A escuridão engoliu Miranda quando Peterson apagou a luz da cozinha. A única luminosidade que restava era a fraca penumbra que vinha da sala. Ela sentiu o tecido liso da gravata de Peterson ser delicadamente amarrado sobre seus olhos, cobrindo-os completamente. O mundo de Miranda se resumiu a sons e sensações.
Ela ouviu os passos dele se afastarem e, em seguida, o clique de um isqueiro. Um aroma sutil de cera queimada e o doce perfume de morangos, que ele já havia usado na banheira, preencheram o ar. Peterson havia pegado uma vela da escada.
— Se quiser desistir, saiba que não vai ganhar nada. — a voz dele soou mais grave na escuridão, com as palavras como um contrato renovado.
Ele se aproximou novamente, e Miranda ouviu o som de botões se desprendendo. O tecido da camisa de Peterson, enquanto ele a tirava, revelando a pele morna de seu corpo escultural. Ela sentiu o calor dele se aproximar, o cheiro de seu corpo se misturando aos perfumes do ambiente.
— Posso me divertir com você? — sussurrou ele, com a voz tão próxima que Miranda sentiu o hálito quente em sua orelha, uma pergunta que não era um pedido, mas uma afirmação de poder.
Na escuridão, com os pulsos presos e a gravata cobrindo seus olhos, a pergunta de Peterson pairou no ar, carregada de uma tensão quase insuportável. O cheiro do corpo dele tão próximo a envolveu completamente. O medo se misturava com uma estranha resignação.
— Sim — sussurrou Miranda, com a voz trêmula, quase inaudível.
Peterson havia colocado o celular para filmar, se inclinou ainda mais, beijando o pescoço dela, com a voz firme e controladora.
— Diga mais alto. — Ele esperou um momento, sentindo a respiração ofegante dela. — Diga que eu posso fazer o que quiser com você.
O silêncio que se seguiu foi quase torturante. Deitada, exposta e vulnerável no balcão frio, Miranda sentiu a ansiedade crescer, um medo paralisante do desconhecido. Algo inesperado estava prestes a acontecer, e ela não tinha a menor ideia do que seria. Ela o respondeu tensa.

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