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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 21

Miranda hesitou por um momento, a pergunta de Peterson pairando no ar. A voz dele era suave, quase gentil, e o olhar que ele a dirigia era diferente de tudo que ela já havia visto nele. Algo cedeu dentro dela. Com um suspiro, ela sentou-se no sofá, afundando-se entre o cobertor e o travesseiro bagunçados.

— Eu perdi meu pai aos quinze anos. Depois dessa foto! — começou ela, com a voz baixa, quase um sussurro, enquanto olhava para a foto emoldurada de si mesma. — Logo depois, saí de casa porque minha mãe me maltratava e ela colocou outro homem dentro de casa. Eu não aguentava mais.

Seus olhos se fixaram em um ponto distante na parede.

— Fui morar com um namorado que tinha na época da escola. Ele me prometeu o mundo, sabe? Disse que ia me proteger, cuidar de mim. De certa forma, protegeu, meu padrasto mexeu comigo e ele me defendeu.

Um sorriso amargo contorceu seus lábios.

— Comecei a trabalhar em tudo que aparecia. Limpava casas das amigas da minha sogra, lavava carros no lava-rápido do meu cunhado... qualquer coisa para ter um dinheiro meu. Quando fomos morar sozinhos, sem a família dele, ele se perdeu muito. Mudou! E, de repente, eu estava sustentando ele e a casa. Ele não gostava de trabalhar. Dizia que eu era a sorte grande dele.

A voz de Miranda diminuiu, carregada de dor.

— Ele começou a mudar. Primeiro, eram só palavras, depois... ele era abusivo demais. Não só comigo, mas com o pouco que a gente tinha. Usava umas porcarias lá. Quebrava as coisas, me xingava à toa. Bebia demais. Sei lá, eu queria separar e ele melhorou. Até que um dia ele foi pego com drogas, armas e foi preso.

Ela olhou para Peterson, com os olhos marejados, mas secos de lágrimas.

— E eu, burra que sou, passei anos esperando ele sair da cadeia. Ele virou outra pessoa, mandava cartas, fazia mil juras de amor. Achando que ele ia mudar, que a gente ia ter aquela vida que ele prometeu. Fiquei ralando pra mandar jumbo. Você não sabe o que é, claro. Eu mandava comida, produtos de higiene. Deixava de comer coisas diferentes em casa, pra mandar. Me sacrifiquei muito!

Miranda fez uma pausa, com o olhar fixo na parede, revivendo as memórias dolorosas. Peterson a observava em silêncio, com a postura relaxada no sofá, mas os olhos fixos nela, absorvendo cada palavra.

— Quando ele finalmente saiu da cadeia — continuou Miranda, com a voz perdendo um pouco do tom de desespero e assumindo um tom mais seco, de quem já havia contado essa história para si mesma inúmeras vezes. — Ele me trocou por outra. Simples assim. A menina estava trocando cartas, foi dar pra ele na cadeia. E não foi só isso. Ele levou tudo o que eu tinha em casa, os poucos móveis, os eletrodomésticos, até as panelas. Deixou só as paredes.

— Eu tive que engolir a tudo calada. — Ela enxugou os olhos marejados, lembrando a humilhação. — Mas o pior não foi nem isso. Por dois anos, ele me ameaçou, me perseguia, me impedia de recomeçar a vida. Eu tentava arrumar um emprego melhor, mas ele sempre dava um jeito de aparecer, de estragar tudo. Era como se ele não quisesse que eu fosse feliz ou seguisse em frente. Uma vez eu saí com um cara, ele ficou sabendo, bateu nele na rua. Foi aí que eu decidi que não dava mais — ela respirou fundo, chateada. — Larguei tudo e me mudei de cidade. Vim para cá sem nada, só com a roupa do corpo e a esperança de que ele não me encontrasse.

Seu olhar vagou pela pequena casa, pelos poucos pertences que tinha.

— Desde então, tenho me virado como posso. Morei em kitnets, trabalhei como garçonete, auxiliar de cozinha, vendedora de roupas, sapatos, cosméticos. Fui operária em duas fábricas e, claro, faxineira em várias casas. Cada dia é uma luta para não olhar para trás e apenas sobreviver. Sou um pouco inquieta, com trabalho. Mas sou responsável, tá? Não sei qual é o meu problema, falta de motivação, sei lá, saber que tem algo bom, me esperando. Alguém.

Começou a rir, pensativa.

— Que bobagem.

Peterson ouviu a continuação da história de Miranda com uma atenção incomum. Cada detalhe da vida dela, repleta de reviravoltas e perdas, parecia prendê-lo mais. Ele a observava, absorvendo a intensidade de suas palavras, e quando ela terminou, houve um breve silêncio. Até que ele perguntou.

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