Liz
Sou levada mais uma vez para aquele salão, onde vários clientes já estavam bebendo, fumando e se divertindo com as garotas. Mas agora vejo mais três meninas como eu. Elas estavam com um conjunto de lingerie vermelho e a mesma camisola transparente, nos deixando quase nuas. Gabi segura minha mão e me leva até elas.
— Pode ir, Gabi. Seu cliente já está lá te esperando — a senhora fala, fria, me olhando de cima a baixo. — Você tem um corpinho lindo, garotinha. Vejo que vamos ter um bom lance por você. Fique aqui do lado, que vou anunciar essas novas integrantes do leilão. Amanhã teremos quatro garotas virgens — ela fala sorrindo, como se tivesse ganhado na loteria.
Fico ao lado das garotas, que me olham apavoradas. Uma delas só chorava, então me aproximo dela.
— Oi… calma. Precisamos ser fortes para sair daqui vivas — falo carinhosa para ela, que me olha atordoada. Dava para ver que era muito nova, devia ter uns 17 anos no máximo, e isso me causou uma revolta por dentro. Juro que, se pudesse, mataria todos que fazem isso com meninas assim.
— Oi… eles falaram que vou ser leiloada para alguém. Eu só quero sair daqui… quero minha mãe — ela fala soluçando, e eu seguro sua mão, tentando dar apoio.
— Eu sei… calma. Todas queremos sair. Mas você precisa ser forte, tá bom?
Ela balança a cabeça, enxugando as lágrimas.
— Ei, garotas! Sorriam, ok? Vou apresentar vocês para eles. Se alguns dos nossos clientes quiser ver a mercadoria de perto, vão até eles e sejam simpáticas, ok? Não quero reclamação dos meus clientes.
Ela fala fria, nos aterrorizando. Aperto a mão da garota para confortá-la também, porque no fundo eu estava tão nervosa quanto elas.
— Senhores! — ela anuncia no microfone, chamando a atenção de todos, que nos olham sorrindo. A casa estava cheia. Meu coração batia tão forte que parecia que iria sair pela boca. Algo me dizia que hoje não seria fácil. — Aqui temos a Liz, essa linda garota com apenas 18 anos e ainda pura. Ela já foi apresentada ontem e estará no leilão de amanhã — ela fala me puxando para frente, me exibindo como se eu fosse uma mercadoria. Eu estava tomada pela vergonha do biquíni minúsculo e da roupa transparente por cima.
Escuto gritos e assobios dos clientes, eufóricos e desejando me ver como um prêmio. Olho para os rostos e vejo como eles me observam, me deixando com nojo de tudo aquilo.

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