Liz
Eu e ela conversamos muito, mas logo o horário de almoço dela acabou e ela teve que voltar. Antes disso, perguntou onde eu estava ficando, e eu falei do hotel. Ela ficou bem surpresa e prometeu que, assim que saísse, passaria lá.
Agora ainda tinha mais uma coisa a fazer: ir fazer uma visitinha àquele homem que diz ser meu pai. Também precisava pegar meus documentos e minhas coisas, já que tinham ficado todas por lá. Entro no carro.
— Senhor, pode me levar a um lugar antes de voltar ao hotel?
Pergunto, e ele sorri educadamente. Era um senhor de meia-idade. Os seguranças se mantinham à distância, em outro carro, nos seguindo.
— Claro, senhora. É só me dizer o endereço.
Fico animada e passo o endereço para ele. Logo chegamos ao local. Desço olhando para a casa onde morei a vida toda. Claro que não era uma mansão, mas era uma casa boa. O bairro também era bom, com casas grandes e famílias com uma vida financeira confortável. Igual a eles. Eu é que tinha que trabalhar, estudar e ainda servir naquela casa.
Desço do carro confiante, pronta para fazer uma grande surpresa para eles.
O segurança me acompanha, mantendo certa distância. Bato na porta, ansiosa para ver a reação deles, já que com certeza minha querida irmã já devia ter contado que me viu.
— Quem é? — grita minha madrasta.
Não respondo, apenas bato novamente na porta.
— Calma, quem deve ser a essa hora? — ela resmunga, irritada.
Mas quando abre a porta, seus olhos se arregalam, surpresa ao me ver.
— Oi! — falo, sorrindo.
— O quê… o quê faz aqui? — pergunta gaguejando, como se tivesse visto um fantasma.
— Oi, Serafina.
Ela só fica me encarando.
— Liz… como… co-como saiu?
— É desse jeito que me recebe? Preocupada só em saber como eu saí daquele inferno? — falo fria, entrando na casa.
— O que você quer aqui? Agora! — ela grita, tentando me impedir de entrar.
— Sai da minha frente! Vim buscar minhas coisas.
Ela tenta me barrar, mas os seguranças se aproximam.
— Precisa da nossa ajuda, senhora? — pergunta um deles.
Sorrio para ele e me viro.
— Pode deixar. Ela não pode me impedir de entrar na casa que era da minha mãe. Pode esperar lá fora, já saio.
Eles obedecem e se afastam. Serafina me olha apavorada.

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