Peterson se deitou, exausto e pensativo. Miranda não sabia como se comportar ou o que falar, então agiu naturalmente, se levantou rindo. — Preciso de uma ducha, você acabou comigo.
Foi para o banheiro, tomou banho esperando que ele fosse atrás. Quando saiu, Peterson não estava no quarto. Ela voltou a deitar, pensativa, logo ele retornou enrolado em uma toalha, colocou uma cueca e se deitou. — Agora sim, vamos dormir. Boa noite, Mimosa.
Ela estava realmente exausta, já sonolenta, murmurou boa noite e adormeceu rapidamente em sono profundo. O sol da manhã invadia o quarto, pintando o luxuoso ambiente com tons dourados. Miranda despertou lentamente, sentindo o peso do braço de Peterson sobre sua cintura. O corpo estava dolorido, mas de uma forma estranhamente satisfatória, um eco da noite selvagem.
Ela virou-se para encará-lo, e o que encontrou não foi o olhar frio e calculista do magnata, mas um Peterson adormecido, com o rosto relaxado, os cabelos escuros bagunçados. Havia uma suavidade ali que ela nunca imaginou existir, e uma beleza de realmente se admirar.
Os lençóis estavam emaranhados, testemunhas silenciosas do desejo que os consumira. Miranda traçou com o dedo o contorno do maxilar dele, sentindo a barba por fazer. Uma confusão de sentimentos a invadiu: medo, excitação, mas também uma estranha sensação de pertencimento e alívio por finalmente ter transado com ele. Ela havia encontrado uma forma de se divertir, matar a carência, mas a que custo? Submissão, aguentando comentários ácidos, tudo até que aceitável, pelo menos ainda.
Ela ficou pensando o que aquela noite significava para o futuro deles, no fundo achou estranho, alguém como ele, tão rico e lindo, agindo como se não lhe sobrasse pretendentes. Enquanto o dia começava a despertar, Miranda sentiu uma pontada de ansiedade. A dinâmica de poder entre eles era inegável, e Peterson havia deixado claro quem ditava as regras. Mas, por um breve momento, na penumbra daquele quarto luxuoso, ela se permitiu sentir algo mais do que apenas a humilhação e o desespero de se vender. Ela se permitiu sentir o calor do corpo dele, a satisfação de um desejo saciado e a promessa incerta de um futuro que estava sendo escrito, gota a gota, por suas escolhas. Ela se aproximou, o acariciando nas costas, deu beijinhos nos ombros, braços.
No entanto, a paz durou pouco. Peterson se moveu, com o braço se afastando, e ele se levantou da cama com uma indiferença que gelou o estômago de Miranda. Não havia carícia, nem olhar de ternura ou qualquer coisa que demonstrasse desejo. Ele deu bom dia, caminhou até o closet, abrindo as portas. Começou a escolher uma camisa, com seu corpo nu e esculpido à mostra, mas sem qualquer sugestão de intimidade agora.
— Preciso ir trabalhar — disse ele, a voz neutra, sem emoção, enquanto vestia uma cueca boxer preta. Não houve menção à noite que haviam compartilhado, nem ao prazer que os dominou.
Miranda permaneceu deitada, observando-o, um nó se formando em sua garganta. Ela queria perguntar, queria entender, mas as palavras não vinham. Peterson já estava abotoando a camisa social branca. Ele se virou, com os olhos frios e distantes. — Tudo bem?
Ela balançou a cabeça que sim, se sentou séria, ele continuou se arrumando. — Sugiro que chame um Uber. Não posso te levar!
A frase, direta e sem rodeios, atingiu Miranda como um choque. Era o fim. A noite, as "fantasias", os "fetiches", tudo parecia reduzido a uma transação fria e finalizada. A indiferença de Peterson era um golpe mais doloroso do que qualquer palavra. Miranda, com o coração pesado, se sentindo usada, acatou a sugestão dele. Levantou-se da cama, sentindo o corpo moído pela noite de prazer e dor, e caminhou até a cadeira onde suas roupas simples e surradas estavam jogadas. Cada peça que vestia a trazia de volta à sua realidade, um contraste brutal com o luxo daquela noite passada.

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