a noite.
Me jogo na cama e fico pensando em tudo o que aconteceu.
Em tudo o que ainda poderia acontecer.
Meu coração estava destruído.
Quando pensei no meu pai, o único sentimento que veio foi ódio e raiva. Queria me vingar.
Queria que ele pagasse por tudo que me fez passar.
— Oi, garota. Só pra avisar, não olhe para o Douglas — Fernanda fala do nada. — Ele é meu cliente, ontem vi ele olhando pra você. Se quiser sobreviver aqui, fica longe dele! — fala em um tom ameaçador.
— Fernanda… — Gabi rebate. — Ela não tem culpa se o seu cliente come ela com os olhos. Ela é linda, isso todos viram ontem.
Mas tudo o que eu pensava era no medo.
No que seria outra noite naquele inferno.

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