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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 106

Rayra finalmente quebrou o silêncio.

— Sim. — Ela respondeu ao convite.

— O que você vai fazer de gostoso... ou melhor, comprar? Porque cozinhar, você não sabe nada.

Victor se aproximou da cama, intrigado com a provocação. Ele gostava da acidez dela, mesmo que viesse embrulhada em frieza.

— É, tem razão. — Ele admitiu.

— O que você quer comer?

Ele olhou para o celular dela, curioso para ver o que a estava distraindo, mas Rayra foi rápida. Ela bloqueou a tela com um movimento brusco.

— Qualquer coisa. Estou enjoada, indisposta.

Ela se deitou de lado, com os olhos fixos nos dele, com um olhar enigmático, como se quisesse dizer algo crucial que não encontrava voz. Ele a acariciou no braço.

— Quer comer uma sopa? Leve.

Ela manteve o olhar fixo, indecifrável, e balançou a cabeça afirmativamente. Victor se abaixou e a beijou rapidamente no canto da boca, uma surpresa que quebrou a rigidez do momento.

— Vou tomar banho e já faço.

Rayra permaneceu séria, nem piscando. Victor entrou no banheiro e, em seguida, saiu de toalha. Ele se trocou na frente dela, vestindo apenas uma cueca samba-canção. Rayra ficou o olhando o tempo todo, sua mente trabalhando febrilmente, realmente pensando em tudo o que queria dizer, mas o medo a impedia.

Victor percebeu o olhar dela, mas não comentou. Foi para a cozinha e passou quase duas horas cozinhando. Ele estava determinado a provar que podia ser mais do que apenas uma carteira.

Quando o jantar estava pronto, ele a chamou da sala. Rayra foi para a cozinha, sentou-se, observando a louça limpa, Victor havia lavado tudo. Começaram a jantar juntos, em silêncio.

Victor parecia preocupado com algo, mexendo no celular com a testa franzida. Ela notou, mas não perguntou nada. Rayra comeu o suficiente e, sem dizer boa noite, foi se deitar no sofá da sala para assistir à televisão.

Victor ficou um pouco no escritório, resolvendo pendências legais dos negócios dele, com a irmã. Quando ele finalmente se recolheu, foi para o quarto dele e foi deitar cedo, sem dar boa noite. O silêncio da noite pairou sobre os dois, cada um em seu isolamento.

Rayra dormiu no sofá da sala, assistindo à televisão até tarde. O sono era intermitente e inquieto, mas ela preferia a vigilância da sala ao isolamento do quarto.

Victor levantou-se cedo no dia seguinte. O silêncio e o desconforto da noite anterior o impulsionaram a retomar a rotina de bom provedor. Ele se trocou e saiu. Voltou com pão fresco, frutas variadas e queijo.

Arrumou a mesa do café com o cuidado de quem tenta construir a normalidade em meio ao caos. Quando tudo estava pronto, ele foi acordá-la. Rayra estava encolhida no sofá, embrulhada em um cobertor. Victor sentou-se na beirada, com o gesto cauteloso, mas o toque firme. Ele começou a acariciá-la no cabelo, no local onde costumava fazer quando tudo ainda era um jogo.

— Bom dia, Ray. — falou ele, com a voz baixa.

— O café está pronto. Levanta, vem comer um pouco.

Ele esperou, com os dedos desenhando círculos lentos na têmpora dela. O toque de Victor em seu cabelo finalmente quebrou a bolha de negação de Rayra. Ela sentiu o cheiro dele, do perfume importado gostoso.

Ela se virou devagar no sofá, esfregando o rosto contra o cobertor. Seus olhos, ainda pesados de sono e cansaço emocional, encontraram os dele. Victor não hesitou. Ele continuou a fazer um carinho suave em sua bochecha e na testa, tirando o cabelo do rosto dela.

Em um movimento lento, ele se deitou em cima dela no sofá, apoiando o peso em seus antebraços e joelhos para não pressionar a ferida no abdômen. Não foi um movimento de paixão, mas de extrema proximidade e carência. Ele a olhou nos olhos, a intensidade do seu olhar era um pedido mudo de perdão e aceitação.

Rayra, por sua vez, correspondeu um pouco. Em vez de se afastar imediatamente ou de manter a rigidez habitual, ela apoiou a cabeça em seu ombro e subiu a mão timidamente para tocar a nuca dele, aceitando o carinho. O corpo dela, exausto e traumatizado, cedeu momentaneamente ao conforto da presença dele.

Victor sentiu o sinal. Ele a beijou no pescoço várias vezes, fechando os olhos em um suspiro de alívio. Era a primeira vez que ela permitia tal intimidade desde o tiro.

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