A vendedora, sem desviar o olhar crítico, perguntou com uma formalidade quase cortante:
— Precisa de ajuda, moça? Ou seria lojista? Porque se for, temos condições especiais.
Enquanto falava, seus olhos percorriam Miranda de cima a baixo, reparando em cada detalhe, na simplicidade de sua aparência, como se estivesse tentando decifrar o mistério de sua presença ali.
Miranda sentiu o rubor em seu rosto se intensificar.
— Não, eu não trabalho aqui. — ela respondeu, com a voz um pouco embargada pelo constrangimento. — Eu só queria ver as sandálias.
A vendedora suspirou, um ar de impaciência em seu semblante.
— As peças de promoção, se é isso que procura, acabaram. — Ela fez uma pausa, com o olhar ainda avaliativo. — O que exatamente quer? E qual seria a sua faixa de preço?
Miranda sentiu um nó na garganta. Não conseguiu se defender.
— Eu não sei. — ela murmurou, desviando o olhar das sandálias reluzentes.
A vendedora revirou os olhos quase imperceptivelmente.
— Ok, vou pegar opções. Qual o número?
Miranda disse que trinta e seis. A moça se afastou, voltando minutos depois com duas sandálias rasteirinhas, de modelos extremamente simples, quase infantis, de cores básicas. Não havia nenhum toque de grife ou luxo nelas, e Miranda percebeu de imediato que estava sendo ofendida e discriminada. Aquelas sandálias eram o reflexo do quanto a vendedora a subestimava.
O brilho em seus olhos se apagou. A empolgação que a impulsionou até ali evaporou em meio àquela humilhação silenciosa.
— Obrigada. — Miranda disse, forçando um sorriso. — Mas não vou levar nada.
Com a cabeça erguida, mas o coração pesado, ela saiu da loja, deixando para trás o mundo de sapatos e preconceitos. A animação com as compras se desfez, substituída por um amargo gosto de desilusão.
Miranda continuou a caminhar pelo shopping, o brilho das vitrines parecendo agora um pouco mais opaco. Ela entrou em uma loja de biquínis, atraída pelas cores vibrantes e estampas tropicais expostas. As vendedoras estavam agrupadas perto do caixa, rindo e conversando animadamente. Miranda esperou por um momento, na esperança de ser atendida, mas ninguém se moveu para ajudá-la. Pelo contrário, ela teve a incômoda sensação de que as duas estavam cochichando e debochando dela, lançando olhares rápidos em sua direção.
Ainda assim, determinada, Miranda pegou um biquíni de um dos expositores e se dirigiu a um dos provadores. Mal havia dado alguns passos quando uma das vendedoras, a mesma que parecia estar rindo dela, correu em sua direção.
— Com licença, moça! — a vendedora disse, bloqueando a entrada do provador.
— Não pode entrar no provador com bolsa. Terá que deixá-la aqui.
Miranda ficou desconcertada. Ela segurou a bolsa com mais força, sentindo o calor em seu rosto.
— Eu só queria provar a parte de cima. — ela começou, a voz trêmula. — Mas... eu vou levar. Sem provar.
Ela se dirigiu ao caixa, sentindo os olhares das vendedoras em suas costas. Ao chegar, começou a revirar a bolsa surrada, os dedos apressados em busca de algo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos )