Liz
Ele segura minha mão por um instante a mais do que deveria. O silêncio entre nós pesa.
Meu coração dispara, mas dessa vez não é apenas desejo. É confusão. É medo. É tudo misturado.
Afastei a mão devagar da sua extremidade excitada. Ele era sedutor e, para conseguir o que queria, estava sendo tão gentil comigo que acabei me deixando levar.
— Eu… eu preciso de tempo — sussurro, sem coragem de encará-lo.
Ele não responde de imediato. Apenas me observa, como se tentasse decifrar algo em mim que nem eu mesma entendia, mas agora com um olhar irritado.
O vento sopra forte na cobertura, quebrando o momento.
— Você tem razão — ele diz por fim, com a voz mais baixa, mais controlada. — Não devia ter ido tão longe. Já que prometi que iria esperá-la, vou cumprir. Mas, garota… não demore muito. Talvez eu não tenha tanta paciência assim — completa em um tom ameaçador.
O silêncio volta, mas agora é diferente. Mais pesado. Mais real.
Abaixo o olhar, tentando organizar os pensamentos.
— Boa noite — digo, por fim.
Dessa vez, sou eu quem se afasta.
E, enquanto caminho de volta, uma coisa fica clara demais dentro de mim:
O perigo não era apenas ele.
Era o que eu começava a sentir.
Precisava deixar bem claro para mim mesma que ele era alguém por quem eu não podia me apaixonar. Alguém que, assim que conseguisse o que queria, iria se desfazer de mim. E esse era o meu maior medo: o que ele faria comigo, após ter gastado tanto dinheiro por minha causa?
Entro no elevador e, quando chego ao andar, vou direto para o meu quarto, trancando a porta com cuidado. Eu não tinha certeza se ele manteria a palavra… mas sabia que, se ele tentasse novamente, eu é que não conseguiria resistir.
Entro no banheiro e rapidamente me livro daquelas roupas que ainda carregavam o cheiro dele. Abro o chuveiro e deixo a água gelada cair sobre o corpo. Era a única forma de tentar controlar as sensações, que ainda estavam vivas demais dentro de mim.
Na manhã seguinte, acordo cedo e desço para tomar café, mas a única pessoa que encontro é uma senhora que me observa com muita curiosidade.
— Bom dia! Prazer, sou a governanta do senhor… Elisabete.
Ela diz isso com simpatia, estendendo um sorriso gentil.
— Prazer, senhora Elisabete. Meu nome é Liz.
— Que nome lindo, senhora. Venha, sente-se aqui. O senhor já saiu bem cedo e me pediu para cuidar muito bem de você. O que precisar, pode pedir para mim.
— Obrigada — respondo, agradecida pela forma como ela estava sendo tão gentil comigo. Mas, quando ela diz que ele já havia saído, sinto algo estranho no peito. Ele foi trabalhar tão cedo… Como será que dormiu?
— Venha, sente-se — ela chama novamente, me trazendo de volta à realidade.
— O senhor é sempre assim. Já falei que ele trabalha demais e precisa descansar, mas é teimoso.
Ela falava dele com tanta intimidade que parecia realmente considerá-lo uma boa pessoa.
Ela me serve uma fatia de bolo fresquinho. Sobre a mesa havia frios, bolachas, torradas e muitas frutas. Aceito um pouco de café e começo a comer. Tudo estava delicioso. Eu estava até me acostumando mal com aquilo: café farto, almoço, jantar… coisas que nunca tive na minha vida.
A manhã passa rápido. Subo até a cobertura e fico admirando a paisagem. Agora dava para ver melhor o mar. A vontade de ir até lá era enorme, mas não sabia se algum dia poderia pisar naquela areia, nadar naquela água salgada.
Mesmo assim, já me sentia feliz só por poder ver tudo dali de cima, sentindo o vento forte brincar com meus cabelos.

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