A provocação de Peterson atingiu Miranda em cheio. A raiva e a frustração que ela tentava conter explodiram em uma resposta ríspida, a voz carregada de dor e autodepreciação.
— Realmente, se sou burra o suficiente para ficar com alguém esnobe como você. — ela disparou, os olhos marejados de fúria e mágoa. — Eu me odeio toda vez que te vejo e ouço seus comentários ácidos sobre mim.
A fúria e a mágoa de Miranda, expostas sem rodeios, pegaram Peterson de surpresa. O cinismo desapareceu de seu rosto, substituído por uma expressão mais suave, quase hesitante.
— Me desculpe! — ele disse, com a voz mais baixa e gentil do que ela já havia ouvido. — Eu não faço por mal, Miranda. É... é o meu jeito.
Ele a olhou nos olhos, a intensidade em seu olhar abrandada.
— Você nunca transou menstruada?
A desculpa de Peterson e sua pergunta íntima pareciam apenas irritar Miranda ainda mais. O breve momento de gentileza não foi suficiente para apagar a dor das palavras anteriores.
— Não! — respondeu ela, com a voz carregada de raiva, o rubor em seu rosto não apenas do álcool. — Agora, por favor, me leva para casa.
Peterson assentiu, ligando o carro e dirigindo em direção à casa dela. O silêncio tenso preencheu o interior do veículo por alguns segundos.
— Foi só uma pergunta, Miranda. — ele disse, com a voz calma, mas com um toque de provocação. — Não precisa ficar tão brava. Somos adultos.
Ele fez uma pausa, com o olhar fixo na estrada.
— Eu não vou negar que já fiz, no chuveiro. — Um sorriso sutil brincou em seus lábios. — Você tem algum fetiche que ainda não realizou?
Miranda sentiu um nó na garganta. As palavras de Peterson, sua confissão e sua pergunta sobre fetiches, a deixaram ainda mais incomodada. Ela virou o rosto para ele, com os olhos faiscando.
— Você não sabe falar sobre qualquer coisa que não seja sexo? Ou dinheiro? — A voz dela era um misto de raiva e desprezo. — Você é repulsivo, senhor Peterson. E me deixa enojada. — Eu me sinto um lixo, com você.
Peterson a ouviu, o sorriso em seus lábios se alargando. Ele parecia adorar vê-la sendo sincera, mesmo que a sinceridade fosse para insultá-lo.
— Ok, eu entendo sua frustração. — disse ele, com a voz calma, mas com um brilho divertido nos olhos. — Só um último comentário. Essa sua raiva e irritação me excita demais.
Ele estacionou o carro em frente ao portão dela.

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