Bryan
Passei a manhã resolvendo problemas e atendendo alguns clientes importantes, em especial Guilherme Bitencourt. Não havia como adiar. Ele já demonstrava insatisfação com os cancelamentos das reuniões e ainda soltou uma ironia, dizendo que eu não queria atendê-lo. Expliquei a situação, mas conhecia bem o temperamento difícil dele. Era apenas um conhecido — nada, além disso.
Meu irmão já havia me ligado três vezes, questionando por que eu estava longe da capital, perguntando se algo havia acontecido.
Eu sabia o motivo real da preocupação dele.
Ele queria o meu lugar.
A raiva que sentia por mim vinha do fato de eu ser apenas um ano mais velho e, ter sido escolhido pelo meu avô para assumir o comando. Meu pai foi praticamente obrigado a me nomear sucessor. Meu irmão sempre me odiou.
Nunca disse isso em voz alta, e ninguém jamais percebeu… mas eu vi antes mesmo de ser oficialmente nomeado herdeiro.
Na escola, ele competia comigo o tempo todo. Seus amigos me provocavam, tentavam me diminuir. Mas eu sempre fui mais esperto. Treinei duro. E qualquer um que ousasse me desafiar… eu derrubava sem piedade.
Com o tempo, pararam de me provocar.
Começaram a me temer.
Foi aí que surgiu o apelido. Diziam que nenhum inimigo sobrevivia ao Capo Demônio.
Na Itália, fiz o que precisava ser feito — e carrego as consequências até hoje.
O treinamento para entrar na máfia era brutal. Exigente. Desumano. Muitas vezes eu chegava em casa completamente arrebentado, coberto de hematomas, o corpo em frangalhos… e, ainda assim, meus pais sorriam, orgulhosos, felizes por eu ter conseguido avançar mais uma etapa.
E agora eu precisava garantir o meu posto.
O posto que o vovô confiou a mim.
Além de tudo isso, já deixei um dos meus homens de confiança cuidando do assunto do Covil dos Dragões. Hoje ele me informou que conseguiram capturar alguns homens e libertaram três garotas que estavam sendo levadas para lá.
Ainda não posso destruí-los de vez. Preciso de provas.
Três homens estavam infiltrados lá dentro. E quando finalmente acabar com eles, quero ser eu a dar essa notícia à Liz.
Termino tudo, mando Henrique encerrar por hoje. Amanhã eu viria cedo e resolveria o restante das pendências, já que em breve iria viajar.
— Olá, senhor Bryan. Deseja alguma coisa?
Juliana, minha secretária, entra na sala e pergunta, me olhando com malícia.
Eu já havia me envolvido com ela ali mesmo, naquela mesa. Mas agora… a única mulher que eu conseguia imaginar naquele lugar era Liz.
Os olhos doces.
O sorriso leve.
Os cabelos longos.
Era impossível tirá-la da minha mente — mesmo com uma linda ruiva parada diante de mim.
O que estava acontecendo comigo? Me pergunto mentalmente.
— Oi, Juliana. Não precisa. Já estou saindo.
Pego minhas chaves e deixo o escritório, passando por alguns funcionários no prédio comercial da empresa. Alguns sorriem, outros apenas me observam de longe.
Nunca fui de cumprimentar ninguém. Sempre mantive distância, deixando Henrique e Juliana cuidarem dos problemas internos de lá.
Não demoro muito para chegar ao meu apartamento. Já havia avisado a Elisabete que almoçaria em casa.
Entro e dou de cara com Jéssica parada diante de Liz, e ao lado delas está minha governanta, que me olha surpresa.
— Querido! — Jéssica grita de imediato, vindo até mim e me abraçando.

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