Liz
Já era tarde da noite, a Elisabete falou que ele não viria jantar e que não precisávamos nos preocupar, que ele não teria hora para chegar.
Isso me irritava. Será que ele estava com aquela mulher?
Não sabia por quê, mas sentia meu coração inquieto. Tentei várias vezes fechar os olhos e dormir, mas não conseguir.
Olho a hora no celular: já eram 2 da manhã. Me senti tão chateada. Sabia que nós não éramos nada, não tínhamos um compromisso, a única coisa que tinha era essa maldita dívida esse maldito contrato — claro que graças a ele não tive outro fim, se não minha vida estava acabada, ele me salvou, tirou-me daquele cativeiro daquele lugar que até hoje quando fechos os meus olhos lembro de tudo. Isso nunca podia esquecer. Mas toda às vezes que tento me entregar, algo me trava. Sempre sonhei em me entregar para alguém que amasse e que fosse casar, mas agora estava me entregando por um acordo, e tudo graças àquele homem que deveria ser meu pai, como odiava ele.
Me levanto, e visto meu robe branco de seda e resolvo desce. Precisava caminhar um pouco, talvez seria melhor comer algo para ver se conseguiria dormir, já que estava impossível pegar no sono.
Ando pelo apartamento, que estava tudo escuro, mas algumas luzes vão se acendendo, já que tinham sensor de presença me denunciando. Caminho em direção à cozinha, rapidamente e localizo as coisas que queria comer. Só não sentia vontade de comer, apenas pensava nele com aquela mulher, aquela modelo belíssima, ela era famosa e linda, claro que ele nunca iria trocar ela por mim.
— Ainda acordada! — uma voz grossa ecoa na cozinha, me assustando. Engasgo-me com um pedaço de pão, tossindo sem parar.
— Que susto! — falo brava, olhando para aquele homem vestido totalmente diferente de como costuma se vestir.
Ele me olhava sério, mas dava para ver que havia bebido, e não era pouco, já que sua voz entregava a embriaguez.
Ele se aproxima de mim, me deixando em alerta.
— Me esperando? — fala sorrindo com ironia. Sentia seu hálito com um leve aroma de álcool.
— Por que bebeu assim? — pergunto, olhando em seus olhos desafiadores.
— Por sua culpa! — fala bravo, me puxando para ele e levantando meu rosto para olhá-lo.
— Por minha causa? — pergunto, confusa, tentando me soltar.
Ele solta uma gargalhada, me assustando. Meu coração pulava como nunca.
— Você! — fala frio. — Maldita hora que fui aquela cidadezinha! — fala, me olhando com raiva.

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