Peterson saiu da suíte com um misto de raiva e apreensão, encontrou o motorista e não entendeu o que aconteceu. Começou a busca frenética por Miranda, primeiro nas piscinas, depois no restaurante, perguntando a qualquer funcionário que via se haviam notado uma moça com as características dela. Deixou um aviso na recepção, descrevendo-a e pedindo para ser avisado caso a vissem. Quase uma hora se passou, e a preocupação em Peterson se transformava em uma irritação crescente.
Finalmente, ao se aproximar da área da praia privativa, ele a viu. Sentada na areia, de costas para ele, com o vestido florido surrado que ele reconheceu de longe. A visão a deixou ainda mais furioso. Ele se aproximou rapidamente, com a voz carregada de irritação:
— Miranda? O que está fazendo aqui?
Sem esperar por uma resposta, continuou, com a frustração explodindo:
— Eu não quero acreditar que você não fez o que eu falei!
Miranda virou-se para Peterson, com os olhos marejados e o rosto marcado pela queimação do sol e pelas lágrimas.
— Quero ir embora. — ela disse, com a voz embargada pela emoção.
— Esse dia foi péssimo, estou odiando tudo.
Ela se levantou abruptamente, com a raiva agora superando o cansaço.
— Você me deixou sozinha! Achou que ia acontecer o quê?
Peterson parou, com a irritação diminuindo à medida que seus olhos percorriam Miranda. Ele notou a vermelhidão intensa em seus braços e rosto, o tom da pele visivelmente alterado. Seus olhos se fixaram naquelas marcas de sol, percebendo o quanto ela estava queimada. A raiva deu lugar à preocupação.
— O que aconteceu? — ele perguntou, com a voz agora mais suave, mas ainda com uma ponta de incredulidade.
— Você está bem? Se perdeu?
As perguntas de Peterson, mesmo que preocupadas, foram o estopim para Miranda. As lágrimas que ela havia contido por horas desabaram novamente, misturadas à raiva e à humilhação. Ela começou a contar, com a voz embargada, os gestos expressivos.
— O que aconteceu?! O que aconteceu é que você me deixou sozinha em um lugar onde eu não pertenço! — ela explodiu, com a falta de ar cortando suas palavras. — Fui na loja de sapatos e a vendedora me olhou como se eu fosse um lixo! Disse que eu ia encardir o sapato, me mandou soltar.
Ela enxugou as lágrimas com as costas da mão, e a irritação crescendo.
— Depois, fui numa de biquínis. Ninguém me atendeu, ficaram rindo e cochichando de mim! E quando eu tentei ir pro provador, a moça me parou porque eu estava com a minha bolsa! Minha bolsa! Ela achou que eu ia roubar. E seu cartão idiota, não passou por aproximação.
Miranda tirou o cartão da bolsa e o jogou nas mãos dele.
— E esse cartão inútil que você me deu! Não consegui lembrar a senha, não consegui te ligar! Elas me olharam como se eu fosse uma ladra! E eu queria um biquíni de duzentos e trinta reais! E depois não reservaram, eu vi ela guardando! Eu pedi pra reservar.
Ela apontou para o próprio vestido e para os chinelos Havaianas em seus pés.

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