A vendedora, observando o nervosismo de Miranda e o cartão Black em sua mão, mas também sua figura simplória, demorou um instante para entender a situação.
— Olha, moça... — ela começou, com um tom mais suave e compreensivo.
— Acho que aqui não vai ter nada para você.
Miranda franziu a testa, confusa.
— Como assim?
— É que nossa loja é Plus Size. — A vendedora explicou, com um leve sorriso.
— Tudo aqui é para tamanhos maiores. As lojas que você procura são melhores na outra ala, no andar de cima. Posso te indicar algumas. — Ela pegou um copo de água atrás do balcão e estendeu para Miranda.
— Toma um pouco de água. Você parece um pouco nervosa. Tem a Miumiu e a Gucci logo no começo, e mais para o fundo tem a Zara, se preferir algo mais... variado.
Miranda pegou o copo, surpresa com a gentileza inesperada.
— Ah... Entendi. Muito obrigada. — Sua voz era quase um sussurro.
A moça ficou olhando sorridente.
— De nada. Boa sorte nas compras!
Miranda agradeceu novamente, sentindo um misto de alívio e uma pontada de vergonha. Pelo menos aquela vendedora havia sido simpática. Ela saiu da loja, com o copo de água na mão, sentindo-se ainda mais desanimada. O dia de compras de luxo estava se mostrando uma sucessão de constrangimentos e mal-entendidos.
Com a moral mais baixa do que as rasteirinhas que tinha acabado de ver, Miranda decidiu que era o suficiente por um dia. Em um quiosque discreto no canto do shopping, longe das grifes imponentes, ela comprou um par de chinelos Havaianas com o próprio dinheiro que tinha na carteira, um pequeno ato de independência em meio àquele turbilhão de humilhações. Com a sacolinha simples na mão, ela caminhou em direção ao estacionamento, os ombros ligeiramente curvados. Ao avistar o carro, entrou no banco de trás, em um silêncio que contrastava com a sua agitação inicial.
O motorista, Xavier, percebendo o semblante dela, perguntou gentilmente:
— Para onde vamos agora, senhorita?
— Para o hotel. — ela respondeu, a voz quase inaudível.
Durante todo o trajeto de volta, Miranda permaneceu cabisbaixa, olhando para a paisagem que passava com um olhar cético. O brilho da manhã havia desaparecido, e o conto de fadas parecia ter dado lugar a uma dura realidade.
Ao entrar no saguão do hotel, Miranda mal havia dado alguns passos quando ouviu uma voz a chamando.

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