Miranda franziu a testa, com a sonolência lutando contra a confusão.
— Você é estranho, Peterson. Um minuto me trata como lixo, no outro me elogia. Sua indiferença me parece bem mais agradável.
— Talvez eu seja complicado. — ele admitiu, com um meio sorriso surgindo.
— E você também. Mas me diz uma coisa, Miranda, você realmente não quer ter filhos? Ou é só o que a vida te fez acreditar?
Ela fechou os olhos novamente, com um suspiro pesado escapando.
— É só o que eu conheço. A realidade!
Miranda não respondeu mais. O cansaço, a tequila e a torrente de memórias a venceram. Ela afundou ainda mais no sofá, e Peterson a viu adormecer, com o rosto relaxado na beira do sono, as feições de dor suavizadas pela inconsciência.
Ele a observou por um longo momento, ficou com o olhar fixo nela, um misto complexo de sentimentos se formando em seu peito. Havia dó da realidade dela, da vida difícil que ela havia levado. Mas, ao mesmo tempo, a vulnerabilidade e a autenticidade de Miranda reacenderam algo mais, um desejo que ia além da simples posse.
Peterson sabia o que queria. Era um de seus fetiches mais loucos, um que misturava controle com uma estranha forma de "cuidado". Silenciosamente, ele se levantou do sofá. Pegou sua carteira e dela tirou um cartão de crédito preto, de limite ilimitado. Colocou-o cuidadosamente sobre o braço do sofá, ao lado do corpo adormecido de Miranda. Em seguida, pegou um pedacinho de papel toalha que estava na pequena mesa de centro e, com uma caneta, escreveu:
"Essa semana, você será minha. Vá às compras, compre tudo o que quiser, Mimosa! Senha 0716"
Deixou o bilhete ao lado do cartão. Deu uma última olhada em Miranda, adormecida em sua vida desorganizada. Então, Peterson se virou e saiu da casa, fechando a porta atrás de si, deixando Miranda para despertar em uma realidade que estava prestes a mudar drasticamente.

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