Liz
Sou acordada por Elisabete.
_ Bom dia! senhora — disse ao entrar no meu quarto.
Me levanto sentindo o meu corpo todo dolorido, principalmente naquele lugar, mas as lembranças da noite vêm à minha mente, me deixando envergonhada por ter acabado me entregando para ele.
_ Bom dia! Elisa.
_ A senhora está bem? Parece estar febril, deixe-me ver — ela se aproxima com uma bandeja em uma mão e, com a outra, toca minha testa.
_ Não é nada — falo envergonhada, sabendo o motivo de estar me sentindo tão quente — estou bem, Elisa, não se preocupe.
_ Tem certeza? Estou achando a senhora tão quente — fala, preocupada.
_ Estou…
_ Tá bom. Bom, o senhor mandou você tomar esse remédio e falou para se arrumar, que ele irá esperá-la para o café e depois viajar.
_ O quê?! — falo alto, assustando-a — viajar?
Ela sorri pela minha reação de surpresa.
_ Ele ainda não contou à senhora?
Balanço a cabeça, chateada e com receio de onde nós estávamos indo.
_ Senhora, o remédio — ela me oferece de novo.
Pego o comprimido, já sabendo do que se tratava, já que via minha meia-irmã tomando sempre quando saía com seus ficantes.
_ Obrigada, Elisa. Vou me arrumar e já desço, pode avisá-lo, fazendo favor.
_ Pode deixar, senhora — fala, pegando o copo e se retirando.
Me levanto e me olho no espelho: meus cabelos bagunçados, minhas bochechas vermelhas pelos pensamentos da noite com ele. Era algo que não conseguia tirar da minha cabeça, mas, quando ele saiu para não me engravidar, me senti estranha, como se tivesse sido só usada, mesmo sabendo que era isso mesmo. Não sei por que isso está me incomodando tanto.
Pego uma roupa e entro no banheiro, escovo os dentes, tomo um banho rápido, seco os cabelos, visto um vestidinho básico branco e desço.
As escadas pareciam longas. O apartamento se ampliava e, a cada passo, meu coração acelerava. Eu estava com vergonha, receio de como seria agora, de como ficar cara a cara depois de ontem.
Aproximo-me da sala de jantar e, no mesmo instante, o vejo sentado, mexendo no celular, tão distraído. Seus cabelos ainda molhados e bem alinhados. Usava um conjunto de terno azul-marinho com detalhes em prata. Sinto borboletas no estômago — como alguém podia ser tão lindo? Aproximo-me devagar; parecia que minhas pernas não queriam mais caminhar, e eu me sentia tão infantil.

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